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Capa Biografias
Washington Luís Pereira de
Souza nasceu em Macaé (RJ), em 1869, pertencente a uma família de grande prestígio
político no período imperial.
Advogado, bacharelou-se pela Faculdade de Direito
de São Paulo em 1891. Iniciou sua carreira política em 1897 como vereador e,
posteriormente, prefeito de Batatais (SP). Em 1900, disputou uma cadeira na
Câmara Federal por São Paulo, apresentando-se com um perfil oposicionista em
relação aos governos federal e estadual. Apesar de vitorioso, não pôde assumir
seu mandato por ter tido sua eleição rejeitada pela Comissão de Verificação de
Poderes da Câmara dos Deputados.
Nesse mesmo ano transferiu-se para a capital
paulista. Nos anos seguintes iniciou uma bem sucedida carreira política no
Partido Republicano Paulista (PRP). Exerceu os cargos de deputado estadual
(1904-1906), secretário estadual de Justiça (1906-1912), prefeito da capital
(1914-1919) e presidente do estado (1920-1924). À frente do governo estadual,
ampliou os efetivos militares paulistas com o objetivo de aumentar o poder de
pressão do estado na federação, construiu mais de 1.300 quilômetros de estradas
de rodagem - seu lema era "Governar é abrir estradas" -, e dedicou um tratamento
duro ao movimento operário, cujos problemas dizia "interessar mais à ordem
pública do que à ordem social".
Após deixar o governo de São Paulo, ocupou uma
cadeira no Senado. Em março de 1926, concorrendo como candidato único, elegeu-se
presidente da República. Sua gestão à frente do governo federal foi marcada por
uma política de câmbio elevado, que visava favorecer as exportações, resultando
também na proteção da indústria nacional, ao mesmo tempo que afetava
negativamente o comércio de importação pela alta nos preços dos artigos
estrangeiros.
No início de 1929, indicou, para sucedê-lo, o
presidente de São Paulo Júlio Prestes. Essa escolha desagradou os políticos de
Minas Gerais, que esperavam que a alternância entre paulistas e mineiros na
presidência - estabelecida pela "política do café com leite"- fosse mantida.
Contrariados, os grupos dirigentes de Minas aliaram-se aos do Rio Grande do Sul
e formaram a Aliança Liberal, que lançou os nomes do gaúcho Getúlio Vargas e do
paraibano João Pessoa à presidência e vice-presidência da República,
respectivamente. A Aliança Liberal receberia ainda o apoio dos grupos de
oposição dos demais estados e dos militares oriundos do movimento tenentista. A
campanha eleitoral foi bastante acirrada, com a oposição realizando grandes
comícios nos principais centros urbanos do país. Realizado o pleito no mês de
março de 1930, porém, saiu vitoriosa a chapa situacionista.
O resultado eleitoral foi logo contestado por
setores da Aliança Liberal, que alegavam a ocorrência de fraudes no pleito e
começaram a articular um movimento político-militar que depusesse Washington
Luís. Deflagrado no dia 3 de outubro, o movimento logo se estendeu por todo o
país. No dia 24 de outubro oficiais graduados das Forças Armadas no Distrito
Federal depuseram o presidente, que foi levado preso para o forte de Copacabana.
O governo ficou a cargo, durante alguns dias, de uma junta governativa composta
pelos generais Mena Barreto e Tasso Fragoso e pelo contra-almirante Isaías de
Noronha. Em 3 de novembro, o poder foi entregue, após certa relutância por parte
dos membros da junta, a Getúlio Vargas, comandante das forças revolucionárias.
Enquanto isso, Washington Luís rumava para o exílio.
Viveu, então, por 17 anos na Europa e nos Estados
Unidos. Voltou ao Brasil em 1947 e fixou-se em São Paulo, sem retomar, contudo,
a atividade política.
Morreu na capital paulista, em 1957.