Dra. Eliana Guitti
Direito
Dra. Eliana Guitti, conceituada profissional da área de Direito, que atua no mercado há mais de 6 anos, nos conta sobre os desafios e os atrativos de sua profissão.
"Uma das decisões mais difíceis que temos que tomar em nossas vidas é a escolha de uma profissão. Digo ser uma complicada escolha porque como saber se iremos gostar de algo que não conhecemos? E o pior é que, quando dessa escolha, somos, na maioria das vezes, jovens demais para assumirmos a responsabilidade de uma escolha definitiva.
A eleição de uma profissão é uma decisão que comporta exceções, pois nada impede que escolhamos um curso e não nos identifiquemos com ele. Não há nada que impeça uma reflexão e uma conseqüente migração de um curso para outro.
Estudar o direito nos proporciona conhecimentos que não servem apenas para a atuação na área jurídica, vez que aprenderemos a ouvir, a conselhar, a seguir conselhos, a tomar decisões e, principalmente, a saber que cada ser humano tem características pessoais e que jamais poderemos julgá-lo com base em algumas dessas informações. Devemos sempre respeitar o próximo e procurar entender os motivos pelos quais determinadas pessoas agem contrariamente àquilo que julgamos ser o correto. Apenas entender, jamais julgá-las.
A história do Direito em nosso país teve seu marco em 11 de agosto de 1827, quando o imperador D. Pedro I instituiu os cursos jurídicos no Brasil. Nessa memorável data iniciou-se a histórica e importante figura do advogado: defensor da Justiça e da Paz Social.
Com os ideais humanistas, intimamente relacionados com a Filosofia, a Advocacia iniciou a consolidações das instituições de nosso Estado, lutando pelas liberdades e direitos de nosso povo, como a abolição da escravatura e a proclamação da República, contribuindo sobremaneira à justiça social, provendo, já naqueles tempos, a inclusão social.
A advocacia também teve papel fundamental no retorno da democracia ao nosso belo país, participando ativamente do movimento nacional contra a ditadura militar.
Nessa linha de idéias, sabemos que o ser humano, apesar de falível, anseia por Justiça, liberdade, inclusão social, igualdade, respeito, irmandade etc., palavras tais indissociáveis do direito.
Ser advogado é isso, respirar o direito tendo sempre em mira a justiça. Somos instrumentos utilizados pelo poder para se fazer e proclamar a justiça. É muito gratificante saber que o nosso trabalho tem o poder de influenciar positivamente a vida das pessoas.
Não pensem que é uma carreira fácil, pois não é. Para ser um advogado é preciso estudar muito, como todo profissional de qualquer área, e estudar sempre, trabalhar com honestidade e afinco a qualquer hora do dia ou da moite. É ter a capacidade de convencer sobre o direito, sempre com ética e moral, visando o bem maior, a paz social, esta objetivo básico de qualquer sociedade que almeja o crescimento e o desenvolvimento, tanto intelectual como espiritual.
É preciso ser corajoso para defender as instituições do estado democrático de direito e o seu cliente, sem se esquecer da paciência e da perseverança. Podemos comparar a advocacia à educação de uma criança. Não adianta intimidar, agredir, abandonar, é necessário paciência e persistência, todos os dias, sempre, tudo pela paz, pois, como cediço, os obstáculos são muitos. E a humildade? Impossível esquecer-se dela; é necessário ser humilde para lidar com a arrogância, o mau uso do poder e assim, como uma estrada de duas mãos, é necessário ser humilde para aceitar os próprios erros, respeitar os entendimentos contrários aos seus sem sentir-se menor, humilhado ou desprestigiado, e utilizar-se do direito e do poder de convencimento na escrita de suas petições para mudar uma decisão e fazer valer o ideal de justiça e paz. É utilizar esses contratempos como incentivo, como motivação para trilhar e desbravar a Justiça e a distribuição do direito.
Não podemos esquecer que o advogado deve saber ouvir o seu cliente, sentir os seus problemas, ou seja, utilizar a formação humanística e psicológica para chamar o cliente à reflexão e ao bom senso, explicando- lhe, com clareza e sinceridade, os riscos da causa. Desta forma, muitas lides serão resolvidas dentro do próprio escritório.
Concluindo, o advogado é o instrumento utilizado pelo direito na busca incessante pela justiça e na pacificação de conflitos, sempre, por uma sociedade justa e igualitária, sem subterfúgios, sem corrupção, sem levar vantagem em detrimento do mais fraco, enfim, é lutar pelo bem-estar de toda uma sociedade, da qual somos parte... Cada um de nós."
Eliana Guitti