A queda do muro de Berlim

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Centenas pessoas, na maioria simples e jovens, carregando picaretas ajudaram a derrubar uma das últimas barreiras que separava famílias, amigos e nação: o Muro de Berlim.

 

O que guiava essas pessoas não era a violência e tão pouco a fúria. O que os movia era apenas a sensação de que o chão que agora pisavam era novamente um só, podendo estar juntos e livres novamente para ir e vir. Foram 28 anos de separação forçada e sofrida (inclusive mães ficaram separadas dos filhos!).

 

O Muro de Berlim é considerado como sinônimo da Guerra Fria, da Velha Ordem Mundial.

 

As causas de sua construção

 

No final da 2ª Guerra Mundial, em 1945, as tropas soviéticas invadiram Berlim que era então a capital do 3º Reich, quartel general de Hitler, com o objetivo de derrotar o que havia sobrado do exército nazista, já completamente em frangalhos. A destruição da cidade foi quase completa. Pouca coisa havia sobrado para abrigar o que restara da população que estava sem água e comida.

 

Assim, com a derrota da Alemanha, os aliados dividiram o espólio ficando metade da Alemanha com americanos, franceses e britânicos e o restante para o governo soviético. Assim a capital, Berlim, ficava inteira para os soviéticos. Mas conforme acordo entre eles, a cidade também foi dividida em quatro. Mas ao primeiro sinal de conflito entre as partes, os soviéticos bloquearam todos os acessos por terra à Berlim, pois isso era fácil de ser executado visto que as estradas passavam pela parte da Alemanha controlada por eles. Os aliados então responderam a esse bloqueio com uma ponte aérea que supriu Berlim durante cerca de um ano. Com isso os soviéticos acabaram cedendo e o acesso por terra foi desbloqueado.

 

Na década de 50, surgiu o problema dos refugiados. Milhares de alemães escapavam das áreas com controle soviético e iam para a parte de Berlim controlada pelos aliados. Em agosto de 1961, para tentar conter a fuga, os soviéticos começaram a colocar cercas de arame farpado ao redor do setor aliado. Mesmo assim os refugiados continuavam a atravessar da forma que lhes era possível. Por isso, gradativamente, o arame foi substituído por tijolos de concreto, dispostos de forma dupla com um vão separando os dois muros. Assim consolidava-se o Muro de Berlim.

 

Além de dividir a cidade de Berlim ao meio, o muro simbolizava a divisão do mundo em dois blocos: Berlim Ocidental (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos da América; e Berlim Oriental (RDA), constituído pelos países socialistas simpatizantes do regime soviético.

 

Possuía 166 km de extensão. Uma gigantesca construção constituída de 66,5 km de grades metálicas, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas, com alarme, e entre os muros, parte do chão era repleta de explosivos e na outra parte havia 255 pistas de corrida para cães de guarda, dos mais ferozes. Mesmo assim, com toda esta dificuldade, cinco mil pessoas conseguiram atravessá-lo desde 1961.

 

Mas as tentativas de travessia custaram a morte a 80 pessoas identificadas (algumas forma fuziladas), 112 ficaram feridas e milhares aprisionadas nas diversas tentativas de transpassá-lo.

 

A pressão do povo alemão para a queda do Muro de Berlim começou quando a Hungria abriu sua fronteira com a Áustria para que aquele povo tivesse o trânsito livre entre os dois países e os alemães começaram a perceber esta oportunidade. Assim, eles aproveitaram as férias que normalmente eram permitidas a outros países socialistas e usaram a Hungria como passagem para chegar a Alemanha Ocidental.

 

Além da Hungria, a Tchecoslováquia passou a ser outro ponto de passagem através do consulado da Alemanha Ocidental em Praga, fazendo com que o governo da Alemanha Oriental cedesse provocando assim uma fuga em massa.

 

Mas em Berlim, o muro continuava fechado, pois o então líder nacional da Alemanha Oriental, Erich Honecker, era linha dura e não queria ouvir falar em abertura. Mas as manifestações foram aumentando com milhares de pessoas nas ruas exigindo mais liberdade e democracia. Assim Honecker não resistiu e foi substituído por Egon Krenz, que apesar de ser mais jovem, também tinha fama de ser linha dura. Mas assim que tomou posse, viu-se diante de uma pressão popular sem precedentes no país: no dia 4 de novembro de 1989, um milhão de pessoas saiu às ruas de Berlim Oriental. Com isso caiu quase toda a liderança do partido Comunista. E no dia 9 de novembro quem caiu foi o muro! De surpresa o Partido Comunista anunciou a abertura das fronteiras.

 

Nas primeiras horas após o anúncio, centenas de milhares de pessoas atravessaram em festa, da Berlim Oriental para a Ocidental.

 

O Partido Comunista então propôs reformas que incluíram eleições livres, mudanças na economia e a investigação das atividades da polícia política.

 

Foi o fim de uma era. A era dos campos minados, dos guardas armados, do arame farpado na fronteira, voltando à tona um assunto que antes era considerado impensado: a reunificação das duas Alemanhas, o que ocorreu em 3 de outubro de 1990.

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