O que são ciclones e furacões?
Última atualização: 07/09/2008 16:44:03
O QUE SÃO CICLONES?
Ciclones são áreas de pressão de circulação fechada, com ventos convergentes e circulares, no centro da qual há um mínimo de pressão relativa. A circulação do vento segue a direção horária no Hemisfério Sul e anti-horária no Hemisfério Norte. É o nome dado para um ciclone tropical no Oceano Índico, mas também pode ser chamado de sistema de baixa pressão. Outros fenômenos com fluxo ciclônico podem ser definidos por esta expressão e também como poeira do diabo, tornados e sistemas tropical e extratropical.
Eles podem ser chamados de:
Ciclone extra-tropical - Fenômeno que apresenta temperaturas baixas no seu interior (núcleo frio por volta de 24ºC) e ventos girando no mesmo sentido desde a superfície até os altos níveis. Sistema de área de baixa pressão atmosférica em seu centro ou ciclone de origem não tropical. Geralmente considerado como um ciclone fronteiriço migratório encontrado nas médias e altas latitudes. Também chamado de extratropical baixo ou tempestade extratropical.
Ciclone tropical - Núcleo aquecido do sistema de baixa pressão atmosférica, que se desenvolve sobre as águas tropicais e, às vezes, subtropicais, devido às altas temperaturas e umidade e que se movimenta de forma circular organizada. No caso dos ciclones tropicais, dependendo dos ventos de sustentação da superfície, o fenômeno pode ser classificado como perturbação tropical, depressão tropical, tempestade tropical, furacão ou tufão.
Observa-se que furacões e ciclones apresentam algumas semelhanças no que diz respeito à sua origem.
COMO SE FORMAM OS FURACÕES?
Os furacões formam-se depois que os raios do Sol incidem durante vários dias sobre o oceano, provocando o aquecimento da massa de ar situada próximo de sua superfície líquida, quando a sua umidade se eleva. Quanto mais ar quente e úmido sobe, mais a temperatura diminui, o que favorece a condensação do vapor em gotas de chuva para formar as nuvens. Quanto mais umidade e calor existirem, mais evaporação irá ocorrer, o que poderia provocar o surgimento de várias centenas de tempestades.
Duas são as condições essenciais para a formação de um furacão. Em primeiro lugar, a evaporação de massa de água, além de ser suficiente, deve ocorrer acima dos oceanos, onde a temperatura varia entre 26,5º C e 27ºC. Esta última condição explica por que os furacões se formam sempre próximo dos trópicos. Aliás, é o calor liberado por ocasião da condensação do vapor d`água que dá ao furacão a sua potência. Em segundo lugar, a massa de tempestade deve situar-se ou se deslocar a 5º de latitude norte ou sul do equador, onde a força de Coriolis começa a ocorrer.
A força de Coriolis é um fenômeno produzido pela rotação da Terra ao redor de seu eixo. Esta força induz um movimento de rotação à massa tempestuosa, que começa a se enrolar sobre si mesma no sentido anti-horário no hemisfério norte e no sentido horário no hemisfério sul. À medida que se afasta do equador, a força de Coriolis é mais intensa, de modo que a rotação das massas tempestuosas será mais rápida e os ventos se tornarão mais rápidos.
Assim que o furacão toca o continente, ele encontra águas mais frias ao norte no hemisfério norte ou ao sul no hemisfério sul. O calor e a umidade necessários para a sua manutenção tornam-se insuficientes e começa o seu declínio. Além do mais, quando ele se desloca sobre o continente, o furacão perde rapidamente energia e velocidade em virtude de seu atrito com a superfície terrestre.
Se a trajetória do furacão o conduz para o equador, onde a força de Coriolis é nula, em conseqüência, além de perder a sua velocidade de rotação, ele se tornará uma mera massa tempestuosa.
No interior dos furacões, os ventos variam de 117 km/h a 300 km/h. Segundo a sua intensidade, o diâmetro do furacão pode atingir os 2.000 quilômetros e pode deslocar-se por vários milhares de quilômetros. Alguns se deslocam à velocidade de 20 a 25km/h, apesar da velocidade excessiva dos ventos que o fazem girar.
Um fato curioso e notável é que no centro olho do furacão a tempestade é mais calma. Nesta zona, a pressão é muito baixa, podendo ocorrer ventos de somente 30km/h.
O maior perigo é quando um furacão atinge a costa, após ter percorrido uma grande extensão sobre o mar: produz então a denominada maré de tempestade. Um montículo de água se forma sob o centro do furacão, onde a água se eleva por aspiração. Sobre o oceano, esse relevo semelhante a uma bossa e ligeiramente visível vai crescendo à medida que se aproxima da costa. Ao tocar a costa, a água invade as terras, provocando destruições indescritíveis. O tufão de Bangladesh, em 1970, causou a maior taxa de mortalidade; cerca de 300 mil pessoas submergiram em vagas inimagináveis. Recentemente, em 1992, o tufão Andrew, ao tocar a Flórida e a Louisiana, causou destruições avaliadas em quase 26 bilhões de dólares.
COMO SURGEM OS FURACÕES?
Os furacões surgem numa zona de baixa pressão atmosférica, onde o ar mais leve tende a subir.
Quando esse movimento ascendente acontece sobre um oceano tropical, a evaporação da água marinha faz com que as camadas mais baixas de atmosfera sejam ricas em vapor de água. A enorme quantidade de vapor d’água assim formada é transportada às mais elevadas e frias camadas da atmosfera.
Ao alcançar as camadas superiores, o vapor se condensa dando origem à água. Durante um processo, uma parte do calor existente no vapor é liberada na atmosfera, reaquecendo o ar em sua volta, que retorna à parte superior. À medida que a diferença de temperatura entre as camadas superficiais e superiores da atmosfera aumenta, maior será a possibilidade do ciclone se transformar num furacão.
Uma vez formado o furacão, ocorrem ventos horizontais na superfície, cada vez mais rápidos, provocados pelas massas de ar que se deslocam para ocupar o espaço deixado pelas massas de ar quente que sobem para as camadas superiores da atmosfera.
Bacias principais de formações de furacões
Há sete bacias principais de formação de furacão:
1 - Oceano Pacífico Norte Ocidental: Atividades de tempestade tropical nesta região freqüentemente afeta a China, Japão, a Filipinas, e Taiwan. Esta é sem dúvida a bacia mais ativa e responde por um terço da atividade de furacões no mundo. Organizações de meteorologia nacionais, como também o Joint Typhoon Warning Center (JTWC) é responsável pelas previsões e advertências emitidas nesta bacia.
2 - Oceano Pacífico Norte Oriental: Esta é a segunda bacia mais ativa no mundo, e também é a mais densa (um grande número de tempestades para uma pequena área de oceano). Tempestades que formam nesta bacia podem afetar o México ocidental, Havaí e em ocasiões extremamente raras, Califórnia. O Central Pacific Hurricane Center é o responsável para prever a parte ocidental desta área, e o National Hurricane Center para a parte oriental.
3 - Oceano Pacífico Ocidental Sul: Atividades nesta região afetam a Austrália e Oceania em grande parte. A previsão e feita pela Austrália e Nova Guiné.
4 - Oceano Índico Norte: Esta bacia é dividida em duas áreas, a Baía de Bengal e o Mar Arábico, com a Baía de Bengal como dominante (5 a 6 vezes mais atividades). Furacões que formam nesta bacia são as que historicamente mais tiram vidas. O Ciclone de Bhola de 1970 matou 200,000. Nações afetadas por esta bacia incluem a Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Tailândia, Birmânia, e Paquistão, e todos estes países emitem previsões e advertências na região. Raramente, um furacão formado nesta bacia afetará a Península Árabe.
5 - Oceano Índico sudeste: Atividades nesta região afetam a Austrália e Indonésia, e é previsto por essas nações.
6 - Oceano Índico sudoeste: Esta bacia é o menos compreendido, devido a uma falta de dados históricos. Ciclones que formam aqui atingem Madagascar, Moçambique, Ilhas Maurício, e Quênia, e estas nações emitem previsões e advertências para a bacia.
7 - Bacia Atlântico norte: E o mais estudado de todas as bacias tropicais. O Atlântico Norte inclui o Oceano Atlântico, o Mar Caribenho, e o Golfo do México. Os Estados Unidos, México, América Central, as Ilhas Caribenhas e Canadá são afetados através de tempestades nesta bacia. Previsões para todas as tempestades são emitidas pelo National Hurricane Center em Miami, Flórida e no Centro de Furacão Canadense, em Halifax, Nova Escócia, Canadá. Furacões que golpeiam o México, América Central, e nações das Ilhas Caribenhas, freqüentemente causa danos imensos. Eles são mais mortais quando em águas mais morna, e os Estados Unidos podem evacuar melhor as pessoas das áreas ameaçadas do que muitas outras nações.
Áreas de formações incomum
Furacão Catarina. No Brasil foi considerado somente como uma tempestade tropical.
São áreas raras de acontecer furacões:
- Oceano Atlântico Meridional: Uma combinação de águas mais frescas, a falta de uma zona de convergência intertropical, e mudanças de vento fazem com que seja muito difícil para o Atlântico Meridional gerar um furacão. Porém, foram observados três furacões nesta região. Uma tempestade tropical fraca em 1991 na costa de África, furacão Catarina que aconteceu no litoral do estado de Santa Catarina no Brasil em 2004 e uma tempestade menor em janeiro de 2004, leste de Salvador, Brasil. É sabido que as tempestades de janeiro tem alcançado intensidade de tempestade tropical.
- Pacífico Norte Central: Nesta região é comumente reqüentada por furacões que formam no Norte Oriental muito mais favorável na Bacia de Pacífico.
- Mar Mediterrâneo: Tempestades que às vezes aparecem semelhante a furacões em estrutura, acontecem na bacia mediterrânea. Tais furacões formaram em setembro de 1947, setembro de 1969, janeiro de 1982, setembro de 1983, e janeiro de 1995. Há debate em se estas tempestades eram tropicais na sua natureza.
ESTRUTURA DE UM FURACÃO
Um furacão forte consiste nos seguintes componentes:
- Depressão: Todos os furacões giram ao redor de uma área de baixa pressão atmosférica perto da superfície da terra. As pressões registradas aos centros dos furacões estão entre as mais baixas e isso aconteça na superfície da Terra ao nível de mar.
- Centro Morno: São características dos furacões e são determinados pelo lançamento de grandes quantidades de calor oculto na condensação com ar úmido levado acima e seu vapor de água sendo condensado. Este calor é distribuído verticalmente, ao redor do centro da tempestade. Assim, em qualquer altitude, o ambiente dentro do ciclone está mais morno que seus ambientes exteriores.
- Centro Denso Nublado (CDO em inglês): É uma proteção densa de faixas de chuva e atividades de tempestades que cercam a parte central baixa. Furacões com CDO simétrico tendem a ser forte e bem desenvolvido.
- Olho: Um forte furacão terá uma área de ar no centro da circulação. No olho normalmente está tranqüilo e livre de nuvens (porém, o mar pode ser extremamente violento). Na superfície é que estão as temperaturas mais frias e a níveis superiores mais O olho normalmente é em forma circular, e pode variar em tamanho de 8 km para 200 km (5 milhas para 125 milhas) em diâmetro. Em furacões mais fracos, o CDO cobre o centro de circulação e resulta em nenhum olho visível.
- Olho D’água: É uma faixa circular de intensa transmissão de ventos que cercam o olho imediatamente. É às condições mais severas de um furacão
- Fluxo Externo: Os níveis superiores de um furacão caracterizam ventos formados longe do centro da tempestade com uma rotação de inversa ao furacão. Ventos à superfície são fortemente ciclônicos, se enfraquecem com a altura, e eventualmente se invertem. É uma característica peculiar dos furacões.
CATEGORIAS DE UM FURACÃO
Furacões são classificados em cinco categorias, dentro de uma escala chamada Saffir-Simpson, que considera a pressão medida no centro do fenômeno, velocidade dos ventos e tempestades provocadas pelo furacão.
Um furacão considerado categoria 1 é o mais fraco, e causa pequenos danos materiais, e o de categoria 5, o mais forte, com ventos que ultrapassam os 249 km/h, pode destruir tudo o que estiver pelo seu caminho.
Veja quais são a velocidades dos ventos e os estragos causados por furacões, de acordo com sua categoria:
Categoria 1 - um furacão de categoria 1 pode causar vários danos em casas, principalmente aquelas que contam com uma infra-estrutura precária. Os ventos também podem chegar a derrubar árvores e áreas baixas podem sofrer inundações. Nessa categoria, um furacão chega a ter ventos com velocidade entre 119 km/h e 153 km/h.
Categoria 2 - um furacão com categoria 2 causa danos de médio porte, e seus ventos podem alcançar o mínimo de 154 km/h, e ir até 177 km/h. Geralmente, furacões dessa categoria conseguem arrancar telhados das casas, portas, e estourar janelas. Árvores podem ser arrancadas e embarcações pequenas --que estiverem ancoradas em áreas na rota do furacão também sofrem danos.
Categoria 3 - um furacão com categoria 3 pode causar grandes danos e mortes em uma região densamente habitada. Seus ventos podem ter o mínimo de 178 km/h, chegando até 209 km/h. O fenômeno provoca grandes tempestades, que podem aumentar em intensidade, de acordo com a velocidade do furacão: quanto mais lento ele se move, maior será a quantidade de chuva que o fenômeno pode precipitar. Nesses casos, o Centro Nacional de Furacões de Miami já recomenda a retirada de todas as pessoas dos locais por onde o furacão passar.
Categoria 4 - um furacão de categoria 4 causa grandes danos em áreas habitadas. Casas e até mesmo prédios podem ser derrubados pelos ventos, que chegam a ter o mínimo de 210 km/h, e o máximo de 249 km/h. Grandes tempestades provocam alagamentos em enormes áreas. Rotas de saída das áreas atingidas que estejam localizadas em áreas muito baixas, suscetíveis a enchentes, devem ser fechadas cinco horas antes da chegada do furacão, e há necessidade de retirada em larga escala de pessoas que morem em regiões por onde o furacão pode passar.
Categoria 5 - furacões de categoria 5 têm ventos superiores a 249 km/h. Fenômeno considerado "raro" pelos meteorologistas, pode destruir tudo que estiver no seu caminho. Áreas costeiras podem ser invadidas em até 10 km pelo mar. É obrigatória a retirada de todas as pessoas que morem perto da costa.
Dissipação de um furacão
Um furacão pode deixar de ter suas características tropicais de vários modos:
- Movendo em cima da terra e falta de água morna, que é necessário para sua força, rapidamente perde seu poder. A maioria das tempestades fortes se dissipa em áreas de baixa pressão dentro de um dia ou dois. Porém, há uma chance de que eles possam se regenerar se conseguirem voltar em cima de água morna aberta. Se uma tempestade está em cima de montanhas, pode perder força rapidamente. Porém, esta é a causa de muitas fatalidades decorrente das tempestades, quando a tempestade está agonizando, ocorrem chuvas torrenciais, e em áreas montanhosas, podendo conduzir a avalanches mortais.
- Permanecendo na mesma área do oceano por muito tempo, consumindo todo o calor disponível e dissipando-se.
- Pode ser bastante fraco ser for consumido por outra área de baixa pressão, se tornando uma grande área de tempestade normal.
- Entrar em águas mais frias. Isto necessariamente não significa a morte da tempestade, mas a tempestade perderá suas características tropicais. Estas tempestades são furacões extratropical.
Até mesmo depois que seja dito que um furacão é extratropical ou é dissipado, ainda pode ter vento forte.
EFEITOS DE UM FURACÃO
O amadurecimento do furacão pode lançar calor acima de uma taxa de 6 x 1014 watts. Esta é duzentas vezes a taxa total de produção elétrica humana, e é equivalente a detonação de uma bomba nuclear de 10 megatons durante 20 minutos. Furacões no mar aberto causam grandes ondas, chuvas pesadas, e ventos altos que às vezes afundam navios. Porém, os efeitos mais devastadores de um furacão acontecem quando eles cruzam litorais e fazendo grandes precipitações de água.
Ventos altos - Ventos com força de furacão podem danificar destruir veículos, edifícios, pontes, etc. Ventos fortes também projetam escombros soltos e fazem o ambiente ao ar livre muito perigoso.
Onda de tempestade - Furacões causam um aumento do nível do mar que pode inundar comunidades litorâneas. Este é o pior efeito. Oitenta por cento das vítimas acontecem quando o furacão golpeia a orla.
Chuva pesada - A atividade do temporal de um furacão causa intensa chuva. Rios transbordam, estradas ficam intransitáveis, e deslizamentos de terra podem acontecer.
Efeitos secundários
Freqüentemente, os efeitos secundários de um furacão são igualmente catastróficos. Eles incluem:
Doença - O ambiente molhado do resultado de um furacão, combinando com a destruição de instalações de serviço de saúde pública e um clima tropical morno pode induzir epidemias de doença durante muito tempo depois da passagem do furacão.
Dificuldades de locomoção - Furacões destroem freqüentemente pontes chaves, viadutos, e estradas e complicam os esforços para transportar comida, água limpa, e medicamento para as áreas necessitadas.
ENTENDA COMO SÃO DADOS OS NOMES AOS FURACÕES
Os ciclones tropicais, essas massas giratórias de ventos em alta velocidade, têm identidades múltiplas. Eles são chamados de tufões na região norte do Pacífico, furacões no hemisfério ocidental e tempestades ciclônicas em outras partes.
Com uma temporada de furacões excepcionalmente ativa neste ano, a tradição dos meteorologistas de batizar estes fenômenos naturais com nomes iniciados com letras consecutivas do alfabeto pode se mostrar inadequada pela primeira vez.
Pela idéia, o furacão Rita é parente do Katrina, que já passou, e do Wilma, o último da lista, depois de Stan, Tammy e Vince.
O que acontece depois que a lista acaba?
“Se tivermos que ir além de Wilma, teremos que apelar para o alfabeto grego”, disse Nanette Lomarda, chefe da Divisão de Ciclone Tropical da Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês).
Furacão Sigma
O organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) é responsável pela coordenação dos nomes no sistema meteorológico.
O WMO disse que nunca precisou recorrer ao alfabeto grego.
“Mas a possibilidade é alta. Na média, no norte do Atlântico, na costa do Golfo do México e no Caribe deveria haver seis tempestades batizadas, mas desta vez já estamos na de número 17”, afirmou Lomarda.
Furacões Ômicron e Sigma ainda são possibilidades remotas. Mas Alfa e Beta são mais prováveis.
Especialistas acreditam que os nomes facilitam a identificação do fenômeno e faz com que os moradores da área a ser atingida fiquem mais conscientes da aproximação das tempestades e dos perigos trazidos por elas.
Batizando tempestades
Com cerca de 80 furacões sendo formados nas diferentes temporadas de ciclones todo ano, os meteorologistas precisam de uma forma de classificação que permita diferenciar cada um deles.
Sendo assim, cada fenômeno é batizado tal como um bebê recém-nascido.
“Cada furacão tem sua própria identidade e personalidade, e você acaba percebendo. O comportamento de cada um é único”, disse Lomarda.
Originalmente, furacões eram identificados por suas localizações, mas longitudes e latitudes não caíram no gosto popular.
Dizem que no século 19, Clement Wragge, um meteorologista australiano, divertiu-se ao usar nomes de políticos locais para classificar furacões – em referência a falta de rumo definido e ao comportamento imprevisível das tempestades.
Até o começo do século 20, furacões na região do Caribe ganhavam o nome do santo do dia em que eles atingiam terra firme.
Sobrevivendo na lista
Nomes de pessoas começaram a ser usados na década de 50, com os meteorologistas dos Estados Unidos usando o alfabeto fonético e depois nomes femininos.
Nos anos 70, grupos feministas conseguiram modificar a nomenclatura e a partir daí foi iniciado um rodízio entre nomes femininos e masculinos.
Enquanto Kirk, Patty e Sandy podem chegar aos Estados Unidos, Jal e Bulbul poderiam atingir a Baía de Bengala e Saomai ou Bebinca poderia surgir na costa da China.
Conforme os furacões se deslocam, seus nomes mudam, “não existe limites para estes fenômenos. Enquanto estiverem sobre a água do mar eles continuam vivos”, acrescenta Lomarda.
Somente quando uma grande tempestade causa devastação é que seu nome é retirado da lista – ou é aposentado – por, pelo menos, seis anos.
NOVA ORLEANS E O FURACÃO KATRINA
Impossível esquecer as imagens de destruição causadas pelo furacão Katrina na cidade de Nova Orleans (EUA), em 2005. O Katrina entrou para a história como um dos mais desrutivos furacões de todos os tempos. Diante deste acontecimento uma questão se levanta: seria possível evitar aquela catástrofe?
É certo que era impossível prever todos os danos causados pelo Katrina, mas muitos deles eram previsíveis. Nova Orleans é cercada por água em três lados (Rio Mississippi, Lago Pontchartrain, e o Golfo do México) e constantemente inundada durante furacões.
A cidade está construída abaixo do nível do mar e escapa de uma inundação permanente por um sistema de barragens e bombeamento. As barragens estão preparadas para suportar furacões de nível três, mas o Katrina foi de nível quatro. Existe tecnologia suficiente para criar barragens que suportam até furacões de nível cinco. O sistema de bombeamento que retira a água das áreas baixas funciona por eletricidade, e não por geradores. Obviamente, a eletricidade foi cortada não apenas em Nova Orleans, mas por toda a costa do Golfo durante a passagem do Katrina. O sistema poderia funcionar por geradores, mas isso custaria dinheiro, dinheiro que os governos provavelmente não queriam gastar.
Ora, se as previsões climáticas apontam que haverá intensificação de furacões e de seu poder de destruição, era de se esperar que as regiões afetadas por estes fenômenos naturais se preparassem para minimizar o quanto possível seus efeitos destrutivos. Mas não foi isso o que aconteceu em Nova Orleans. Especialistas diziam que a cidade necessitava de investimentos de milhões de dólares para proteção contra inundação e furacões, mas muitos projetos não foram considerados no orçamento presidencial. Estudos mostravam que as áreas pobres eram as mais vulneráveis, pois não contavam com investimentos em prevenção.
Contrariamente às necessidades preventivas, de 2001 a 2005 os gastos governamentais em projetos para proteger Nova Orleans de catástrofes caíram drasticamente de 147 milhões de dólares para 82 milhões. Os governos estadual e federal afirmavam não ter dinheiro disponível para investir em prevenção, o que significava deixar a população de Nova Orleans entregue à própria sorte. Ao mesmo tempo em que alegava falta de recursos para programas de prevenção a desastres, o governo federal estadunidense acabava de liberar bilhões de dólares à companhia de aviação United Airlines para socorrê-la nos prejuízos. Foi também durante a catástrofe de Nova Orleans que os custos com a guerra no Iraque chegavam próximos aos 6 bilhões de dólares por mês.
O que esperar de um furacão de nível 4 somado à negligência dos governantes? O resultado disso foram bairros inteiros destruídos, doenças espalhadas por toda parte e mais de 1800 mortos.
Nova Orleans foi um alerta para o que pode acontecer no futuro em várias partes do planeta. Mais do que nunca os países e seus governantes deverão levar a sério as alterações climáticas a fim de evitar tragédias ainda piores, pois toda a tecnologia e recursos finaceiros disponíveis não servirão de nada se não forem utilizados para fins corretos.
Fontes: BBC Brasil | Folha de S.Paulo | Defesa Civil - Prefeitura do Rio de Janeiro | Conteúdo Global | Clima Tempo>> Veja também