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O Mistério da Casa de Sintra, de Eça de Queirós

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O Mistério da Estrada
de Sintra

é um livro de características únicas na Literatura Portuguesa:
é a primeira narrativa de cunho policial da literatura nacional. É também a
primeira incursão na ficção literária de Eça, de sua fase pseudo-romântica (aliás,
autor da maior parte dos capítulos). É o primeiro livro de dois dos maiores
vultos da literatura portuguesa da segunda metade do séc. XIX, Eça de Queirós
e Ramalho Ortigão. Nele surge, e também pela primeira vez, o célebre Fradique
Mendes, “alter ego” de Eça e que, mais tarde, terá produção literária própria.

A obra primeiramente foi publicada sobre a forma de cartas
anônimas, no Diário de Notícias, entre 24 de Julho e 27 de Setembro de
1870. Em 1884 é editado em livro. O livro é o resultante de uma brincadeira
provocatória que ironiza, a partir dos exageros inverossímeis dos amores de
Rytmel, Luisa e Carmen.

Caricaturalmente de tipo folhetinesco e romântico, pretendia
agitar a ociosidade e a apatia da sociedade lisboeta e a desautorização da
atonia sentimental, mental e estética do público português, favorecida pelo
elevado consumo de ficção melodramática e rocambolesca.

Brincando com os leitores, Eça e Ramalho enviam uma carta
para o “Diário de Notícias”, supostamente de um leitor que afirmava conhecer
A.M.C. e declarando reconhecer incongruências no que vinha sendo publicado. Com
esta carta, o público fica ainda mais confundido mas também mais convencido da
veracidade da história.

Enredo

A história começa com o seqüestro de um médico – DR. TTT – e
do seu amigo – F., um escritor. O rapto, realizado por quatro mascarados, ocorre
na estrada de Sintra.

O Dr. TTT e o seu amigo são levados para uma misteriosa casa,
onde se encontrava o cadáver do inglês Rytmel. Sabendo que um deles era médico,
os raptores pretendiam verificar se, de fato, o homem estava morto. Entretanto,
são surpreendidos pela entrada de um jovem – A.M.C., que viria a esclarecer todo
o mistério.

Rytmel era, afinal, um oficial britânico que morreu vítima de
uma dose excessiva de ópio que lhe dera a amante – Luisa, condessa de W., prima
do mascarado alto. Esta desejava apenas adormecê-lo para confirmar nos seus
papéis se ele era ou não casado com uma irlandesa.

Luisa era casada com um homem rico que não a fazia feliz.
Conhecera Rytmel numa viagem que fizera com o marido e com o primo a Malta.
Carmen disputara Rytmel com Luisa. Quando Rytmel anuncia a Luisa a sua vinda,
esta suspeitando do seu casamento com Carmen, enciumada, mata-o
involuntariamente.

A.M.C., estudante de Coimbra honesto e provinciano, ouviu as
confidências da condessa e dispôs-se a ajudá-la na noite do falecimento de
Rytmel, em que a encontrara desvairada e nervosa. Quando volta ao local do
crime, a pedido de Luisa, encontra os bandidos, o médico e o seu amigo.

Todos juntos, julgariam a atitude de Luisa e fariam o enterro
do pobre inglês.

Luisa acaba por se isolar num convento.

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