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Trote Solidário ganha força nas universidades


Após o vestibular, a satisfação em ver que meses de estudo e dedicação resultaram em bons frutos convive com a preocupação com o trote, ritual de iniciação à vida universitária, marcado em algumas instituições de ensino por suas características violentas. Apesar do trote em algumas faculdades ainda ser sinal de constrangimento, o trote solidário, que visa a pratica de ações beneficentes, vem crescendo a cada ano.

Segundo Cibele Helena, coordenadora da ONG Trote da Cidadania, a tendência é a esse tipo de recepção ao calouro ganhar mais adeptos.

- Nós acreditamos que quando o calouro chega, e ele é recebido com esse tipo de ação, o mais provável é que, no próximo ano, ele multiplique essa idéia. Vamos com isso formar uma corrente - diz Cibele.

Nada de tinta colorida pelo corpo ou cabelo cortado à força, os alunos de Engenharia Ambiental da Universidade do Vale de Itajaí (Univali), em Itajaí, Santa Catarina, promoveram um trote que acabou sendo uma surpresa positiva para os calouros do curso, que fizeram o recolhimento do lixo e o plantio de mudas de espécies nativas às margens do Rio Itajaí-Mirim.

- Nós sabíamos que não seriamos pintados nem teríamos que pedir dinheiro, mas não tínhamos idéia que seria uma coisa tão boa. Plantamos mais de 300 mudas na beira do rio. O local era totalmente desmatado, depois de duas horas estava completamente diferente. É muito gratificante isso, e o melhor, estamos interagindo com os veteranos e lidando com uma situação que daqui pra frente vai fazer parte do nosso cotidiano - relata Rejane de Cristo, 17 anos, caloura do curso de Engenharia Ambiental da Univali.

Até alguns veteranos que antes colocavam os calouros pra pedir dinheiro no sinal e andar com as roupas as avessas estão aderindo às novas idéias de recepcionar os colegas. Como o caso de Adriana, aluna da Universidade de São Paulo (USP), que se arrepende de não ter feito isso há mais tempo.

- Participei como veterana do trote pintando e colocando calouros para pedir dinheiro no farol e sinto muito por isso. Na época não me dei conta do que isso significava. Olhando pra trás, vejo o desperdício de criatividade. Enquanto veterana, eu sei que posso mobilizar alunos, veteranos e calouros. Por que não fazer isso para o bem comum? Ações sociais também integram e proporcionam uma recepção mais saudável - lamenta Adriana Mendes.

Para os alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a melhor forma de recepcionar os novos companheiros e através de uma gincana, da qual participam empresas juniores da UFMG. A competição consiste em premiar equipes de estudantes que consigam coletar o maior volume de material escolar, alimentos e produtos recicláveis, como papel, alumínio e plástico descartados. Todo o material recolhido é destinado a instituições de assistência. A participação dos alunos é facultativa, o que agradou a todos e atrai mais calouros, que prometem dar continuidade a idéia.

- Achei a iniciativa dos veteranos ótima. Fiquei surpresa, pensei que ia ser recebida com ovos, farinha e muita tinta, mas ao contrario disso fui recepcionada com uma gincana que integrou a todos. Pretendo no próximo ano poder dar continuidade ao trote solidário - fala Adriana Martins, caloura da UFMG.

Veterana na aplicação do trote solidário a Universidade Federal Fluminense, em Niterói (UFF) prepara uma programação de duas semanas para recepcionar os calouros. As atividades são de cunho social, como doação de sangue, alimentos e roupas e também prestação de serviços voluntários. Todos os campi da UFF, espalhados pelo interior do estado do Rio de Janeiro, participam do projeto. De acordo com a coordenadora do Trote Cultural da UFF, Nelma Cezario, a iniciativa dos veteranos começou em 2001 e já rendeu vários prêmios à universidade.

- Um dos maiores prêmios que conquistamos é ver a alegria nos rostos dos calouros e ver a satisfação que é explicita através dos e-mails e conversas. Nesses seis anos de Trote Cultural nós conseguimos reduzir o número de trote vexatório. Além disso, ano passado ganhamos pela terceira vez consecutiva o prêmio da ONG Trote da Cidadania - conta Nelma.

Para garantir que essas ações sejam levadas adiante, a ONG Trote da Cidadania programa cursos de capacitação para os estudantes, que ensinam a mobilizar pessoas para as ações, captar recursos e identificar as necessidades da comunidade. Outro estímulo é o prêmio do Trote da Cidadania, no qual cerca de 60 universidades de 13 estados brasileiros devem se inscrever.

Para concorrer ao prêmio Trote da Cidadania basta acessar o site www.trotedacidadania.org.br . É importante também relatar como foi o trote e enviar fotos. No ano passado, 150 faculdades de 7 estados brasileiros participaram do Prêmio Trote da Cidadania. Esse ano, o primeiro lugar ganhará um laptop e um curso de empreendedorismo social. A segunda e o terceira colocação também serão premiadas.

Na tentativa de acabar com o trote violento (relembre alguns casos no Brasil ) algumas instituições procuram impor limites na forma como os veteranos recebem os calouros. De acordo com a professora da Marta Souza Lima, da PUC-RJ, além das restrições, que devem ser impostas pelas universidades, deve haver também uma conscientização dos alunos.

- Para o trote solidário se consolidar é necessário que aconteça uma mudança na mentalidade das pessoas e das instituições de ensino, que devem estar atentas, ajudando a transformar essa tradição do trote vexatório. A PUC-RJ, por exemplo, é uma instituição que procura sempre coibir os excessos - afirma Marta.

Fonte: Jornal O Globo


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