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Sob sigilo, até 350 pessoas corrigem provas do vestibular


Assim que o vestibular termina, começa o trabalho de um contingente responsável pelo que mais aflige os estudantes: decidir quem foi aprovado ou não. Está nas mãos de até 350 corretores o futuro dos candidatos a entrar na universidade. Por trás da correção, há um sistema que as universidades públicas paulistas dizem ser à prova de falhas: cada questão é examinada por ao menos duas pessoas. Se houver divergência, uma terceira entra em ação.

O mecanismo é semelhante na USP, na Unesp e na Unicamp. Na USP, por exemplo, são até seis instâncias. A última palavra, em caso de divergência nas notas, fica a cargo da professora Maria Tereza Fraga Rocco, vice-diretora da Fuvest, que promove o vestibular da USP. Perguntas de ciências humanas são as mais complicadas - cerca de 40% exigem terceira avaliação por apresentar notas muito diferentes, diz Mauricio Kleinke, coordenador de pesquisa da Comvest, da Unicamp.

Por não terem resposta-padrão, as questões dissertativas exigem dos avaliadores critérios muito bem estabelecidos, que "são afinados durante o treinamento dos examinadores e até ao longo do processo de correção", de acordo com Paulo Del Bianco, coordenador da correção da Vunesp (Unesp).

Na USP e na Unesp, há etapas com questões de múltipla escolha. Para garantir que não haja erro na correção, as provas objetivas são submetidas a verificação eletrônica. O vestibular da Unicamp é todo dissertativo. Há uma espécie de gabarito com a resposta considerada correta - com um raciocínio a ser seguido e temas que devem estar presentes na resposta.

Se o vestibulando seguiu o que foi pedido na questão, ganha ponto. Se não abordou nada do que foi cobrado, tira zero. Há a possibilidade de receber pontuação parcial, caso a resposta não esteja totalmente incorreta. Nas três universidades, o trabalho é dividido em bancas específicas - um grupo de examinadores cuida da prova de português, enquanto outro se encarrega das questões de matemática, por exemplo. São 350 pessoas na USP e 190 na Unicamp. Na Unesp, que, assim como a USP, inaugura um novo formato de vestibular no fim do ano, estima-se que passem a ser cerca de 200 corretores.

Eles ficam em uma sala preparada especificamente para a correção. Na Unicamp, ficam um ao lado do outro. Mas um não sabe que questão ou prova o colega está corrigindo, diz o professor Kleinke.

Os corretores, em geral estudantes de pós-graduação ou professores, trabalham cerca de oito horas diárias. Nos primeiros dias, o trabalho é mais lento, mas a velocidade de correção aumenta com o passar do tempo. "A grade de correção fica impregnada na cabeça e você quase sonha com ela. Depois que você corrige 500 provas, fica automático", afirma Kleinke, ele próprio um ex-corretor.

Sigilo

O processo de correção das provas é sigiloso. O nome dos corretores nunca é divulgado. Eles são orientados a revelar apenas ao cônjuge o que fazem. E só depois que concluírem o trabalho podem assumir que atuaram como examinadores. As universidades dizem que a precaução se justifica: qualquer suspeita sobre o vestibular anularia o processo.

Situações que suscitem suspeitas são evitadas. Em maio, o coordenador do vestibular da Unicamp, Leandro Tessler, deixou o posto. Motivo: a filha dele vai prestar o processo seletivo da universidade.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo


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