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Cursos tradicionais ainda concentram a maior parte das matrículas, mas
o maior crescimento vem sendo registrado em graduações inovadoras.
Historicamente os alunos brasileiros preferem seguir carreiras tradicionais,
fato comprovado pela concentração da demanda em cursos como direito
e administração. Mas, levantamento realizado pelo Sindicato das
Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São
Paulo (Semesp) com base nos dados do Censo da Educação Superior
2007 mostra que as instituições que investiram em graduações
ligadas às "profissões do futuro", nas áreas
de genética, meioambiente, sustentabilidade, midiática, alta tecnologia
ou empreendedorismo conseguiram bons resultados. Principalmente entre os cursos
superiores de tecnologia.
Nos últimos dois anos, cresceu significativamente a variação
de alunos ingressantes em cursos como gestão empreendedora ou processos
gerenciais (528%), extração de petróleo e gás (174%),
gestão em logística (87,9%), gastronomia (59,6%), tecnologia de
radiologia (31%) ou administração de redes (21,6%).
Os 20 cursos com maior crescimento

O resultado é que as instituições de ensino superior brasileiras
têm conseguido acompanhar as mudanças no mercado de trabalho mundial,
ampliando a oferta de novos cursos e inserindo conteúdos diferenciados
em graduações tradicionais como administração de
empresas, medicina ou engenharia.
"As universidades estão se adequando rapidamente às mudanças
no mercado de trabalho e aos cursos tecnólogos, de curta duração,
que mesmo mais baratos dobraram de tamanho nos últimos dois anos, mas
não chegam a incomodar as profissões tradicionais, ainda as mais
procuradas em números absolutos", avalia o diretor-executivo do
Semesp, Rodrigo Capelato.
Embora o curso tecnólogo de gestão empreendedora ou de processos
gerenciais tenha crescido 528% em número de ingressantes, eles representam
hoje apenas 8.555 alunos em todo o Brasil, da mesma forma que o de extração
de petróleo e gás, o segundo a apresentar maior variação,
responde por apenas 4.263 alunos.
Enquanto isso, os chamados cursos tradicionais, como administração,
possuem mais de 217 mil alunos matriculados, apesar de terem apresentado uma
queda de 9% no comparativo 2006/2007. O curso de direito cresceu apenas 1,7%
no mesmo período, mas também representa um montante de mais de
157 mil alunos. Os cursos de direito e administração ainda representam
1/3 do total de alunos matriculados hoje, tanto em universidades públicas
como privadas", explica Carlos Monteiro, diretor -presidente da CM Consultoria
de Administração e Marketing.
Os números do Semesp confirmam essa tendência: os cursos mais
procurados nas instituições privadas são administração,
com 17% das matrículas; direito, com 15,1%, e em seguida, bem mais atrás,
enfermagem e pedagogia, com 5% cada, e comunicação social e ciências
contábeis, com pouco mais de 4%. "Os cursos imperiais (medicina,
direito e engenharia) continuam dando as cartas. A mentalidade das nossas instituições
de ensino, dos seus gestores e professores ainda é muito refratária
e vivemos em um país de bacharéis, como no século XIX,"
acredita Carlos Monteiro.
A opinião do consultor está baseada em números do mercado
que mostram que, apesar de os cursos de formação tecnológica
viverem um bom momento, eles ainda representam um universo de pouco mais de
6% do total de matrículas no ensino superior . "Ou seja, o Brasil
ainda está na contramão do mundo, já que em todas as outras
grandes nações a procura por graduação tecnológica,
cursos de curta duração ou de educação a distância,
desde 2002, é infinitamente maior do que por graduação
normal e presencial", diz Monteiro.
Marisa da Silva, consultora de carreira da Career Center, empresa especializada
em Gestão Estratégica em RH e Carreira, acredita que a oferta
ainda está diretamente ligada a questões culturais. "Nossos
estudantes têm uma forte tendência a seguir a área de Humanas
e são seduzidos pelas carreiras midiáticas como publicidade e
propaganda, jornalismo, mídias digitais ou artes cênicas, mas a
maior carência do Brasil ainda está na área de exatas."
A executiva defende uma nova formação profissional no país,
que seja capaz de evitar o desperdício de recursos financeiros na educação
e de tempo na construção de uma mão de obra cada vez mais
qualificada. "O que mais acontece hoje é o jovem se encantar com
as profissões relacionadas à mídia, com carreiras glamourosas
e depois perceber que a profissão que escolheu não é nada
daquilo que ele imaginava. E vem a frustração e o retrato de um
profissional infeliz", define.
Para Carlos Monteiro, também cabe às instituições
de ensino agirem para mudar esse cenário. "O futuro não é
loteria. As decisões sobre o futuro devem ser tomadas no presente e as
instituições precisam definir seus portfólios hoje para
projetarem o futuro. Os cursos de ensino a distância, por exemplo, vão
crescer muito mais e precisam ser vistos e aceitos como uma modalidade estratégica
de ensino. Trata-se de uma questão de tendência mundial pela escolha
de um modelo híbrido de educação."
Exemplo de carreira hereditária, mas que cada vez possui mais demanda
de profissionais, a engenharia cresce bastante, tanto no modelo tradicional
de graduação presencial como nos de cursos superiores de tecnologia,
de curta duração. Os diversos ramos da área, como engenharia
de produção, agrícola, eletrônica, mecânica,
civil, elétrica ou nuclear, aparecem todo ano na lista dos cursos mais
procurados pelos vestibulandos em todas as regiões do Brasil. No Sul
e no Sudeste, por exemplo, a engenharia tem sido sempre a primeira colocada
entre os cursos mais tradicionais.
Do outro lado da moeda estão cursos como normal superior, formação
de professor, letras, matemática e turismo, que têm registrado
uma curva descendente ano a ano no número de alunos ingressantes, e com
percentuais muito significativos, que podem indicar não ser um bom caminho
para as projeções futuras das instituições de ensino
superior. Apesar disso, muitas podem continar a manter essas graduações
por uma questão de decisão estratégica, como o perfil da
instituição, ou para ajudar no esfoço pela ampliação
e melhora da formação de professores.
O quadro geral parece estar na adoção de um novo modelo educacional
de ensino superior, muito mais flexível e facilmente adaptável
às demandas de uma nova sociedade e de um novo mercado de trabalho.
Fonte: Revista Ensino Superior