dcsimg

Especialistas analisam páginas de instituições de ensino


Pesquisar cursos e preços, conferir as instalações, ficar por dentro das palestras, ver as notas, mandar e-mails. Esses são alguns dos serviços que o aluno pode encontrar no site de uma instituição de ensino superior. A ferramenta é considerada de extrema importância por educadores e especialistas em marketing educacional não só pelo conteúdo direcionado ao aluno, mas também para atrair vestibulandos, professores, pesquisadores e parcerias. Para avaliar o desempenho das instituições de ensino na internet, a revista Ensino Superior pesquisou 20 endereços eletrônicos de instituições - públicas, privadas, nacionais e estrangeiras -, e os submeteu à análise de profissionais especializados. Designers e arquitetos da informação destacaram pontos negativos e positivos dos portais.

A análise dos sites pelos especialistas ouvidos pela reportagem mostra que a maioria atinge um certo equilíbrio entre erros e acertos, mas ainda tropeça em itens fundamentais. Dos 20 sites pesquisados, apenas nove apresentam uma característica que os profissionais da web consideram fundamental: uma estrutura simples e eficiente. De acordo com André Leme, professor de desenvolvimento multimídia da Faculdade IBTA em Campinas, as páginas leves têm inúmeras vantagens. "Elas favorecem a impressão e envio por e-mail, além disso, estão em melhores posições nos mecanismos de busca quando os usuários as pesquisarem por palavras-chave", conta.

O conteúdo dos sites é um dos principais elementos para atrair alunos. As informações devem ser claras e organizadas, para que o estudante possa visualizar tudo da forma correta e, assim, tomar decisões importantes, como a escolha da carreira, por exemplo. Isso faz com que a faculdade ganhe credibilidade e que as pessoas sintam-se seguras em estudar ali. Dados da pesquisa apontam que o conteúdo de 12 páginas é completo e atual, porém, entre elas, cinco instituições não se preocuparam em disponibilizar as informações de maneira clara.

Os visitantes dos portais só irão tomar uma decisão se encontrarem elementos atrativos, de acordo com o arquiteto da informação Rogério Pereira. Para ele, a atratividade é uma das principais características, pois uma página eletrônica tem de chamar a atenção pela qualidade das imagens e do conteúdo. Entre os sites analisados, 11 possuem elementos que atraem o público, como boas imagens, promoções e animações.

Páginas modernas, com recursos tecnológicos, também se encaixam no quesito destacado pelos designers. Porém, alguns acreditam que três instituições pecam pelo exagero. O visual da página é uma característica importante para atrair visitantes. Um site poluído é uma das principais falhas das universidades e prejudica a navegação. Um grande volume de informação pode se tornar um obstáculo ao usuário. Há a necessidade de uma estrutura clara e funcional. Banners ou animações podem existir, mas é preciso ficar atento para que o site não se transforme em um "cassino". O designer responsável pelo desenvolvimento do portal da Universidade de São Paulo (USP), Paulino Michelazzo, também é contra sites muito carregados visualmente. "A página deve ser uma vitrine da instituição e não um show pirotécnico", diz.

Se o visual de um site é bom, sem exageros, a instituição prestou atenção em um quesito que é muito importante: a usabilidade. É preciso entender que a página de uma universidade deve seguir a linha de um portal, no qual os alunos buscam apenas por informações. Deve-se fazer com que ele consiga os dados com a maior facilidade possível, isso é usabilidade. Dos 20 sites analisados, os especialistas apontaram que seis tiraram nota dez no quesito.

Além do visual das páginas, os designers avaliaram uma questão importante que está presente em 12 portais. A interatividade é um ponto que deve ser levado em consideração, pois aproxima professores e alunos do público em geral.

Um exemplo de instituição que apostou nessa característica é a Universidade de Brasília (UnB). O portal possui um blog no qual pesquisadores e alunos escrevem artigos. A iniciativa é de extrema valia.

Se a interatividade é uma característica que pode atrair visitantes para os portais, a preocupação em disponibilizar informações básicas (telefone para contato, preço dos cursos e e-mail) em um local de fácil acesso é essencial. No site da Universidade Anhembi Morumbi, situada em São Paulo, o visitante não encontra problemas. Dados como telefone e endereço, por exemplo, podem ser encontrados facilmente. Os números da pesquisa comprovam que as instituições analisadas se preocuparam com a questão. Em 18 delas, o visitante não tem dificuldades para encontrar as informações.

No entanto, se nessa categoria o número é alto, na questão da acessibilidade apenas duas instituições apresentaram elementos que auxiliam os portadores de algum tipo de deficiência a navegar pelos sites. Essa questão é cada vez mais uma realidade, as universidades têm de olhar para isso. O Decreto-lei nº 5296 (2/12/2004) estabelece que os portais sob administração do poder público devem ser acessíveis a portadores de deficiências. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa preocupação já é freqüente nos projetos de páginas eletrônicas das empresas privadas.

Não se pode esquecer as dificuldades das pessoas. Assim como em qualquer ambiente, os sites devem ter elementos que garantam o acesso a todos os públicos e o respeito é fundamental para que isso aconteça.

Para proporcionar um trânsito livre ao usuário, os designers devem estar atentos a uma questão que pode ameaçar a quantidade de "cliques" de um site, que é a navegabilidade. Se uma página apresenta dificuldades para o usuário, ele irá desistir e fechar a janela rapidamente. A navegabilidade é o principal ponto a ser pensado no momento da criação de uma página eletrônica. Por exemplo, não há problemas no site da Universidade Federal do Piauí, que é um exemplo de boa navegabilidade. Sempre à mão, as opções levam o usuário para todas as áreas disponíveis de forma simples e rápida.

Segundo a análise, oito dos 20 sites avaliados possuem um ótimo conteúdo, mas não se preocupam em oferecer boas condições de navegação aos usuários. Um exemplo é que, em algumas páginas, o visitante clica em botões e é enviado para outras que não seguem a identidade gráfica da principal. Se cada página possuir um layout diferente, o usuário ficará confuso. O ideal é que todas as seções sigam o mesmo modelo visual e de arquitetura da informação.

A navegabilidade de um site é prejudicada quando os menus de acesso são apresentados somente na página principal e mudam de contexto quando são acessadas outras, como notícias, por exemplo. Isso obriga o visitante a retornar à página principal para acessar outras opções.

A preocupação em desenvolver um site voltado para o público da instituição também é um ponto positivo. Emmanuel Publio Dias, diretor de marketing e novos negócios da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), explica que o site da instituição é diferente dos portais das outras universidades, pois foi pensado exclusivamente para atender o público da escola. "Procuramos criar um ambiente de relacionamento e comunicação que tem a ver apenas com a ESPM, além de oferecer funcionalidades exclusivas. O site é o principal ponto de contato com os alunos, além de operacionalizar todo o processo de matrículas, tesouraria, secretaria e boa parte das atividades acadêmicas", afirma.

Sônia Simões, diretora-executiva da Humus Consultoria, acredita que as instituições de ensino superior devem oferecer comunicações personalizadas para cada tipo de público. "São estudantes em potencial, alunos atuais ou antigos, docentes e empresas que navegam pelos sites, as universidades têm de estar atentas a isso."

Na Faculdade IBTA houve um planejamento para a remodelação do site. A equipe de marketing da faculdade avaliou o portal durante um ano para identificar os pontos positivos e os que poderiam ser melhorados. "Conseguimos analisar desde os dados mais simples (número de visitantes e tempo de uso, entre outros), até os mais complexos, como perfil dos usuários e páginas que possuíam o maior poder de convencimento", descreve Daniel Pedrino, coordenador de marketing da faculdade. Após o mapeamento e a renovação do portal, foi percebido um aumento de 30% nas inscrições para o vestibular. "O site é um canal de comunicação único e diferente das outras mídias. Ele é mensurável (conseguimos mapear o uso), ajuda a construir a marca e atinge os consumidores em todos os locais do Brasil", comemora.

As páginas de instituições públicas e privadas têm objetivos distintos. As públicas utilizam seus portais para apresentarem como investem os recursos públicos empregados, além de disponibilizar as pesquisas realizadas. No caso das particulares, os portais têm a função de exibir os diferenciais das instituições e atrair novos alunos.

Porém, alguns erros foram notados, como o acesso às páginas, que não acompanham o caminho que o visitante faz dentro do portal. Entre os cinco sites de instituições públicas pesquisados, três apresentaram o problema. Esses defeitos certamente seriam resolvidos com uma ferramenta de gestão de conteúdo ou ainda com o monitoramento de toda a estrutura de links do website.

Desempenho equilibrado

Entre as 20 páginas de internet pesquisadas pela revista Ensino Superior, a maioria atende aos itens básicos para a construção de um bom site. Em compensação, acessibilidade ainda é o requisito menos atendido pelas instituições.

Item Número de instituições
Informação de serviços 18
Modernidade 17
Conteúdo atualizado 12
Navegabilidade 12
Interatividade 12
Atratividade 11
Simplicidade e eficiência 9
Usabilidade 6
Acessibilidade 2

Conheça o portal "perfeito"

Para o designer responsável pelo desenvolvimento do site da Universidade de São Paulo (USP), Paulino Michelazzo, o portal ideal já existe: é o do Massachusetts Institute of Technology (MIT)."O site é rápido, limpo e eficiente", ressalta. O portal é o número 1 do ranking da Webometrics, iniciativa da Cybermetrics Lab, grupo estatal de pesquisa do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), com 126 centros e institutos distribuídos pela Espanha. O ranking foi criado para promover as publicações na web, além de incentivar o acesso eletrônico a pesquisas científicas e outros materiais acadêmicos. A análise não foi baseada apenas no número de visitas ou design das páginas; a Webometrics avaliou a visibilidade e o desempenho global de 15 mil sites de instituições de ensino superior do mundo inteiro. As universidades brasileiras aparecem na lista algumas vezes. Entre elas está a Usp (114° lugar), a Universidade Estadual de Campinas (197° lugar) e a Universidade Federal de Santa Catarina (234° lugar), entre outras. Na análise dos portais da América Latina, a Universidade Nacional Autônoma do México aparece em primeiro lugar, seguida pela USP.

Estar na lista dos melhores portais do mundo é um importante passo para atrair novos alunos e um incentivo para que as universidades busquem sites de qualidade. Durante muito tempo as universidades os encaravam como um meio de informação secundário e seus sites eram apenas acessórios da sua estratégia de comunicação principal. Hoje, isso mudou, a web é cada vez mais importante em qualquer tipo de negócio e pode fazer a diferença na hora de escolher a faculdade.

Fonte: Revista Ensino Superior


Comentários

Veja mais artigos de Vestibular

<< Outros artigos de profissoes

Comentários

Siga-nos:

Instituições em Destaque

 
 

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e receba as últimas notícias do Vestibular além de dicas de estudo: