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Madame Pommery, de Hilário Tácito

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Madame Pommery

é o único romance de Hilário Tácito,
pseudônimo do engenheiro José Maria de Toledo Malta, nascido em
1885 e falecido em 1951. Homem culto, porém retraído, pouco produziu
no campo da Literatura.

Conforme declara expressamente seu narrador, é apenas uma crônica,
não um romance – truque quase que convencional para que se atinja a veracidade
e se “convença” o leitor.

A obra é a crônica de uma prostituta bem sucedida que “faz
a América”, mas que na realidade serve apenas de pretexto para que
o narrador trace, de forma bastante irônica e humorística, as características
de uma cidade (São Paulo) no momento em que se moderniza, em que ingressa
em um mundo mais civilizado, talvez cosmopolita. É a crítica bem-humorada
de falsas moralidades, conservadorismos hipócritas e dos desregramentos
de uma sociedade rica porém provinciana.

O romance procura narrar as aventuras da célebre cafetina Ida Pomerikowski
(cognominada Madame Pommery) em São Paulo, revelando todo um processo
de assimilação civilizatória que tinha como referência
a cidade de Paris, na virada do século. Além disso, a obra possui
uma peculiaridade nada desprezível: enquadra-se numa tendência
particular da expressão literária do começo do século,
justamente aquela que revelava preocupação com a problematização
da realidade nacional, colocando-o ao lado dos mais eminentes representantes
do que já se chamou um vez de “Brasil Real”.

Mas o fato mais saliente do livro fica por contada dívida que ele possui
para com a prosa singularde Machado de Assis. Com efeito, são inúmeros
os indícios que revelam em HilárioTácito um caudatário
de Machado de Assis, sobretudo no que diz respeito ao estilo literário.
Exemplo claro dessa relação pode ser entrevista na utilização
de um recurso, pelo autor paulista, muito caro a Machado, a saber, aquela espécie
tão singular de se referir ao leitor no decorrer da narração,
cooptando-o e colocando-o como participante ativo do enredo ficcional. Não
poucas vezes, Hilário Tácito emprega recurso semelhante, dando
inclusive às passagens desse tipo o desprendimento e ironia semelhantes
àqueles empregados pelo romancista celebrado.

Madame Pommery, ao lado de suas qualidades literárias, o tom
parodístico, a linguagem falsamente elevada, “literária”,
como convém à paródia deste tipo, tem, ainda, um lado documental,
como relato da vida noturna de SP/início do século, é a
crônica da vida airada da cidade, com a crítica de valores e costumes
da época.

Madame Pommery destaca-se no universo dos romances que, isolados,
desempenharam papel de relevo nas primeiras décadas do século,
como Mocidade Morta, de Gonzaga Duque, ou Exaltação,
de Albertina Bertha. Além disso, é relevante o caráter
documental que, vez por outra, o romance parece assumir quase que deliberadamente,
dando-nos um painel entre malicioso e humorístico dos anos eufóricos
que começavam a despontar no horizonte. Afirma-se, portanto, como uma
obra de auxílio no trabalho de reconstituição da nossa
Belle Époque; e, também, como um esboço singular do mundanismo
que, desde o começo do século, tomava conta da sociedade urbana
de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Os recursos técnicos, como acontece com a tradição deste
tipo de romance, são bastante variados, como em um exercício de
técnica literária. Destes, podem-se destacar o tipo de narrador
escolhido (primeira pessoa-testemunha), os relatos narrativos, panorâmicos,
rápidos, sem se deter no detalhe psicológico, sem maior esforço
para pôr de pé suas personagens (na realidade, pretextos). Uma
cena em estilo dramático (formada apenas por diálogos).

Além dos recursos acima, devem ser destacados aqueles em que se torna
mais evidente sua filiação literária. Estão neste
caso: interlocução, metalinguagem, ironia, alusões (literárias),
citações em itálico, linhas pontilhadas, digressões
reflexivas e estilo dramático.

A paródia, entre outras formas, aparece em frases latinas de aparência
solene, para descrever o ambiente sórdido de um lupanar.

ASPECTOS IMPORTANTES

Como toda obra pré-modernista que se preze, a análise dos tipos
sociais urbanos, a crítica ágil da hipócrita sociedade
burguesa, numa denúncia da existência de dois Brasis, múltiplos
em suas riquezas e composições é sempre o cerne de toda
a narrativa.

O discurso ágil e os galicismos são típicos ao traçar
a coloquialidade da fala na escrita.

ESPAÇO / TEMPO

Início do século XX. Inicia-se, apenas como relato narrativo,
na Europa. Desenvolve-se, entretanto como principal espaço da narrativa,
a cidade de São Paulo. Fechado: as principais cenas narrativas dão-se
no recinto de Au Paradis Retrouvé.

O tempo é acelerado até o momento em que a Madame se instala
em São Paulo. Daí em diante o ritmo torna-se mais lento, com cenas
mais compactas.

FOCO NARRATIVO

Narrador-testemunha. Narrado em primeira pessoa sem sua participação
na história.

PERSONAGENS

Madame Pommery – ou Ida Pommerikowsky, protagonista,
cuja vida é posta em crônica. Artista de circo, prostituta, cafetina
de luxo, mulher da alta sociedade paulistana.
Zoraida – preceptora-cigana, com quem Ida aprende os segredos
da vida que finalmente levaria.
Pinto Gouveia – capitalista paulistano, amante temporário
de Madame Pommery, quem lhe financia os projetos.
Muitas prostitutas (nacionais e estrangeiras), freqüentadores diversos
do Au Paradis Retrouvé (Ao Paraíso Reencontrado), lupanar de Madame
Pommery.

EFABULAÇÃO

Filha de um domador de feras, um judeu polonês, e de uma noviça
espanhola, Ida Pomerikowsky, a futura Madame Pommery, nasceu em Córdoba
ou Cracóvia. Pequena ainda, sua mãe (judia) a abandona para fugir
com um toureiro espanhol. Aos quinze anos já dançava ao pandeiro
e lidava com as feras de um circo. Educada no ambiente circense, não
foi difícil para um velhote ricaço de Praga estuprá-la.
O pai de Ida exige do estuprador nove mil coroas, que afinal de contas vão
parar, por mil tramóias, nas mãos da própria Ida. Ela foge
e vai correr o mundo, como prostituta.

Depois de suas experiências por vários países, quase que
por acaso (contratou uma viagem com um capitão de navio) chega ao Brasil.

Instalada em São Paulo, não se conforma com o atraso da vida
noturna da cidade e depois de algum tempo monta um prostíbulo de luxo,
que passa a ser a referência de boêmios e homens da moda. O dinheiro
que ganha com tal atividade (cafetinagem) é suficiente para pagar o empréstimo
inicial (aliás, pagamento em forma de superfaturamento do consumo de
quem tomara o empréstimo) e ainda lhe resta uma fortuna apreciável.

De posse do dinheiro, Madame Pommery, obrigada por razões jurídico-sociais
a abandonar a profissão, resolve casar-se e escolhe, para isso, pessoa
da mais alta sociedade de São Paulo, situação a que, por
sua fortuna, também ascendera.

Nota: Nos anos 1920 houve um progressivo refinamento dos cafés-concerto,
transformados em cabarés, onde se dançava com as cocottes, jogava-se
pôquer e se consumiam drogas da moda. O chope gelado era trocado pelo
champanhe francês. Na obra Madame Pommery esta nova realidade
ganha forma na figura da prostituta que dá nome à obra e que administra
um dos cabarés da cidade de São Paulo. O autor descreve a passagem
de uma sociedade “arcaica”, que consumia produtos ultrapassados
como a cerveja, para uma sociedade “civilizada” em que o champanhe
era consumido corriqueiramente, entrando na vida cotidiana daqueles que queriam
ser reconhecidos como parte da modernidade. Duas passagens do texto ilustram
o argumento:

Vendia-se cerveja, arvorada em bebida de gente fina, a dois mil-réis
a garrafa. E achavam caro! O champanha, considerado um luxo de nababos, venerava-se
nos armários com cerimoniosa devoção; e apenas descia deles
em datas inesquecíveis, com estrondos escandalosos, cujos ecos, dilatados
pela fantasia dos sobreviventes, se repetiam por largo tempo nas imaginações
e nas conversas
(Tácito 1998:21).

O uso do champanha a trinta mil-réis a garrafa devia tornar-se
compulsório. E a assistência profissional a ninguém seria
prestada a menos de cem mil-réis. Os coronéis, em breves prazos,
estariam ensinados e convictos que pagar mais barato é ignóbil,
e não beber champanha uma torpeza. Então beberiam champanhadas
e pagariam satisfeitos; pois esta casta de tipos não cede por nenhum
preço a reputação de finos e dadivosos perante o mulherio

(Tácito 1998:56).

RESUMO

O primeiro capítulo, assim com as muitas interferências do narrador,
explica os motivos que o levaram a escrever a história de Madame Pommery.
Afirma o narrador que se trata de uma história verdadeira e narrá-la
significa uma tarefa nacionalista, já que muitos não se importam
em contar as “altas e maravilhosas aventuras de Madame Pommery”, quem,
segundo o narrador, tem prestado serviços inestimáveis à
“desbotucudização” da nossa sociedade.

Depois de afirmar que Madame Pommery existe verdadeiramente, apresenta-se o passado
da protagonista. Ida Pommerikowsky, filha de um judeu domador de feras de um
circo e de uma noviça de um convento espanhol, vem para o Brasil no início
do século. Mas, ainda na Europa, sua vida sofreu grandes abalos.

Consuelo Sánchez, mãe de Ida, abandona o pai e a filha – que
tinha então três anos -, fugindo com um toureador. A menina é
criada com a ajuda de Zoraida, uma preceptora cigana, e aprende as artes do
circo com o pai Ivã Pommerikowsky, de quem herda o gosto pelas finanças.
Aos quinze anos, já bastante interessada nas coisas do sexo, Zoraida
a inicia nas artes do amor, a pedido do próprio pai.

Os planos do pai parecem que se realizariam quando, estando em Praga, um ricaço
se enamorou de Ida. Mas a menina, percebendo a intenção do pai
em ficar com o dinheiro pago pela sua virgindade, foge com o cheque de 9000
coroas enquanto o ricaço roncava no leito. Zoraida a acompanha. A partir
daí, Ida inaugura sua vida de prostituição, percorrendo
toda a Europa. O seu “nome de guerra”, Madame Pommery provavelmente
vem da champanha Pommery, de que tanto gostava.

Aos trinta e quatro anos, em Marselha, já decaída, mas ainda
desejável, torna-se artista de cabaré. Conhece então o
marujo Mr. Defer, a quem seduz e com quem viaja para a América do Sul,
fascinada com as possibilidades de rápida fortuna anunciadas por Defer.
Chegou ao Brasil, no cargueiro “Bonne chance” e desembarcou em Santos.
No hotel em que foi jantar com Defer, Madame Pommery encontra Zoraida, com ar
de senhora respeitável, repleta de jóias, acompanhada do marido.
Zoraida finge não reconhecer Pommery que, inconformada, pede ao garçon
explicações sobre o casal da outra mesa. Fica sabendo que se trata
de gente importante – Coronel Pacheco Isidro e Dona Zoraida -, donos de muitas
fazendas e influentes na política. Madame Pommery fica extasiada; percebe
as possibilidades da terra em que havia chegado e decide que o Coronel seria
seu homem. Despede-se de Defer e ruma para São Paulo, no encalço
de Zoraida e Pacheco Isidro. Pretendia chantagiar o casal, em troca do silêncio
sobre o passado de Zoraida.

Na metrópole paulistana, Madame Pommery volta ao trabalho: no Hotel dos
Estrangeiros, uma vez mais é uma prostituta e artista de cabaré.
Encanta a todos, não tanto pela sua beleza física, já quase
desaparecida, mas pela simpatia e comicidade. Foi alargando o círculo
das amizades, dos admiradores e percebeu que todos conheciam o casal Zoraida
e Pacheco Isidro e também o passado de prostituta da colega de outros
tempos. Portanto, o plano de Madame Pommery de chantagiar estava anulado. Restava-lhe
arrumar um sócio e fundar uma bordel, para ganhar tanto dinheiro que
suplantasse a superioridade de Zoraida.

São Paulo àquela época, Madame Pommery logo percebe, é
ainda provinciana, a despeito das modernizações por que passava.
Especialmente a moral, os “bons costumes”, o comportamento mantinham-se
ainda tradicionais, conservadores e hipócritas. Coronel Pinto Gouveia,
um dos enamorados de Madame Pommery, queixava-se da precariedade e insipidez da
vida noturna da cidade, a repugnância do meretrício local. Pommery
não desperdiçou a oportunidade e pediu um empréstimo ao
Coronel, com o intuito de fundar uma casa em que bebida cara, o luxo e as tentações
da carne levariam os freqüentadores a gastar o que tinham e o que não
tinham. O Coronel, depois de uma noite de amor e embriaguez que o deixaram descadeirado,
concede o dinheiro pedido: não os dez contos, mas apenas seis. Apesar
de se sentir traída, era o início da glória de Madame Pommery,
que ensinaria São Paulo a valorizar os prazeres da noite.

Com o empréstimo, Madame Pommery instalou no largo do Paissandu, próximo
à rua São João o seu Paradis Retrouvé, prostíbulo
que ficaria logo famoso. Madame Pommery acolhia Coronel Pinto Gouveia, mas incomodava-se
com o fato de ter com ele uma dívida e queria, logo que fosse possível,
safar-se do amante e sócio. Os gastos exagerados de Pinto Gouveia, manejados
habilmente por Pommery, logo ultrapassaram a soma dos seis contos que o velho
homem havia emprestado. Pinto Gouveia, para piorar a situação,
descobre que Pommery tinha novo amante, Filipe Mangancha. Contrariado, vai-se
embora do Paradis Retrouvé e manda pagar o que deve. Madame Pommery havia
encerrado seus negócios com o Coronel e, agora dona exclusiva do bordel,
tinha caminho livre pela frente.

Filipe Mangancha, o novo amante, mantinha no Teatro Cassino um espetáculo
de variedades. O teatro era um lugar ideal para Madame Pommery e suas meninas
exibirem-se em público.

Madame Pommery articulava todos os passos que dava. Como lembra o narrador, herdara
da mãe a disciplina do convento, de modo que estipulou no Paradis Retrouvé
normas de convívio que não admitia ver quebradas. Seu objetivo
era atingir o lucro – e isso herdara do pai judeu – e garantir nobreza à
profissão de cafetina. Elegância na vida devassa, coisa que aqueles
paulistanos simplórios apesar de ricos não conheciam antes da
chegada de Pommery à cidade. Agora, no Paradis Retrouvé tinham
a chance de conhecer o melhor estilo de prostituição, mas deviam
também pagar por isso: nada de preços baratinhos, nada de cerveja:
champanhe da boa e taxas que pagassem a qualidade dos serviços lá
prestados. Se bem que o serviço não era lá tão especial
assim: suas meninas “vindas da Europa” eram, na verdade, bem brasileiras
e de origem bem ordinária; a champanhe servida não era das melhores
e o ambiente não era decorado no luxo que o nome poderia fazer supor.
É a simpatia e o zelo de Madame Pommery e a alegria de alguns freqüentadores,
entre eles Filipe Mangancha, que garantem a atmosfera exuberante do local.

Um dia Mangancha conversa com um colega, Narciso, em que o primeiro defendia
e o segundo atacava a ingestão de bebidas alcoólicas. Interrompendo
a conversa, Madame Pommery chega, dizendo estar passando mal. Levada para o quarto,
na verdade foi encontrar-se com seu novo pretendente: Romeu das Camarinhas,
moço romântico e galante. Madame Pommery já estava cansada
de Filipe Mangancha e, além de tudo, a Companhia Paulista de Teatro e
Passatempo já tinha decaído e não mais interessava para
Pommery levar suas meninas para se exibirem no espetáculo de Mangancha.
Tinha chegado, portanto, a hora de desfazer-se dele. Ela queria agora freqüentar
o Bar do Municipal, para manter-se em contato com a aristocracia.

Filipe Mangancha fica irado quando sabe da traição de Pommery
mas, como um cirurgião tinha de manter a boa reputação,
nada fez a não ser pagar as contas atrasadas. Começava a fase
mais estável e brilhante de Madame Pommery, ao lado de seu Romeu das Camarinhas.

O Paradis Retrouvé tornou-se o ponto de encontro da elite financeira.
Lá se fechavam os negócios que moviam São Paulo. Passar
pelo bordel de Madame Pommery era sinônimo de prestígio e de elegância.
Em contrapartida, as meninas de Pommery e a própria cafetina passaram
a freqüentar as sessões do cinematógrafo, novidade da fidalguia
local. A cortesãs, antes confinadas, agora podiam participar da sociedade,
mostrar suas caras ao público em geral, compartilhar de momentos com
esposas e filhos daqueles homens que eram clientes do Paradis Retrouvé.
O mundo respeitável das senhoras e senhoritas de família se punha
em contato com o mundo da prostituição, que, desde a chegada de
Madame Pommery já não era mais vergonhoso. As moças que iriam
se casar passaram até a receber cursos no Paradis Retrouvé!

Um único acontecimento desestabiliza a tranqüilidade de Madame Pommery.
Trata-se da visita de Justiniano Sacramento, funcionário público
que pretende cobrar enormes somas de impostos do Paradis Retrouvé. Mas
a sorte estava do lado da proprietária. O Coronel Fidêncio Pacheco
Isidro, isso mesmo, o marido de Zoraida, tinha se tornado um freqüentador
do prostíbulo e, por coincidência, era justamente naquela época
o Ministro dos Impostos. Coronel Pacheco Isidro coloca-se a favor de Madame Pommery
e, para que Justiniano não criasse mais caso, Chico Lambico, o redator
do “Jornal de São Paulo”, onde Justiniano também trabalhava,
conta ao corretíssimo funcionário público que o próprio
Ministro freqüentava o Paradis Retrouvé. Atônito, mas interessado,
Justiniano empolga-se por conhecer o lugar. Maravilhou-se com a sociedade que
lá encontrou, ainda que tenha ficado um pouco decepcionado com a falta
de religiosidade que pôde observar nas meninas. O resultado foi melhor
do que se esperava: Justiniano abaixa as taxas do Paradis Retrouvé, conforme
pedido de Pacheco Isidro. Mais ainda: começa a sentir uma vontade irresistível
de voltar ao bordel, onde gastou todas as suas economias. Madame Pommery fica
comovida com a desgraça financeira de Justiniano e pede a Pacheco Isidro
que aumente o salário do funcionário.

Só faltava uma coisa para coroar a existência de Madame Pommery.
Não nos esqueçamos que tudo que fez, toda a fortuna que acumulou
foi para se vingar do desprezo de Zoraida no encontro que tiveram no restaurante,
quando Pommery chegara ao Brasil. Faltava uma única coisa: casar-se .
Com isso, entraria de vez por todas no círculo aristocrático paulistano.
Analisou vários possíveis candidatos e estrategicamente vendeu
o Paradis Retrouvé, para retirar-se à vida privada. Era o primeiro
passo para a regeneração. Casou-se? Não se sabe. Mas o
narrador – e nós mesmos – ficamos morrendo de vontade de conhecer como
acabou a vida de Madame Pommery.

Créditos: Prof. Menalton Braff | Maurício Silva (Mestre)
Curso de Letras – Centro Universitário FMU e Centro Universitário
Nove de Julho (SP) | Marcelo Gruman – pesquisador do Centro de Estatística
Religiosa e Investigações Sociais (CERIS) e doutorando do Programa
de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional
/ Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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