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Entenda as eleições argentinas

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Casa Rosada, sede do governo argentino.

As eleições gerais argentinas de 2007, marcadas para este 28 de outubro, foram
a última etapa de um processo que começou em março, com a eleição do governador
de Catamarca, no noroeste do país. Desde então, ao longo dos meses, outras 13
províncias escolheram novos governadores. Neste 28 de outubro, além da eleição
nas outras províncias, renovaram-se um terço do Senado, metade das cadeiras da
Câmara de deputados e elegeu-se um novo presidente.

Presidência

Trata-se de eleição direta. Vence aquele com mais de 45% dos votos válidos ou com mais de 40% e uma
diferença de pelo menos 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado.

Governos

Eleição por maioria simples. As eleições provinciais são vistas como teste de poder político dos candidatos
presidenciais sobre seus “feudos” políticos regionais.

Congresso

Os partidos formam listas fechadas com o mesmo número de vagas em disputa. A eleição segue um sistema de
proporcionalidade: a lista com mais votos tem mais candidatos eleitos. O número de cadeiras atribuído às
províncias também segue o sistema proporcional.

Senado

São eleitos três por província: dois do partido com mais votos, um para o segundo partido mais votado. A
eleição é com base em lista fechada.

Cenário – Um país em recuperação

Ostentando
taxa de crescimento cerca de duas vezes maior que a brasileira, a Argentina corre
atrás dos prejuízos contabilizados com a crise econômica iniciada em 2001, a reboque
da crise asiática de 1998. Diante  de uma massiva fuga de capitais, desemprego
recorde e metade da população na pobreza, o governo declarou uma polêmica limitação
de saques bancários – o famigerado “corralito” -, que causou revolta popular,
“panelaços” e a queda do presidente Fernando de la Rúa. Adolfo Rodríguez Saá,
um dos presidentes provisórios, chegou a declarar calote das dívidas do país.

Para conter a crise, Eduardo Duhalde, que assumiu a presidência até 2003, desvalorizou
o peso. Essa medida teve efeito no saldo comercial entre Brasil e Argentina, quando
o País atingiu o nível recorde de déficit em relação ao vizinho, seu maior parceiro
na América Latina.

Quem levou os louros da recuperação foi Néstor Kirchner, que conjugou uma política interna de
assistencialismo, superávit fiscal, controle de preços, desvalorização da moeda e acúmulo de reservas no
Banco Central com uma série de medidas protecionistas no campo externo.

O país, no entanto, ainda enfrenta os efeitos colaterais da crise. Um dos problemas é que o nível de
investimento interno não acompanha o ritmo do crescimento. O setor energético é o que mais sofre: em julho
deste ano, um apagão deixou diversas regiões da Argentina sem energia por alguns dias e abalou a indústria
e o turismo. Além disso, a inflação volta a assustar.

Desafios do novo presidente

A inflação oficial nos últimos 12 meses foi de 8,6%. Esse é um dos índices mais altos da região, segundo
diferentes consultorias privadas. E uma pesquisa realizada pela Sel Consultores entre empresários revelou
que, para as empresas, a inflação nesse périodo foi o dobro da oficial, 16,5%.

O mesmo opinam diferentes economistas. “Num país com memória inflacionária, a indexação dos preços costuma
ser lançada automaticamente”, disse o especialista Antonio Cicioni, do Cippec (Centro de Implementação de
Políticas Públicas).

Para Cicioni, os argentinos ainda recordam a hiperinflação histórica registrada nos anos 80. “A inflação
não é um problema simples de resolver na Argentina”, disse.

Tarifas

As tarifas dos serviços públicos privatizados, como gás, telefone e energia, estão, por sua vez, congeladas
há seis anos.

Representantes das empresas pedem ajustes, alegando que, além de congeladas, as tarifas foram “pesificadas”
– desvalorizadas frente ao valor do dólar em 2002.

“Acabou o soninho da administração federal. O próximo governo vai ter que adotar ajustes e aumento das
tarifas, principalmente de energia”, disse o economista Daniel Artana, da consultoria FIEL.

No último inverno, diferentes empresas reclamaram de cortes de luz e houve temor de um apagão. O setor
empresarial argumenta que é necessário ajustar tarifas para ampliar investimentos e evitar a falta de luz
no próximo verão.

Segundo o jornal El Cronista, o setor industrial decidiu “colocar o pé no acelerador” agora para não sofrer
ameças de corte de energia elétrica no verão.

De acordo com Cicioni, o setor industrial argentino usou no mês passado um índice recorde das suas máquinas
(78,7% do total), num momento em que o consumo também bate altos índices, após quatro anos seguidos de
crescimento econômico com taxas anuais superiores a 8%.

O temor no setor industrial, afirmam diferentes economistas, é que esse alto índice da capacidade instalada
gere problemas no setor de consumo e contribua para a alta de preços.

Fontes: O Estado de S. Paulo | BBC Brasil

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