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Fatalidade (Conto de Primeiras estórias), de Guimarães Rosa

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Conto narrado em primeira pessoa (testemunha), cujos personagens são: Meu Amigo, delegado filósofo,
que já foi de tudo na vida, e Zé Centeralfe, caboclo perseguido por um valentão que lhe quer roubar
a esposa.

Os recursos de linguagem utilizados são barbarismos e elipses (“adonde” barbarismo popular).

O conto contrapõe o poder da autoridade ao poder do homem comum, submetido às leis e tematiza, em
última instância, a violência arbitrária existente no sertão. Esta, por sua vez, justifica o título,
pois assume um caráter de fatalidade. Portanto, a fatalidade (a morte) é o tema do conto, sem
associação com o cômico, mas com o místico.

Trata-se da história de Zé Centeralfe, que vive acochado, pois sua esposa desonrosamente está sendo
cortejada por um facínora, Herculinão. O casal, para evitar problemas, mudou-se do Pai-do-Padre
para Amparo. Mas o bandido segue-os. Mudam-se então para a cidade, onde deveria haver lei, ordem,
segurança, mas continuam sendo seguidos. É por isso que o pobre homem vai pedir ajuda ao delegado,
chamado pelo narrador de Meu Amigo, figura que cita intensamente os filósofos gregos. A intenção é
obter o apoio da justiça dos homens. No entanto, Zé Centeralfe é induzido a outro tipo de moral.
Aparentemente, é a justiça pelas próprias mãos, pois o delegado convence Centeralfe, apenas com o
olhar, a pegar as armas. Assim que saem, encontram Herculinão, que é assassinado com um tiro no
peito (coração) e outro na cabeça (mente).

Em Fatalidade, aprende-se a viver, não debaixo da lei do determinismo de um destino alheio
e estranho aos reclamos do coração, mas sob a graça da liberdade de transformar a inexorabilidade
de uma sentença fatal na maleabilidade de uma disposição vital capaz de não desperdiçar a ocasião
oportuna de reespiritar-se.

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