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O Moleque Ricardo, de José Lins do Rego

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Romance regionalista,
O Moleque Ricardo, publicado em 1935, é primeiro romance narrado em terceira
pessoa de José Lins do Rego e faz parte das chamadas obras independentes do
autor, juntamente com Pureza e Riacho Doce, que apresentam ligação
com os dois ciclos: o da cana-de-açúcar e o do cangaço. Temos
nesta obra um socialismo social que se afasta de certas coordenadas neonaturalistas
dos primeiros romances.

É o romance mais político de José Lins. Nesta obra, a realidade nordestina está retratada no
personagem Ricardo, que, de moleque e serviçal de engenho, passa a proletário
urbano. É o romance satélite do ciclo da cana-de-açúcar. Sob o ponto de vista
cronológico, fica entre Banguê e Usina. É a história de um
daqueles moleques de eito, aparecidos em Menino de Engenho, e que se destaca dos
companheiros, abandona Santa Rosa e vai para a cidade com a intenção de mudar de
vida.

Em O Moleque Ricardo, retira-se o melhor rebento da
bagaceira para alçá-lo à condição de proletário, cotejando-se assim o mundo
material e espiritual do operário de engenho ao da fábrica. É a narrativa
ficcional repetindo a tese da sociologia e das elites nordestinas, segundo a
qual a sorte do “alugado” do eito vencia por bem mais do que um focinho a de
“assalariado” urbano. Porém, de certo modo, a volta do moleque Ricardo ao
engenho, do qual fugira aos 16 anos, registra que o caminho abandonado já era o
único possível a ser seguido.

A obra demonstra o temor dos regionalistas com as novas práticas e o estilo de vida trazido pelas
espaços modernos. Assim, analisando a obra, podemos perceber como a construção
histórica do nordestino também possui suas descaracterizações, presente nas
cidades (modelos de decadência dos costumes “tradicionais”), com práticas
consideradas desvirilizantes.

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