dcsimg

Economia - A inflação no Brasil e no mundo


Adormecida durante uma década, a inflação ameaça o Brasil e o mundo. As armas para combatê-la são conhecidas. Basta coragem para usá-las.

Inflação é um processo pelo qual ocorre aumento generalizado nos preços dos bens e serviços, provocando perda do poder aquisitivo da moeda. Isso faz com que o dinheiro valha cada vez menos, sendo necessária uma quantidade cada vez maior dele para adquirir os mesmos produtos.

Há vários fatores que podem gerar inflação. O aumento muito grande do preço de um item básico na economia pode contaminar os demais preços provocando uma alta generalizada. É o caso do petróleo e da energia elétrica, por exemplo. O excesso de consumo também provoca inflação, pois os produtos tornam-se escassos ocasionando aumento de seus preços. Em outra hipótese, se o Governo gasta mais do que arrecada, e para pagar suas contas emite papel-moeda, provoca inflação, pois está desvalorizando a moeda, uma vez que criou dinheiro novo sem lastro, sem garantia, sem que tenha havido criação de riqueza, de produção. Assim, os bens e serviços continuam os mesmos, mas o dinheiro em circulação aumenta de volume. Passa-se, então, a exigir maior quantidade de dinheiro pela mesma quantidade de produto, o que alguns economistas chamam de dinheiro fraco, dinheiro podre.

O processo inflacionário, quando instalado, é de difícil controle. Funciona como um círculo vicioso, obrigando a realização de reajustes periódicos de preços e salários, com o seu conseqüente agravamento. E quem mais sofre com tudo isso é a camada mais pobre da população, que não tem como se proteger. Em épocas de inflação galopante, tivemos no Brasil contas bancárias com reajustes diários como forma de repor o poder de compra que o dinheiro perdia de um dia para o outro. Mas as pessoas mais pobres não tinham (e ainda não têm) acesso a contas bancárias, não podendo se utilizar desse benefício. E assim, seu dinheiro valia menos a cada dia.

A Correção Monetária tem o objetivo de minimizar (ou até neutralizar) as distorções causadas pela inflação na economia. Com ela, os valores monetários são reajustados com base na inflação ocorrida no período anterior, calculada por índices que procuram medir as mudanças que ocorrem nos níveis de preços de um período para outro. No Brasil, o cálculo destes índices é feito por entidades credenciadas, como o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Outras instituições também têm elaborado estes cálculos, como a FGV - Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro; FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, ambos em São Paulo; o IPEAD - Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis, em Belo Horizonte, dentre outros.

A palavra inflação não faz parte do cotidiano dos 50 milhões de brasileiros com menos de 15 anos de idade, assim como as mudanças freqüentes do nome do dinheiro brasileiro. Desde que veio ao mundo, esse contingente demográfico só consumiu e poupou em real, moeda cuja cédula de mais baixo valor ainda circula desde que foi lançada, em julho de 1994. Essas pessoas cresceram num ambiente de normalidade monetária. Já os demais brasileiros ainda registram na memória o poder destruidor da alta de preços que erodia o poder de compra da moeda e tornava a vida de todo mundo um inferno. Entre julho de 1974, ano em que o dragão da inflação nasceu no Brasil, e o lançamento do real, em junho de 1994, o índice geral de preços da Fundação Getulio Vargas registrou uma alta de 101 240 982 237 321%. É isto mesmo: cento e um trilhões e duzentos e quarenta bilhões por cento. Para se ter uma idéia, se um alfinete comum de aço aumentasse de tamanho esses mesmos 101,24 trilhões por cento, acabaria por atingir o peso de mais de 900.000 toneladas – o suficiente para abastecer o mercado interno nacional por quinze dias. Um litro de água cujo volume crescesse nessa proporção equivaleria a 1 bilhão de metros cúbicos – ou toda a água distribuída na Grande São Paulo em um ano. Um quilo de feijão cujo peso aumentasse em tal proporção representaria a produção brasileira de 312 anos seguidos.

Pois o monstro da inflação, que parecia derrotado não só no país, mas no mundo, voltou a assombrar. O sinal de alerta acaba de ser aceso. Os preços internacionais de produtos básicos e essenciais – entre eles o petróleo, os metais e os alimentos – passaram a subir rapidamente, trazendo uma amea-ça não vista desde as crises do petróleo dos anos 70. Mesmo economias sólidas e com antecedentes exemplares de disciplina monetária passaram a enfrentar um inesperado aumento no ritmo de elevação dos preços. De acordo com estimativas compiladas pela revista inglesa The Economist, dois terços da população mundial de-verá conviver com inflação acima de 10% neste ano. A velocidade no reajuste de preços aumentou em todos os cantos do globo (veja quadro), do Chile à China, dos Estados Unidos à Austrália. Inesperadamente, a globalização, que até pouco tempo atrás exportava preços baixos, passou a disseminar inflação. "É um fogo com o qual não vale a pena brincar", alerta Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central.


O GUARDIÃO DA MOEDA
Henrique Meirelles, presidente do BC:
atuação exemplar, apesar das pressões.
O que explica essa recente escalada dos preços? Os primeiros suspeitos são os preços das commodities. O produto que mais subiu foi o petróleo. Há cinco anos, o barril custava menos de 30 dólares. Hoje é vendido a 130 dólares – o maior valor em termos reais (já descontada a inflação) desde o segundo choque do petróleo, em 1979. Os metais e alguns produtos alimentícios também tiveram altas expressivas, superiores a 100%. Esse fenômeno deve-se ao forte crescimento da economia internacional dos últimos anos, especialmente na China e na Índia. Em especial, à incorporação de milhões de novos consumidores ao mercado planetário. De acordo com estimativas do Banco Mundial, a aceleração do crescimento global retirou 500 milhões de pessoas da miséria e pobreza nos últimos quinze anos – em outras palavras, o avanço do capitalismo tirou da sarjeta praticamente uma pessoa por segundo. É gente que passou a comer mais proteína e começou a adquirir casas, carros e eletrônicos. A alta nas commodities, portanto, deve ser entendida como um reflexo do crescimento expressivo no consumo mundial, decorrente de um período de enriquecimento sem paralelo na história. No passado, economistas pregavam que não havia remédio contra um aumento inflacionário originado em outro canto do mundo. Segundo eles, seria desastroso elevar os juros de um país, e assim conter o consumo interno, para enfrentar a alta de uma mercadoria cujo preço é definido mundialmente. Ao final desse processo, argumentavam, o remédio mataria o doente sem que a doença fosse debelada. Essa aparente lógica escondia uma verdade inconveniente. Altas eventuais de um produto ou de outro, como as das commodities, podem transformar-se em reajustes generalizados se os governos gastarem em excesso e as autoridades monetárias atuarem com frouxidão. Como afirmam os economistas ouvidos por VEJA, cidadãos e empresas pressionam por reajustes de salários e preços preventivamente sempre que pressentem um descontrole inflacionário. Por isso, um banco central zeloso de suas funções não deve deixar nunca que uma economia superaqueça e avance acima de suas possibilidades e que uma alta localizada de preços contamine os índices de inflação.

Felizmente o debate atual não contempla loucuras. Economistas de todos os espectros ideológicos concordam que a inflação é uma desgraça e precisa ser combatida. A diferença reside na ênfase que se deve dar aos juros, de um lado, ou ao corte de gastos públicos, de outro, como o instrumento mais adequado para fazê-lo – um avanço extraordinário, considerando que, até pouco tempo atrás, professores universitários enalteciam supostas vantagens da inflação. "O perigo da inflação existe, mas a compreensão do presidente Lula quanto à importância de mantê-la sob controle assegura que as medidas necessárias serão tomadas", diz Luciano Coutinho, presidente do BNDES e um dos principais conselheiros econômicos do governo.


DE VOLTA AOS 70
Posto americano fecha por falta de gasolina em 1973:
petróleo é novamente o vilão.
A equipe econômica brasileira, diante do histórico inflacionário do país, tem se comportado exemplarmente. Em especial, o presidente do BC, Henrique Meirelles, que, a despeito de quase todos os prognósticos e pressões políticas que sofreu desde 2003, cumpriu com perfeição todas as metas que lhe foram conferidas pelo presidente da República. Seu bom desempenho ilustra as qualidades de um BC autônomo, alheio a interesses políticos ou eleitorais. Somente países institucionalmente frágeis permitem que a condução da política monetária seja influenciada pela agenda política ou eleitoral do governante de plantão. Na última sexta-feira, o governo reforçou seu arsenal contra a inflação e saiu em socorro a Meirelles. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o governo fará um superávit primário adicional de 0,5% do produto interno bruto (PIB) neste ano. Isso significa que o governo vai deixar de gastar mais 13 bilhões de reais. A poupança extra representa menos dinheiro na praça, o que ajudará o Banco Central no combate à inflação. "O gasto elevado induz o Banco Central a fazer uma política monetária conservadora. Com as medidas que estamos anunciando agora, passaremos a exigir menos dela", diz Mantega. Ou seja, a política monetária e a fiscal vão trabalhar de mãos dadas para conter a inflação. "A iniciativa de incrementar a poupança do setor público é positiva", agradece Meirelles. Na última década, os bancos centrais tiveram a sua tarefa facilitada graças a uma combinação rara de fatos favoráveis. Entre eles a revolução tecnológica e a transformação da China numa economia de mercado. O aumento da produtividade decorrente desses elementos permitiu que os juros, em quase todo o mundo, permanecessem em níveis historicamente baixos, sem que a inflação se tornasse um problema. Mas há indícios de que essa janela de oportunidade tenha se estreitado, como já alertava Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, o banco central americano, em entrevista a VEJA no ano passado. Isso porque os ganhos tecnológicos já foram incorporados plenamente, e os preços dos produtos exportados pela China vêm subindo gradualmente. A partir de agora, os países terão de retirar do armário suas armas de combate à inflação. A história ensina que esse monstro escapa ao controle sem um ataque fulminante que combine austeridade nas contas públicas e vigilância monetária.

A maior parte das nações civilizadas parece ter apreendido que, com inflação, não se brinca. Os brasileiros adultos sabem quanto ela pode erodir a vida cotidiana e os sonhos e projetos de cada um. VEJA localizou cinco cidadãos que conheceram de perto essa chaga destruidora de riqueza. Quando ilustraram reportagens da revista, em momentos distintos ao longo das últimas duas décadas, sofriam na pele os efeitos catastróficos da perda acelerada do poder de compra da moeda. Seus novos relatos, que acompanham estas páginas, mostram quão essencial é a estabilidade monetária a uma geração que começa agora a sua carreira profissional e teve a felicidade de nunca ter experimentado esse desarranjo financeiro. Na sexta-feira, o presidente Lula disse que faria o que fosse preciso para evitar a volta da inflação. "Quando ela voltar, quem vai quebrar é o bolso do povo pobre, trabalhador. Nós, do governo, vamos fazer o sacrifício que tivermos de fazer para manter uma política fiscal responsável." É o santo guerreiro contra o dragão da maldade.

Receitas para uma mesma doença Economistas desenvolvimentistas e liberais concordam em um ponto: a inflação é uma desgraça. Observe o que dizem a respeito:

Paulo Nogueira Batista
Diretor do Brasil e de outros oito países no Fundo Monetário Internacional

Temos um passado inflacionário tenebroso e não podemos descuidar. A inflação está acelerando em quase todos os 185 países-membros do FMI. No caso do Brasil, existe um componente cuja influência é difícil de avaliar, que é o aumento de demanda. É importante que a solução não se dê com o sacrifício do crescimento que o Brasil retomou. A taxa de juro não pode ser usada abusivamente. O ideal é ter disciplina fiscal e adotar medidas pontuais para controlar o crédito. Quando conveniente, lançar mão de medidas de redução de impostos ou barreiras à importação para desafogar pressões localizadas de preço.

Luiz Gonzaga Belluzzo
Professor da Unicamp

Houve uma mudança no patamar inflacionário mundial por causa do choque do preço das commodities. Mas não imagino que se trata da volta das inflações elevadas registradas nos anos 70 e 80. O mundo provavelmente vai conviver com uma inflação mais alta e um crescimento menor. No Brasil, o choque foi agravado pela demanda interna aquecida. Aqui os instrumentos de controle de preços são o aumento do superávit primário e um cuidado maior na política de crédito.

Delfim Netto
Ex-ministro da Fazenda

É possível estabilizar a expectativa inflacionária somente com os juros do Banco Central? Sim, mas o custo social seria gigantesco e desastroso. O caminho mais inteligente, que manterá o ritmo de crescimento, é reduzir o gasto público. Quem produz crescimento é o setor privado. O setor público produz confusão. Um gasto público menor reduziria o excesso de demanda e permitiria ao Banco Central manter juros razoáveis.

 

Armínio Fraga
Ex-presidente do Banco Central

Nós, brasileiros, conhecemos este filme: a inflação só sobe, a confusão aumenta, o crescimento cai, e perdem os mais pobres. Nós somos alcoólatras monetários em remissão. Não vale a pena brincar com fogo. Todo o apoio ao Banco Central, inclusive fiscal! No caso atual, é natural que, com a subida dos preços do petróleo e das commodities, algum aumento temporário da inflação ocorra. Mas o BC tem de zelar para que a inflação não se perpetue.

José Júlio Senna
Ex-diretor do Banco Central

Uma eventual inflação de 6% ao ano no Brasil não tira a economia dos trilhos, mas produz transtornos. Não é o fim do mundo, mas também não é nada confortável. Ela foi provocada por uma forte expansão de gastos públicos e privados, sem resposta proporcional da produção. Ou seja, tem demanda demais e a oferta está com o freio de mão puxado. Tem areia na engrenagem produtiva do Brasil. E não se pode dizer que as pessoas estejam consumindo exageradamente.

Carlos Langoni
Ex-presidente do Banco Central

Não há risco de uma explosão inflacionária, mas sim de uma aceleração. Ela ocorre por uma combinação de fatores, que inclui aumento da demanda por commodities agrícolas, crescimento da produção de biocombustíveis na Europa e do etanol nos Estados Unidos. Tudo isso foi ainda agravado pela subida do preço do petróleo, que chegou a 98% no último ano. Não há outra saída senão promovermos um aperto fiscal e monetário. Foi um acerto do Banco Central voltar a elevar a Selic, que é o instrumento mais eficaz para conter a demanda.

Edward Prescott
Prêmio Nobel de Economia

Uma das várias diferenças entre a inflação da década de 70 e a atual ameaça inflacionária é demográfica. A idade média dos americanos era de 20 e poucos anos. Agora, supera os 40. Pessoas mais idosas toleram menos a inflação. E não votam em políticos que dão combustível aos preços. Além disso, os bancos centrais modernos, dotados de metas de inflação, como no Brasil, têm conseguido manter preços baixos e estáveis. O governo brasileiro não pode mais usar a máquina de imprimir dinheiro do banco central.

Antonio Palocci
Ex-ministro da Fazenda

"Existe uma ameaça de inflação em todos os países do mundo, não só no Brasil. Mas não é por isso que ela não deve ser combatida. Ao contrário, a política monetária precisa ser mais rigorosa, e os aumentos de juros deverão acontecer não só no Brasil como em outros países. Sobre o aumento do superávit primário, creio que é válido se não afetar os investimentos."

 

Alexandre Schwartsman
Ex-diretor do BC

Não é verdade que a recente aceleração dos preços no Brasil resulte de uma "inflação importada" e que não há nada que as autoridades possam fazer. Em primeiro lugar, porque os preços de produtos e serviços que não sofrem competição externa também aumentam. Além disso, os produtos importados ficaram mais baratos com a apreciação do real. E esse barateamento mais do que compensou o impacto da inflação internacional nos preços domésticos. O Brasil não é uma vítima inocente contagiada pela inflação mundial. O BC pode, sim, combatê-la.

A inflação no Brasil levou à criação de muitos índices diferentes para medir a inflação e corrigir a desvalorização da moeda. Entenda a diferença entre os principais índices de inflação:


IGP Índice Geral de Preços, calculado pela Fundação Getúlio Vargas. É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA), com peso 6; de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP, com peso 3; e do custo da construção civil (INCC), com peso 1. Usado em contratos de prazo mais longo, como aluguel.
IGP-DI O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, da FGV, reflete as variações de preços de todo o mês de referência. Ou seja, do dia 1 ao 30 de cada mês. Ele é formado pelo IPA (Índice de Preços por Atacado), IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e INCC (Índice Nacional do Custo da Construção), com pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente. O indicador apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo.
IGP-M Índice Geral de Preços do Mercado, também da FGV. Metodologia igual à do IGP-DI, mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. O IGP tradicional abrange o mês fechado. O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro.
IGP-10 Índice Geral de Preços 10, também da FGV e elaborado com a mesma metodologia do IGP e do IGP-M. A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte.
IPC-RJ Considera a variação dos preços na cidade do Rio de Janeiro. É calculado mensalmente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e toma por base os gastos de famílias com renda de um a 33 salários mínimos IPCA.
IPC-Fipe Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP, pesquisado no município de São Paulo. Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. Divulga também taxas quadrissemanais.
ICV-Dieese Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, também medido na cidade de São Paulo. Reflete o custo de vida de famílias com renda média de R$ 2.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária)
INPC Índice Nacional de Preços ao Consumidor, média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos, medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
IPCA Índice de Preços ao Consumidor Amplo, também do IBGE, calculado desde 1980, semelhante ao INPC, porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A pesquisa é feita nas mesmas 11 regiões metropolitanas. Foi escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil.
INCC Índice Nacional do Custo da Construção, um dos componentes das três versões do IGP, o de menor peso. Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor. Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras.
CUB Custo Unitário Básico, índice que reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor. Calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção, chamados de Sinduscon, e usado em financiamentos de imóveis.

TIPOS DE INFLAÇÃO

Considera-se quatro tipos principais:

- Inflação de demanda: refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção disponível de bens e serviços na economia. É causada pelo crescimento dos meios de pagamento, que não é acompanhado pelo crescimento da produção. Ocorre apenas quando a economia está próxima do pleno-emprego, ou seja, não pode aumentar substancialmente a oferta de bens e serviços a curto prazo.

- Inflação de custos: tem suas causas nas condições de oferta de bens e serviços na economia. O nível da demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos fatores importantes aumentam, levando à retração da oferta e provocando um aumento dos preços de mercado.

- Inflação inercial: é a aquela em que a inflação presente é uma função da inflação passada. Se deve à inércia inflacionária, que é a resistência que os preços de uma economia oferecem às políticas de estabilização que atacam as causa primárias da inflação. Seu grande vilão é a "indexação", que é o reajuste do valor das parcelas de contratos pela inflação do período passado.

- Inflação estrutural: a corrente estruturalista supunha que a inflação em países em vias de desenvolvimento é essencialmente causada por pressões de custos, derivados de questões estruturais como a agrícola e a de comércio internacional.

OUTRAS INFORMAÇÕES

- O contrário de inflação, ou seja, a redução do nível de preços, chama-se deflação.
- Em sua forma extrema, isto é, quando se encontra fora de controle e com aumentos de preços absurdos, a inflação é chamada de hiperinflação.
- Em períodos de inflação alta, em que os preços chegam a sofrer reajustes diários, a população não retém dinheiro, pois ele se desvaloriza muito rápido. Tão logo recebem o dinheiro as pessoas compram mercadorias, pois se deixarem para o dia seguinte não conseguirão comprar tudo o que conseguem comprar hoje.
- O caso mais grave de hiperinflação que se tem notícia ocorreu na Alemanha, após a primeira guerra mundial, que chegou a acusar um trilhão por cento entre agosto de 1922 e novembro de 1923.
- Dos anos 80 até início dos 90 a inflação era o principal problema do Brasil. Salários eram corroídos por uma alta generalizada de preços, cujo índice chegou a atingir 80% ao mês. Em 1994, com a implantação do Plano Real, conseguiu-se domar a inflação, fazendo com que os brasileiros desfrutassem de estabilidade econômica. Hoje, porém, uma possível volta da inflação tem deixado o governo brasileiro em alerta. Para especialistas em educação e em exames vestibulares, o tema pode atrair a atenção das bancas universitárias e aparecer nas provas em diferentes formas.

Inflação sobe e fica acima da previsão: 0,79%

Novos números divulgados confirmaram a ameaça crescente da inflação no país. O indicador oficial do governo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cresceu em maio e ficou acima das previsões dos especialistas. O mesmo ocorreu com o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) em sua primeira leitura de junho. Nos dois casos, o aumento da inflação é atribuído à alta dos preços dos alimentos.

A inflação pelo IPCA avançou 0,79% em maio, ante alta de 0,55% em abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Economistas consultados pela agência de notícias Reuters esperavam inflação de 0,66%, de acordo com a mediana de 25 estimativas, que ficaram entre 0,50 e 0,71%. No ano, o IPCA acumulou alta de 2,88% e nos últimos 12 meses, de 5,58%. O forte aumento dos preços dos alimentos é o principal motivo da alta.

No quesito alimentos e bebidas, a inflação foi de 1,95% no mês passado. Isso representa mais da metade (54%) do IPCA do mês. Em maio do ano passado, o IPCA foi de apenas 0,28%. O índice é usado pelo governo para definir as metas anuais de inflação (4,5% ao ano para 2008). Os analistas de mercado consultados pelo Banco Central em sua pesquisa semanal Focus (feita no dia 6 de maio) previam que o IPCA do mês seria de apenas 0,63%.

Junho - A inflação pelo IGP-M também acelerou, superando as previsões dos analistas. Na primeira leitura de junho, a alta foi de 1,97%, contra elevação de 1,36% em igual período de maio, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta. De acordo com a mediana de 10 analistas consultados pela Reuters, a previsão era de alta de apenas 1,15% na primeira prévia deste mês. As estimativas variaram de 0,72% a 1,60%, resultando em média de 1,14%.

Entre os componentes do IGP-M, o Índice de Preços por Atacado (IPA) teve alta de 2,35% ante avanço de 1,82% na primeira leitura do mês anterior. Os produtos agropecuários saltaram 1,82%, ante alta de 1,27% na abertura do mês passado. Os industriais mostraram avanço de 2,55%, também maior ante os 2,04% no mesmo período do mês anterior. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,60%, depois de avançar 0,27% no dado anterior.

Fontes: Revista Veja | Jornal A Folha de S. Paulo | Jornal de Itauna


Comentários

Veja mais artigos de Vestibular

<< Outros artigos de profissoes

Comentários

Siga-nos:

Instituições em Destaque

 
 

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e receba as últimas notícias do Vestibular além de dicas de estudo: