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Fuvest pretende cobrar todas as disciplinas na 2ª fase


A USP (Universidade de São Paulo) discute mudanças para o vestibular que podem ser adotadas já no próximo processo seletivo. O projeto encabeçado pela Pró-Reitoria de Graduação pretende fazer com que a segunda fase do vestibular avalie todas as matérias do ensino médio. Atualmente, só disciplinas relacionadas ao curso pretendido são avaliadas.

Além disso, é intenção da USP incluir questões contextualizadas na segunda fase, que abarquem conhecimentos de mais de uma disciplina - as chamadas perguntas interdisciplinares. De acordo com a proposta da instituição, uma maneira de se cobrar o conteúdo de maneira integrada é fazendo enunciados que exijam a resolução de problemas.

O projeto de mudanças no vestibular foi distribuído para as escolas, institutos e faculdades e está em fase de discussão pelos docentes. Segundo a Assessoria de Imprensa da USP, o objetivo da pró-reitoria é aprovar a proposta até abril ou maio e, assim, aplicá-la no próximo vestibular.

  COMO É ATUALMENTE O QUE DIZ O PROJETO
1ª FASE Elimina e dá pontos para a classificação final dos candidatos. Só elimina quem não atinge a nota de corte. Não rende pontos na classificação.
2ª FASE Avalia apenas as disciplinas específicas de cada curso. Cada candidato faz até quatro exames. Todos os vestibulandos realizam a prova de português no primeiro dia. O número de pontos na segunda fase varia de acordo com a carreira, com total máximo de 160 pontos. Seria restrita a três dias. O primeiro continuaria igual. No segundo dia, haveria uma prova com 18 questões de química, biologia, matemática, física, geografia e história, sendo seis interdisciplinares. No último dia é a vez das questões específicas - cinco perguntas de duas matérias escolhidas por curso.
CARREIRAS O candidato pode escolher cursos de uma mesma carreira. Cursos menos disputados na carreira sofrem abandono de ingressantes. Unidades devem refletir se vão manter a estrutura atual de carreiras ou se vão deixar cursos menos disputados em prova isolada.
 

Uma das críticas que o projeto vem recebendo é a necessidade de aprovação a toque de caixa, sem tempo para debate acadêmico. Mas se o projeto não for aprovado no Conselho de Graduação da universidade até maio, sua aplicação pode ser postergada.

Mudanças previstas

As alterações no processo seletivo começam já na primeira fase, que deverá ter caráter mais generalista e apenas eliminar os candidatos menos preparados. A pontuação obtida nesta fase, diferentemente do que ocorre hoje, não seria mais aproveitada na nota final e na classificação dos vestibulandos.

Na segunda fase é que se encontram as alterações mais profundas. Atualmente, cada vestibulando pode realizar até quatro provas nessa etapa da seleção, dependendo da carreira pretendida. Todos fazem os exames de português - os demais são variáveis.

O projeto pretende fazer com que a segunda fase seja mais "padronizada" e executada em três dias. Todos os vestibulandos continuariam com os exames de português inaugurando a etapa decisiva da seleção.

No segundo dia, seria a vez da prova de química, matemática, física, biologia, geografia, história e física. A prova teria 18 questões discursivas, sendo que seis delas teriam a característica de serem interdisciplinares - com cobrança de conhecimento de mais de uma matéria.

Já o terceiro dia teria dez questões variáveis de acordo com cada curso, divididas entre duas disciplinas específicas.

O terceiro ponto que o projeto pretende modificar é a forma de organização das carreiras do vestibular. Neste caso, não é exposta nenhuma proposta, mas sim uma análise das unidades. Hoje, cursos menos concorridos acabam recebendo candidatos que não queriam de fato a vaga. Então, ocorre o abandono.

Critérios da seleção

A USP também especificou o que deseja de seu corpo discente. De acordo com o documento o "novo modelo de vestibular deve ser um instrumento eficiente para selecionar candidatos que:

- saibam se expressar com clareza e desenvoltura;
- tenham capacidade de buscar, selecionar, organizar e interpretar informações diversas, elaborar e criticar hipóteses e argumentar sobre posições ou problemas a eles apresentados;
- esbocem visões críticas do mundo e da sociedade em que vivemos;
- demonstrem competência na identificação e proposição de soluções para problemas sociais, culturais, científicos e tecnológicos;
- identifiquem seu campo de interesse e demonstrem habilidades para cursar a carreira escolhida.

A nova cara da Fuvest pretendida pela Pró-Reitoria de Graduação da USP (Universidade de São Paulo) foi descrita como "uma aproximação do ideal de Enem" (Exame Nacional do Ensino Médio), pelo professor da Faculdade de Educação da instituição, Nilson José Machado.

Novo projeto de Fuvest se aproxima do Enem, diz professor da USP

"O modelo se aproxima do ideal do Enem, porque há o Enem enquanto projeto e o Enem real", diz o docente. Segundo ele, o exame tinha feições bem definidas no início de sua aplicação, há uma década. No entanto, com o passar do tempo, a prova "oscilou muito". "Houve exames que foram bem descaracterizados. Alguns muito banais e simples e outros que pareciam provas do vestibular."

O Enem, criado pelo (MEC) Ministério da Educação em 1998, é individual, voluntário e é oferecido anualmente aos estudantes que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio. Segundo o ministério, o objetivo é possibilitar uma autoavaliação, baseada em competências e habilidades cobradas na prova.

A avaliação pretende ainda exigir do candidato capacidade de resolver problemas e não apenas de decorar conteúdo.

Não é o fim das disciplinas

De acordo com Machado, a aproximação com o Enem não significa o fim das disciplinas. Então, vestibulando, se você pensa que pode estudar tudo como um grande pacotão de conhecimento, está enganado. Diz o especialista que continua sendo necessário estudar por meio de matérias como física, matemática, química, português...

"Não se pode achar que, para desenvolver as competências é preciso acabar com as discplinas", explica. E acrescenta que, embora mantenha a seleção dos melhores vestibulandos, a proposta tem um "componente político de facilitar a entrada de alunos da escola pública de maneira digna".

Fragmentação do ensino

Para Machado, a proposta da universidade deve ser vista com bons olhos. "É interessante e há muitos pontos positivos. O projeto aponta na direção correta do que se deve esperar do vestibular", avalia.

Mas Machado pondera que, talvez o projeto não tenha sucesso. "Hoje o vestibular é fragmentado e reflete a fragmentação de dentro da universidade. Com a mudança do projeto, há o risco de aprovar alunos que não vão se dar bem dentro da universidade. A própria organização da universidade devia ser repensada", diz.

Fuvest vai ficar como vestibular da Unicamp?

Para o coordenador da Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp), Leandro Tessler, as mudanças no vestibular da USP fazem com que o processo seletivo ganhe ares semelhantes aos da prova da Unicamp.

"A mudança me parece simpática. A segunda fase terá questões de todas as áreas para todos os candidatos. Isso faz com que a universidade tenha alunos com interesses mais gerais, não restritos à própria área de trabalho", avalia.

Tessler evita a comparação da nova Fuvest com o Enem, mas pondera que o próprio exame do ministério empregou elementos do vestibular da Unicamp.


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