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Índice: O
Capa Biografias
José Oswald de Sousa Andrade
nasceu em São Paulo em 1890. Fez o curso secundário no Ginásio de São Bento e
formou-se em Direito em 1919. Viajou pela primeira vez à Europa em 1912, retornando,
diversas vezes, no período de 1922 a 1929. Essas visitas lhe possibilitaram entrar
em contato com o futurismo ítalo-francês e a conhecer, mais profundamente, as
vanguardas surrealistas francesas. Antes, em 1911, fundou o semanário humorístico
O Pirralho, publicando aí ensaios; em 1920, criou outro jornal: Papel
e Tinta.
Nos anos que antecederam a Semana de Arte Moderna, foi um
ativo organizador, clamando pela ruptura com a tradição européia por meio de
rebelião estética, o que estimulou o meio artístico a buscar novos rumos. Ao
encontrar-se, em 1920, com Mário de Andrade, o apresenta ao público como "o meu
poeta futurista", marcando a luta pela renovação. Em l924, iniciou o movimento
Pau-Brasil, cujo programa era libertar a poesia "das influências nefastas das
velhas civilizações em decadência", apontando o primitivismo como caminho a ser
seguido. Em 1928, lançou outro movimento, o Antropofágico. Com o "crack" da
Bolsa e a Revolução de 30, a fortuna familiar passa por grave crise. O escritor
assumiu posição esquerdista, filiando-se ao Partido Comunista.
Participou da luta operária e antifascista, nos anos que
antecederam o golpe de Estado de l937, ao mesmo tempo em que era redator do
jornal O Homem Livre. Em 1943 e 1946, publicou dois volumes da obra
inacabada Marco Zero, dedicada à análise da crise econômica de 1930 e à
sociedade burguesa paulista. Em 1945, tornou-se livre-docente em Literatura
Brasileira na Universidade de São Paulo. De acordo com Antonio Candido, pode-se
afirmar que a "importância histórica [de Oswald de Andrade] de renovador e
agitador (no mais alto sentido) foi decisiva para a formação da nossa literatura
contemporânea". Morreu, em São Paulo, em 1954.
Oswald de Andrade manteve-se
sempre fiel ao projeto do Modernismo e, sobretudo, às rupturas com os cânones
do passado. Sua poesia "pau-brasil" prima pela linguagem reduzida,
telegráfica, coloquial e repleta de humor; uma "poesia brasileira original,
de exportação". Sua prosa pode ser dividida em três momentos: crepuscular,
relativa ao período de transição para o Modernismo, apresentando já o embrião
de uma "prosa cinematográfica", mas um tanto incerta, revelando imaturidade;
parodística e cubista, encontrada no "romance-invenção" Memórias
Sentimentais de João Miramar (1924), composto de frases curtas, fragmentos
justapostos, montagens, poemas intercalados e emprego da paródia ("canto
paralelo"), marcando as peripécias dos heróis e o período experimental
do movimento.
Memórias Sentimentais de João Miramar em especial,
encerra simultaneísmo, exposição das "ordens do subconsciente", riqueza de
neologismos, estilo telegráfico e quebra da ordem sintática Seus capítulos são
curtíssimos com a condensação de sensações, numa técnica próxima do cinema,
representada pelo processo de "colagem rápida de signos". Essa "técnica cubista"
dá "ao estilo de Oswald o que ele tem de mais inesperado e intrigante", e por
ser concentrada se aproxima da poesia, representando o "primeiro passo do
Modernismo".
O último momento corresponde à prosa de tese, aplicada ao
romance cíclico inacabado, Marco Zero, espécie de romance mural. Contudo,
os romances-invenções, de 1924 e 1933, são representativos do bom Modernismo
praticado por Oswald, cuja obra é definida por Alfredo Bosi como "um leque de
promessas realizadas pelo meio ou simplesmente irrealizadas".
As obras poéticas do Pau-Brasil e da Antropofagia
representam, também, esse Modernismo, satirizando a vida burguesa levada pelos
"aristocratas" do café nas grandes capitais. Em Pau-Brasil, o escritor se
utiliza da síntese para unir além da vida pré-colonial e colonial brasileira o
espaço moderno e essa união, nas palavras de Alfredo Bosi, "define a visão do
mundo e a poética de Oswald".