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Hífen é novo vilão da reforma


Após a aprovação do acordo ortográfico em Portugal, nesta sexta-feira (16), um novo "vilão" surge como obstáculo para a implantação das novas regras de escrita do português: é o hífen. Muitos de seus usos ainda são obscuros na reforma da escrita.

> Veja o que muda com a reforma

Segundo Godofredo de Oliveira Neto, presidente do conselho diretor do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), órgão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a definição de diversos usos do hífen só vai acontecer com a criação de um vocabulário ortográfico oficial. Esse é o próximo passo da reforma que unifica a escrita do português nos países lusófonos.

"O acordo ortográfico não fala de todos os prefixos. Tem de ser feito um vocabulário que vai acabar com essas indefinições. Um dos problemas é o prefixo 're', de reescrever e reeditar. Ele não está elencado", diz. “Pelo texto atual não sabemos se essas palavras terão hífen ou não. O vocabulário ortográfico definirá essas coisas”, explica.

Oliveira Neto convocou nesta sexta-feira (16) uma reunião com os representantes dos oito países lusófonos para discutir as estratégias de elaboração do vocabulário ortográfico oficial. O encontro está marcado para a primeira semana de julho em Cabo Verde.

Outras indefinições

Segundo o professor José Carlos de Azeredo, da Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), presidida por Oliveira Neto, há outras indefinições que envolvem o hífen.

"Palavras como girassol e passatempo não têm hífen. Porta-retrato, guarda-louça e tira-teima, têm hífen atualmente. Não se sabe se essas palavras vão ou não ter hífen", diz. "O que está escrito no acordo é que o hífen desaparece quando se perde a noção da composição de outras duas palavras, mas isso é muito subjetivo", afirma.

Outra dúvida é a palavra taoísmo, mas não pelo uso de hífen. No vocábulo, o problema é o acento: o acordo não deixou definido se ela perderá ou não o sinal gráfico.

Vocabulário da ABL

“O acordo prevê que haja um vocabulário ortográfico comum aos oito países que falam o idioma. A Colip propõe que enquanto isso não acontece, a Academia Brasileira de Letras faça um vocabulário parcial com as palavras afetadas pela reforma. Isso irá dirimir uma série de dúvidas técnicas deixadas pelo acordo”, explica Oliveira Neto.

A Colip enviou esta semana ao ministro da Educação, Fernando Haddad, a sugestão para que a ABL faça o vocabulário parcial. “É mais fácil fazer parcialmente, assim só colocamos as palavras afetadas pelo acordo. E esta é uma atribuição histórica da Academia Brasileira de Letras”, diz o presidente da comissão.

Portugal aprovou o acordo

A notícia de que Portugal aprovou o acordo nessa sexta-feira foi bem recebida no Brasil. "Essa decisão dá uma nova dimensão à presença da língua portuguesa no mundo. Abre a possibilidade de lutar para que se torne uma das línguas oficiais da ONU”, disse Oliveira Neto.

As mudanças na forma de escrever o idioma em Portugal vão valer dentro de seis anos, enquanto no Brasil os livros escolares deverão ser mudados até 2010. “Portugal está dando este prazo para esclarecer os pontos obscuros do acordo”, avalia o presidente da Colip.

Houve grande polêmica em Portugal. Uma petição na internet, que tentava convencer parlamentares a votar contra o acordo, criticava a proposta por entender que significava que o país cedia aos interesses brasileiros. O documento teve mais de 35 mil assinaturas desde o início do mês, grande parte delas de intelectuais.

O que muda com o acordo?

O novo alfabeto vai incorporar o “k”, o “w”, e o “y”, ficando, então, com 26 letras. Haverá a supressão de acentos diferenciais, como o de “pára”, do verbo parar; de acentos agudos em ditongos como o de idéia (virará “ideia”); e do circunflexo em “vôo” ou “crêem”; além de mudanças com o hífen.

E o trema (aqueles dois pontinhos que ficam sobre o “u” de lingüiça, por exemplo) desaparecerão.

O histórico do acordo

O acordo ortográfico foi assinado em 1990 e entraria em vigor em 1994, com a ratificação dos sete países que o assinaram - na época, o Timor Leste ainda não era independente.

Passaram os anos e, em 2004, foi assinado um protocolo modificativo que determinava que o acordo entraria em vigor quando três países tivessem ratificado – o que fez primeiro o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o último em dezembro de 2006. O Brasil foi o primeiro a ratificar o acordo, em 2004.

Legalmente, todas as mudanças que buscam unificar o registro escrito nos oito países que falam português - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal - já poderiam estar valendo. Isso porque o que foi firmado internacionalmente é que, se três países assinassem o acordo, ele poderia entrar em vigor.

Fonte: G1


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