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Novo formato é ruim para avaliar a qualidade do ensino médio, diz pesquisadora


O novo formato de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é ruim para medir a qualidade da educação no nível médio. A afirmação é da pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, Marina Nunes. "No novo exame não será verificado apenas se o aluno aprendeu o conteúdo do ensino médio, mas serão selecionados os melhores estudantes para as universidades", diz.

Segundo ela, o Enem antigo era uma boa medida da qualidade do ensino, porque apresentava conteúdos menos densos, que mostravam como o aluno poderia se sair a partir de sua capacidade de leitura e raciocínio.

Com o novo formato, que privilegia o desempenho individual, em detrimento da avaliação do sistema, o ensino médio terá um instrumento a menos para medir a qualidade da educação: "É ruim perder essa avaliação, que já vinha sendo consolidada e era usada para orientar políticas públicas", diz.

A vantagem do Enem antigo, para Marina, é que o exame era universal - todos os alunos podiam fazer - diferentemente do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), que é realizado por amostragem. "Assim, o Enem iluminava escolas que não foram tão bem, o que fazia com que o governo pudesse direcionar ações para a melhoria das condições de ensino."

Com o antigo Enem, a escola podia ter mais informações detalhadas sobre sua qualidade: "Os resultados divulgados na imprensa (74,3% das escolas do país estão abaixo da média nacional) mostram que nosso ensino está com grande defasagem entre o que é esperado e o que os alunos conseguem fazer no exame, reflexo da carência que as escolas públicas têm".

A especialista acha, no entanto, positiva a idéia de transformar o Enem em um vestibular unificado. Mas tem restrições: "Um exame nacional pode ser bom, mas depende de como for conduzido. Temos diferenças muito grandes, espero que não haja o risco de os alunos com melhores condições sócio-econômicas ficarem com as vagas de quem é menos favorecido".

Novo Enem

O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deve ser usado como parte do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), feito por alunos de faculdades, universidades e centros universitários do país.

Hoje, alunos do primeiro e do último ano de cursos de graduação precisam realizar a prova. A intenção do MEC (Ministério da Educação) é que os jovens que fizerem o novo Enem ao fim do ensino médio sejam dispensados do Enade aplicado aos calouros.

O novo formato do exame permitirá também que o resultado possa ser comparado de ano para ano. Antes, a prova tinha níveis de dificuldade diferentes a cada edição, pois não era "calibrada".

O objetivo do MEC é que o exame tenha maior nível de dificuldade e possa servir como um vestibular mais democrático, permitindo aos estudantes concorrerem a vagas de outros Estados, sem ter que viajar para fazer provas. Além disso, o exame pretende apresentar conteúdos mais relevantes, servindo de norteador do que deve ser ensinado no segundo grau.


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