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Capa Biografias
São
Tomás de Aquino, em italiano Tommaso d'Aquino, (1227-1274) nasceu em um castelo
próximo à cidade de Aquino, Itália, de uma família nobre. Entrou cedo para a ordem
Dominicana.
Não se sabe com precisão os acontecimentos da sua vida. As universidades surgiramm no século XII, e elas começaram a ter forte atuação
e influência. Criou-se um ambiente cultural, nas capitais, em que atuaram Alberto Magno e seu discípulo, Tomás de Aquino. Há uma
miscigenação cultural, pois os Sábios da Arábia vieram para a Europa.
Tomás de Aquino entrou para a universidade de Nápoles, onde estudou filosofia. Sabia, falava e escrevia em latim fluentemente.
Tomás foi famoso por ter cristianizado Aristóteles, à semelhança do que fez Agostinho
com Platão, ele transformou o pensamento desse sábio num padrão aceitável pela
igreja católica, apesar de Aristóteles não ter conhecido a revelação cristã, como
disse Tomás, e de sua obra ser original, autônoma e independente de dogmas, ele
está em harmonia com o saber contido na Bíblia. E Tomás aplicou o pensamento de
Aristóteles na teologia.
Oriundo de uma família da pequena nobreza que pretendia beneficiar-se das vantagens de ter um filho abade, aos cinco anos foi
oferecido como oblato - leigo a serviço de ordem monástica - à abadia de Monte Cassino. Em 1239 foi obrigado a voltar ao convívio
da família, quando os monges foram expulsos pelo imperador. Enviado à Universidade de Nápoles, em 1244 ingressou na ordem
mendicante dos dominicanos, criada cerca de trinta anos antes, que criticava a vida monástica tradicional em favor de uma
prática de pregação e ensino.
Para subtraí-lo à influência da família, que desaprovava seu ingresso na ordem, e ao mesmo tempo possibilitar que continuasse os
estudos universitários, seus superiores enviaram-no à Paris. Seqüestrado durante a viagem por seus irmãos, Tomás de Aquino foi
encerrado por um ano no castelo de Roccasecca. Tendo resistido a todas as pressões para que abandonasse seus propósitos, foi
finalmente libertado e rumou para Paris em 1245.
Na capital francesa, a ciência árabe-aristotélica, totalmente nova para o homem ocidental, chocava os cristãos e provocava forte
reação das autoridades da igreja, que adotavam medidas de censura e proibição. Alberto Magno, de quem Tomás de Aquino tornou-se
discípulo, estava entre os que não temiam a nova filosofia. Consagrava-se à interpretação dos textos de Aristóteles e à incorporação
de suas idéias à doutrina da igreja. Em 1248, ambos seguiram para Colônia e, em 1252, Tomás de Aquino retornou a Paris, onde se
formou em teologia. A partir de 1256, tornou-se mestre na matéria, que passou a lecionar numa das escolas dominicanas incorporadas
à Universidade de Paris. Nomeado mestre da cúria pontifical, entre 1259 e 1268 lecionou em Anagni, Ovieto, Roma e Viterbo.
Mais uma vez de volta a Paris, Tomás de Aquino opôs-se simultaneamente, em notável polêmica, aos averroístas, que afirmavam que
a verdade da fé podia entrar em contradição com a verdade racional e propunham uma teoria dualista; e aos agostinianos, detratores
do pensamento aristotélico em favor do dogma cristão. A condenação do averroísmo radical, em 1270, e o subseqüente descrédito face
ao pensamento aristotélico prejudicaram o prestígio de Tomás de Aquino.
Em 1272, o filósofo seguiu para Nápoles, onde fundou um núcleo dominicano de estudos na universidade. Ali, as divergências com os
agostinianos acentuaram-se. A idéia tomista segundo a qual o homem situa-se na fronteira entre dois universos, o material e o
espiritual, era para os agostinianos fruto de uma valorização excessiva da natureza e da matéria, em detrimento da transcendência
e superioridade da alma imortal sobre o plano físico.
De maneira geral, a obra de Tomás de Aquino pode ser organizada da seguinte forma:
(1) comentários ao Antigo e ao Novo Testamento, assim como às obras de vários pensadores, principalmente Aristóteles;
(2) cursos e polêmicas, que incluem o material de suas aulas; e
(3) duas sínteses teológicas, a Suma teológica e a Suma contra os gentios.
Em 1274, Tomás de Aquino foi pessoalmente convocado pelo papa Gregório X a participar do II Concílio de Lyon, cujo principal
objetivo era remediar a cisão entre as igrejas grega e romana. Adoeceu durante a viagem e morreu no mosteiro cisterciense de
Fossanova, em 7 de março de 1274. Três anos depois, os mestres de Paris, que representavam a maior autoridade teológica da igreja,
condenaram 219 proposições, entre as quais 12 eram de autoria do dominicano. Na Idade Média, nenhuma condenação poderia ser mais
séria que essa e sua repercussão representou, durante séculos, um obstáculo à difusão do tomismo. Canonizado em 1323, Tomás de
Aquino passou a ser festejado no aniversário de sua morte e, mais tarde, no dia 18 de julho. Foi reconhecido como doutor da
igreja em 1567 e, no final do século XIX, a corrente ortodoxa fez-se representar pelo tomismo.
A obra de Tomás de Aquino é imensa, alguns de seus trabalhos foram escritos por ele mesmo, outros ditados e outros ainda reportados.
Para Tomás, o conhecimento passa por vários graus de abstração cujo objetivo é conhecer a imaterialidade. O primeiro esforço da
existência abstrativa consiste em considerar as coisas independentemente dos sentidos e da noção que tiramos dele. O segundo esforço
consiste em considerar as coisas independentes das qualidades sensíveis. No terceiro esforço tem que se consideraras coisas
independentes do seu valor material. Assim chega-se ao objeto metafísico, que é imaterial, espiritual.
Também Alberto, filho da nobre família de duques de Bollstädt (1207-1280), abandonou o mundo e entrou na ordem dominicana. Ensinou
em Colônia, Friburgo, Estrasburgo, lecionou teologia na universidade de Paris, onde teve entre os seus discípulos também Tomás de
Aquino, que o acompanhou a Colônia, aonde Alberto foi chamado para lecionar no estudo geral de sua ordem. A atividade científica de
Alberto Magno é vastíssima: trinta e oito volumes tratando dos assuntos mais variados - ciências naturais, filosofia, teologia,
exegese, ascética.
Em 1252, Tomás voltou para a universidade de Paris, onde ensinou até 1269, quando regressou à Itália, chamado à corte papal. Em
1269 foi de novo à universidade de Paris, onde lutou contra o averroísmo de Siger de Brabante; em 1272, voltou a Nápoles, onde
lecionou teologia. Dois anos depois, em 1274, viajando para tomar parte no Concílio de Lião, por ordem de Gregório X, faleceu no
mosteiro de Fossanova, entre Nápoles e Roma. Tinha apenas quarenta e nove anos de idade.
Ao romper com a linhagem tradicional da Igreja Católica medieval, ancorada no pensamento platônico, Tomás de Aquino situou-se na
vanguarda de seu tempo. Sua obra, baseada nas idéias aristotélicas, contribuiu para a adaptação e sobrevivência da fé cristã
paralelamente à nova mentalidade racionalista que se tornaria, nos séculos seguintes, o fio condutor da civilização ocidental.
Após uma longa preparação e um desenvolvimento promissor, a escolástica chega ao seu ápice com Tomás de Aquino. Adquire plena
consciência dos poderes da razão, e proporciona finalmente ao pensamento cristão uma filosofia. Assim, converge para Tomás de
Aquino não apenas o pensamento escolástico, mas também o pensamento patrístico, que culminou com Agostinho, rico de elementos
helenistas e neoplatônicos, além do patrimônio de revelação judaico-cristã, bem mais importante.
Para Tomás de Aquino, porém, converge diretamente o pensamento helênico, na sistematização imponente de Aristóteles. O pensamento
de Aristóteles, pois, chega a Tomás de Aquino enriquecido com os comentários pormenorizados, especialmente árabes.
Fonte: Naiacy de Souza Lima, Professora de História da Educação e História da Educação Brasileira