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Atriz Tânia Alves fala sobre sua peça e a carreira em Artes Cênicas

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Tânia Alves, atriz e cantora, na
personagem Tieta, em peça teatral
baseada na obra “Tieta do
Agreste”, de Jorge Amado

Tânia Maria Rego Alves nasceu em Bonito de Santa Fé, na Paraíba.
É atriz, dançarina, cantora e empresária brasileira. O
trabalho mais recente de Tânia Alves como atriz, na TV, foi na minissérie
“Amazônia, de Galvez a Chico Mendes”, na Rede Globo. Atua como
empresária desde 1999, e é mãe da também atriz Gabriela
Alves.

Em entrevista a Leonardo Campos* ela nos fala sobre sua nova peça e
a carreira em Artes Cências. Leia a seguir.

Leonardo Campos – Tieta do Agreste é
talvez o romance mais feminista de Jorge Amado. Você concorda com isso?
O que acha que há por trás dessa personagem com características
de uma diva?

Tânia Alves – Tieta é a síntese
de todas as personagens de Jorge Amado. Isto gera uma complexidade e riqueza
muito grandes. Talvez feminista sim, por conta da força e influência
que esta mulher imprime com sua presença. Diva, porque feminina, sedutora
e grandiosa.

LC – Como foi a preparação e o que representou
para você interpretar um personagem tão forte da literatura brasileira?

TA – Para mim está sendo um privilégio,
um presentão! Estudei a fundo o livro e mergulhei na adaptação
tão bem feita por Christina Trevisan. Foram escolhidas as tramas e personagens
mais interessantes. Estudamos todas estas relações, trabalhamos
a voz e o corpo para o musical. Pude brincar de fazer um sotaque diferente do
meu. Foi uma delícia!

LC – As traduções intersemióticas
(adaptações) de Jorge Amado ganharam o mundo. Você acha
que Tieta, de modo geral, contribuiu ou ainda contribui para os olhares estereotipados
de mulher brasileira nos filmes e séries de TV, em especial, os de origem
norte-americana?

TA – Não, pois a complexidade da personalidade
de Tieta transcende qualquer estereótipo. Por dentro do voluptuoso biotipo
mestiço e latino, encontramos uma mulher instintiva, mas com sensibilidade
política, sensual, mas perspicaz, amorosa, mas temperamental, generosa,
mas autoritária e outras contradições de uma verticalidade
que decididamente não tem nada a ver com o óbvio ou o previsível.

LC – Qual a sua relação com a literatura
amadiana?

TA – Li alguns dos livros de Jorge Amado e adorei sua
irreverência bem brasileira, sua crítica ferina e bem humorada
dos costumes, da política e da religião, a sensualidade de seus
personagens, o calor das situações, seu estilo, seu tempero, enfim,
sua baianidade. Interpretei ainda a personagem Mercedes na mini-série
da TV Globo, “Tenda dos Milagres”, o que me rendeu elogios por parte
deste grande autor e de Zelia Gattai. Fiquei muito lisonjeada!

LC – Como foi adaptar o romance amadiano para um musical?

TA – Nem imagino o trabalho que a diretora e adaptadora
Christina Trevisan teve. Como foi o processo, de onde partiu. Só sei
que a adaptação ficou muito bem feita. O mesmo digo para as belíssimas
músicas de Pedro Paulo Bogossian. Soma-se a isto uma linda luz, uma bela
coreografia, belos figurinos, um elenco afiado e apaixonado. Enfim, trata-se
de uma síntese inteligente, emocionante e divertida, que tem arrancado
suspiros, gargalhadas e aplausos por onde a nossa marinete tem nos levado!

LC – Artes cênicas no Brasil. O que acha da difusão
deste profissão no mercado brasileiro?

TA – Não há realmente uma difusão,
ou um incentivo. O que vemos hoje são pessoas que quando dizem que querem
ser atores, na verdade estão querendo dizer que querem aparecer na televisão…
A televisão é um veículo maravilhoso, adoro fazer, mas
não acho saudável culturalmente falando, que a nossa dramaturgia
seja monopolizada por uma linguagem apenas. O teatro e o cinema são expressões
maravilhosas também.

LC – O que você diria para aqueles que escolhem
essa profissão atualmente?

TA – Tenham uma outra profissão paralela para
não dependerem apenas de uma carreira tão instável quanto
a de ator. Mas não deixem de se dedicar, de assistir espetáculos,
filmes, enfim de estar ao par de tudo, de frequentar os lugares onde podem encontrar
pessoas para trocar uma idéia sobre o a assunto, participem de cursos,
workshops, palestras, estejam com o corpo e a voz em dia, fazendo aulas, pratiquem
a meditação… e boa sorte!

*Graduando em Letras Vernáculas com Habilitação em Língua
Estrangeira Moderna – Inglês – UFBA | Membro do grupo de pesquisas “Da
invenção à reivenção do Nordeste” –
Letras – UFBA | Pesquisador na área de cinema, literatura e cultura

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