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Questão de matemática do Enem não tem resposta, dizem professores


Uma questão da prova de matemática do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não apresenta alternativa correta, avaliam professores de cursinhos preparatórios de São Paulo.

“A resposta do teste 79 da prova de domingo deveria ser 3/8, mas não existe essa opção”, afirma Giuseppe Nobilioni, coordenador de matemática do Curso Objetivo, em São Paulo. “Deve ter sido um erro de digitação”, opina Glenn Van Amson, professor de matemática do Anglo. Procurado, o Ministério da Educação (MEC) ainda não se manifestou.

Em relação ao formato da prova, professores concordaram que o exame estava dentro do esperado e de acordo com o simulado de 40 questões divulgado pelo MEC em julho. No entanto, eles apontaram falta de abrangência à prova. “Poderiam ter aproveitado que eram muitas questões e ter diversificado mais os temas”, avalia Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do Objetivo.

Para Edmilson Motta, coordenador do Etapa, em São Paulo, a diferença maior em relação às edições anteriores do Enem está na prova de ciências da natureza. “Houve uma cobrança maior de conteúdo e conceitos. No entanto, na parte de matemática, não teve tanta inovação. Os temas continuaram os mesmos exigidos antes.”

Na avaliação do coordenador geral do Anglo, em São Paulo, Nicolau Marmo, somente 30% das questões tinham nível de vestibular. “O restante serviria para avaliar o ensino médio. Foi uma prova previsível, com pouca profundidade, que não serve para substituir o vestibular de instituições federais.”

Pelo grau de dificuldade da prova, que não foi considerado tão elevado, eles avaliam que o tempo seria suficiente para os estudantes a resolverem. A questão do idoso como tema da redação foi visto como adequado.

Divergência em linguagens

Na parte de linguagens, o professor Francisco Achcar, coordenador de português do Colégio e Curso Objetivo, aponta problemas em dois testes.

No de número 37, ele afirma que há duas respostas possíveis: B e E. Pelo gabarito oficial, a correta é a letra E. Segundo ele, a “lata” do poeta é ‘simplesmente metáfora’, como se afirma no final da canção. Portanto, trata-se de metáfora em b (“Mas quando o poeta diz: ‘Lata’”) e em e (“Que [o poeta] determine o conteúdo em sua lata”), pois em ambos os casos a referência é à “lata do poeta”.

O professor Francisco Platão Savioli, do Anglo, discorda. Para ele, a alternativa B não pode ser considerada correta porque o uso da palavra “lata” nesse caso não tem sentido de metáfora, mas metalinguístico.

Achcar, do Objetivo aponta ainda outro problema na parte de linguagens. Desta vez, na questão 38, que, segundo ele, não teria alternativa correta. O gabarito aponta a letra D como a resposta oficial. “Na alternativa dada como correta fala-se em ‘ponto de vista distanciado e analítico acerca do cotidiano’. Não se entende como possa ser considerado ‘distanciado’ o ponto de vista do eu lírico, que se exprime de maneira fortemente emotiva por meio do relato de uma situação íntima, subjetiva”, afirma.

“Concordo que a palavra ‘distanciado’ possa causar um certo ruído e a alternativa não seja tão precisa, mas não acho que seja o caso de considerar sem resposta essa alternativa”, diz Eduardo Calbucci, professor de literatura do Anglo.

O exame seria realizado neste final de semana, mas foi cancelado após vazamento da prova. Uma nova data ainda será divulgada nesta quarta-feira, 07 de outubro.


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