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Depois de 10 anos, Enem quer atingir média 70


No ano em que completa dez edições, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) bateu recorde de número de inscritos e se firma cada vez mais como uma prova 'necessária', especialmente porque sua nota é usada como critério de seleção em várias universidades. Segundo Dorivan Ferreira, coordenador do Enem, o objetivo - sem data definida - é que os alunos cheguem a uma média nacional de 70 pontos (numa escala de 0 a 100). A média da prova objetiva na edição passada foi de 52,52 pontos.

Nos dez anos de prova, as médias na prova objetiva dos estudantes variaram do mínimo de 34,13 pontos em 2002 para o máximo de 51,93 pontos em 1999. Na redação - que não é obrigatória, por isso a nota dela não é usada como meta, a média nacional variou de 45,91, em 1998 a 60,87, em 2000 - o melhor desempenho dos alunos.

De acordo com Ferreira, a média na prova objetiva é bastante variável e já esteve mais alta que a média recente. Para ele, uma das explicações é que o público é muito flutuante e o exame não é obrigatório. Ele afirma, no entanto, que a metodologia do exame é balanceada e mantém sempre o mesmo padrão, que mescla questões fáceis, médias e difíceis.

"Para nós, o ideal seria que todos os alunos alcançassem uma média geral acima de 70 pontos, para chegarem no nível de países com educação de primeira linha. O ideal seria isso, mas nós sabemos das dificuldades e sabemos que estamos avaliando escolas do Brasil inteiro", disse o coordenador do Enem.

Fragilidade do exame?
Na opinião de Isabel Franchi Capelletti, professora da pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e autora do livro "Análise crítica das políticas públicas de avaliação", a variação das médias mantendo sempre um sobe e desce é um indicador da fragilidade do exame.

"O sobe e desce de notas não é o esperado. O exame é aplicado para muita gente, é um exame massificado, feito em cima de uma expectativa ideal que não condiz com a realidade da educação brasileira - que enfrenta situações diferentes em todas as regiões, além disso temos escolas públicas e particulares, de zona rural e urbana, variações econômicas e sociais", disse a professora.

Para Isabel, chegar na média nacional 70 é uma meta muito complicada e só deve ser alcançada a longo prazo, devido à complexidade que envolve a educação brasileira. "Só é possível atingir padrões internacionais de qualidade se o governo investir para melhorar as políticas públicas educacionais. A avaliação externa tem que existir, mas sou contra a forma como ela é usada, rankeando escolas, por exemplo. Os resultados deveriam ser exclusivos para investimentos em políticas públicas", avalia.

Média de primeiro mundo
Para a professora Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do Colégio Objetivo de São Paulo, estipular uma média semelhante aos países de primeiro mundo é uma coisa positiva porque força o Brasil a melhorar o nível educacional das escolas. "Hoje as escolas estão mais preocupadas, investem mais em leitura, porque sabem que serão avaliadas. E isso acontece no mundo inteiro, não só no Brasil", disse.

Na opinião de Vera Lúcia, a média 70 é uma média de alunos de primeiro mundo. "Mas temos que trabalhar para deixarmos de sermos sempre os piores do mundo. A gente tem que estimular o aluno, fazê-lo treinar, fazê-lo entender o que lê e o que escreve. É um compromisso da escola, do aluno e da família e não acho impossível atingirmos essa meta", afirmou a professora.

Impossível estimar
O professor Giuseppe Nobilioni, coordenador da disciplina de matemática do Colégio Objetivo disse que é impossível estimar quanto tempo vai demorar para o Brasil alcançar essa média nacional de 70 pontos. "À medida em que você aumenta o número de participantes, a tendência é cair a nota. Só vai aumentar se o Ministério da Educação (MEC) facilitar a prova", disse.

Para ele, a oscilação das médias mostra que o nível de dificuldade prova é bem variável e ainda vai demorar muito tempo para o Brasil nivelar com média 70 todos os alunos. "Só é possível acertar 70% da prova se tivermos um ensino de qualidade", afirmou.

Fonte: G1


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