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Política internacional - O sistema político do Tibete


O nome "Tibet" é derivado do mongol "Thubet", do chinês "Tufan" e do arábico "Tubbat". Antes de 1950, o Tibete era uma região singular, que buscava o isolamento em relação a outras nações.

Sua origem milenar remonta a uma dinastia militar, que deu lugar, no século 7, a um império pacífico, evoluindo para a criação do budismo como religião e estilo de vida.

O território tibetano fica ao sudeste da China, rodeado pelas Províncias chinesas de Tsinghai (ao nordeste), Szechwan (ao leste), Yunnan (ao sudoeste) e pelos países de Mianmar, Índia, Butão e Nepal (ao sul). À oeste estão os territórios conflituosos de Jammu e Caxemira.

A uma altura média de 4.500 metros acima do mar, o território do Tibete é um planalto em meio a uma cadeia de montanhas remotas da Ásia Central, o Himalaia, e possui a extensão de 1.221,600km quadrados. É no Tibete que se encontra o ponto terrestre mais alto do globo, o Monte Evereste, com 8.850m, que fica próximo à fronteira com o Nepal.

Disputada por outras nações além da China - como Taiwan e Índia - internamente o Tibete reivindica independência e autonomia. A região construiu um universo cultural próprio, que inclui a língua tibetana e o budismo como religião, tendo como líder espiritual o dalai-lama.

Após sua incorporação à China comunista de Mao Tse Tung, em 1949, grandes esforços foram realizados para desenvolver a economia e mudar os valores tradicionais locais, o que deu início às tensões entre os chineses e os tibetanos, que ofereceram forte resistência à imposição da ideologia marxista do líder chinês.

A política oficial da China tem sido mais tolerante e conciliatória no Tibete deste os anos 1980, o que resultou - até a eclosão da recente crise com a China - na melhora nas relações entre os povos locais e chineses, no desenvolvimento da economia e do turismo internacional.

Nome Tibete
Situação política Região autônoma da República Popular da China
Capital Lhasa
População 2,8 milhões
Área 1.221.600 quilômetros quadrados
Idioma tibetano
Moeda yuan (moeda chinesa)
Forma de governo teocrática, mas o líder (dalai-lama) é subordinado ao poder central da República Popular da China
PIB (total de riquezas produzidas) 29 bilhões de yuans (US$3,7 bilhões)
 

ENTENDA A CRISE


Protestos no Tibete são os maiores em
duas décadas
O Tibete vem sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês. O governo da região autônoma, apoiado por Pequim, afirma que dez pessoas morreram nos confrontos do fim de semana, mas autoridades do governo tibetano no exílio dizem que pelo menos 80 perderam a vida nos choques com a polícia.

Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.

Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão dos tibetanos.

Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.

Saiba mais sobre o que provocou os protestos, quem são os envolvidos e por que o Tibete está em disputa contra o domínio chinês.

Por que os protestos estão ocorrendo?

Essa é uma questão histórica. A China diz que o Tibete faz parte de seu território desde meados do século 13 e deverá ficar sob o comando de Pequim.

Muitos tibetanos, no entanto, têm uma outra visão da história. Eles afirmam que a região do Himalaia ficou independente durante vários séculos e que o domínio chinês nem sempre foi uma constante.

Entre 1911 e 1950, por exemplo, o Tibete manteve o status de país independente, até que Mao Tsé-tung comandou a Revolução Chinesa e chegou ao poder no país, em 1949.

Em 1963, ganhou status de Região Autônoma, e hoje conta com um governo apoiado pela China.

Em 1989, a causa da independência do Tibete ficou conhecida no Ocidente após o massacre de manifestantes pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial.

Muitos tibetanos querem a independência de volta, e daí os protestos.

O que detonou os últimos protestos?

As manifestações começaram no dia 10 de março, exatamente 49 anos depois que os tibetanos encenaram um levante contra o poder chinês.

Houve demonstrações em vários países e monges do monastério de Drepung, nas cercanias da capital Lhasa, também aderiram ao movimento. Os protestos logo ganharam a adesão dos tibetanos.

Fatores econômicos também desempenham um papel importante. Muitos tibetanos dizem que um número crescente de imigrantes chineses da etnia majoritária han chegam à região e conseguem os melhores empregos.

Eles acreditam estar excluídos dos benefícios dos avanços econômicos desfrutados por outras províncias costeiras da China e dizem sofrer com os efeitos da crescente inflação no país.

O dois lados serão capazes de resolver as diferenças?

O governo chinês mantém pouco diálogo com o governo tibetano no exílio, com base na Índia. As negociações nunca avançaram e provavelmente não devem avançar no futuro – o abismo entre as duas partes é imenso.

A China diz que os tibetanos no exílio, liderados pelo Dalai Lama, só estão interessados em separar o Tibete da terra mãe. O Dalai Lama diz querer nada mais do que a autonomia da região.

Por que a questão do Tibete é tão conhecida no mundo ocidental?

Esta é uma pergunta difícil de responder. O domínio chinês sobre a província de Xinjiang, no oeste do país, é tão controverso quanto o do Tibete, mas não conta com a mesma notoriedade.

Talvez uma das razões pelas quais os ocidentais saibam sobre os problemas do Tibete é por causa do Dalai Lama.

Desde que fugiu do Tibete depois do fracasso do levante, em 1959, o líder espiritual dos tibetanos viajou o mundo para advogar por mais autonomia para sua terra natal, sempre enfatizando que não defendia a violência.

Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1989.

Haverá novos protestos?

Provavelmente. A causa fundamental dos protestos não foi solucionada, então a tensão persiste.

Os manifestantes tibetanos parecem determinados a mostrar seu ponto de vista enquanto todas as atenções estão voltadas para a China no ano das Olimpíadas.

Eles querem protestar contra o que eles vêem como uma violação dos direitos humanos por parte da China e querem mais liberdade, tanto política quanto religiosa, na região.

Os governantes chineses certamente não querem nenhum derramamento de sangue a apenas cinco meses do início dos Jogos Olímpicos, e vão tentar evitar qualquer situação que lembre o que aconteceu em Mianmar em 2007.

Por outro lado, eles não querem dar espaço aos monges e a outros manifestantes por medo de que isso seja interpretado como um sinal de fraqueza e acabe levando a mais protestos.

ANÁLISE

Tibete representa dilema para Pequim


Hu Jintao liderou repressão aos protestos
tibetanos em 1989
A poucos meses das Olimpíadas de Pequim, os líderes chineses não querem que os protestos dos monges se transformem na imagem que define o país.

Muitos integrantes do governo da Região Autônoma do Tibete estão atualmente em Pequim para o Congresso Nacional do Povo, que acontece anualmente.

Há apenas alguns dias, o presidente chinês Hu Jintao teve um encontro com a delegação tibetana e pediu que eles continuem a melhorar a qualidade de vida e trabalhem para alcançar paz e estabilidade na região.

Mas os manifestantes tibetanos parecem determinados a mostrar seu ponto de vista enquanto todas as atenções estão voltadas para a China no ano das Olimpíadas.

Eles querem protestar contra o que eles vêem como uma violação dos direitos humanos por parte da China e querem mais liberdade, tanto política quanto religiosa, na região.

Outro Mianmar?

Tibetanos em outros países apoiaram as ações dos manifestantes organizando protestos e passeatas.

Nesta sexta-feira, enquanto forças de segurança chinesas tentavam controlar incêndios em Lhasa, um grupo de tibetanos protestava em frente à Embaixada chinesa em Londres.

Tibetanos exilados na Índia começaram uma passeata de volta ao Tibete na segunda-feira, mas foram impedidos pela polícia indiana.

O governo chinês enfrenta um dilema.

Os governantes chineses certamente não querem nenhum derramamento de sangue a apenas cinco meses do início dos Jogos Olímpicos, e vão tentar evitar qualquer situação que lembre o que aconteceu em Mianmar em 2007.

Por outro lado, eles não querem dar espaço aos monges e a outros manifestantes por medo de que isso seja interpretado como um sinal de fraqueza e acabe levando a mais protestos.

O Tibete, juntamente com outros territórios que têm movimentos separatistas, como Xinjiang e Taiwan, representa uma grande dor de cabeça para os líderes chineses.

A estratégia do governo chinês até o momento foi a de bater e assoprar.

O governo central tem investido rios de dinheiro na região numa tentativa de melhorar a qualidade de vida dos tibetanos.

Uma nova estrada de ferro até a capital, Lhasa, foi usada como bandeira pelas autoridades como prova de que eles querem trabalhar pelo bem da população do Tibete.

História de protestos

Mas os tibetanos reclamam que o investimento só beneficiou aqueles da etnia chinesa Han que trabalham na região e que o efeito tem sido diluir - ou mesmo destruir - a cultura tibetana.

Houve tentativas do governo chinês e do Dalai Lama de iniciar negociações sobre uma maior autonomia para a região, mas pouco progresso foi feito até agora.

Protestos e rebeliões têm sido uma característica da vida tibetana desde que o Exército chinês chegou à região, em 1950.

A onda de protestos desta semana coincide com o 49º aniversário da mal-sucedida revolta de 1959, quando o Dalai Lama deixou a região para viver no exílio.

A última vez que protestos sérios aconteceram no Tibete foi no início de 1989, pouco antes do massacre da Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Naquela época, o presidente Hu Jintao era secretário do Partido Comunista no Tibete, e a maneira como ele lidou com os protestos fez com que recebesse a aprovação de seus chefes em Pequim.

Quase 20 anos depois, ele está ansioso para colocar um fim igualmente rápido às manifestações.

Fontes: BBC Brasil | Jornal A Folha de S. Paulo


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