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O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou, em Brasília,
a proposta do MEC (Ministério da Educação) de apoiar currículos
inovadores para o ensino médio. Pelo projeto, será possível
lecionar os conteúdos de maneira interdisciplinar, sem que sejam divididos
nas tradicionais disciplinas como história, matemática ou química.
O aluno também terá condições de escolher parte
de sua grade de estudos.
A partir de 2010, cerca de cem escolas deverão receber financiamento
da pasta para implantar mudanças curriculares com o objetivo de tornar
a etapa de estudos mais atraente. "Esperamos que essa proposta seja acompanhada
e avaliada e possa se tornar uma política universal", disse a secretária
de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda.
De acordo com ela, a intenção é que o programa seja estendido
e que todas as escolas que oferecem ensino médio possam adotar as mudanças
curriculares. "Nossa intenção não é ter escolas
modelos, mas que todas possam oferecer ensino de mais qualidade", disse
o coordenador-geral do ensino médio da Secretaria de Educação
Básica, Carlos Artexes Simões.
Como funciona a ideia
Pela proposta, o ministério financiará projetos de escolas públicas
que privilegiem, entre outras mudanças, um currículo interdisciplinar
e flexível para o ensino médio.
A intenção é que a atual estrutura curricular - organizada
em disciplinas - seja substituída pela organização dos
conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura,
para que os conteúdos ensinados ganhem maior relação com
o cotidiano e façam mais sentido para os alunos. Outra mudança
a ser estimulada é a flexibilidade do currículo: 20% da grade
curricular deve ser escolhida pelo estudante.
O texto prevê o aumento da carga horária mínima do ensino
médio - de 2,4 mil horas anuais para 3 mil - além do foco na leitura,
que deve passar por todos os campos do conhecimento. A proposta estimula experiências
com a participação social dos alunos e o desenvolvimento de atividades
culturais, esportivas e de preparação para o mundo do trabalho.
Segundo Artexes, a partir das recomendações do CNE à proposta,
o ministério terá condições de organizar o programa
e apresentá-lo aos estados e ao Distrito Federal. "Nos próximos
40 dias, o ministério definirá o volume de recursos disponível
para o programa e a forma de financiamento, se diretamente à escola ou
se por meio de convênio com as secretarias estaduais", afirmou.