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Uso da Internet sem fio amplia possibilidades pedagógicas

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Conhecimento em qualquer lugar

Uso
da internet sem fio amplia as possibilidades pedagógicas das instituições
e os alunos passam a ter acesso ao conteúdo de ensino nos ambientes mais
diversos.

Dentre os ambientes mais freqüentados da maioria das universidades, as
salas de computadores com acesso de banda larga à internet costumam ser
os campeões. Até mesmo nas bibliotecas, os terminais que levam
os alunos à grande rede são mais concorridos que livros e periódicos.
A explicação do fenômeno está no hábito dos
universitários, que atualmente fazem tudo pela internet: trabalham, estudam,
procuram emprego, fazem compras, se relacionam com outras pessoas, escrevem
em blogs e pagam contas.

Com a demanda cada vez maior pelo acesso, instituições de ensino
superior que buscam servir melhor o público procuram maneiras de expandir
o acesso e atender de maneira mais fácil a todos os estudantes. Uma das
soluções encontradas é a rede wi-fi, que é capaz
de oferecer grande velocidade de acesso, expandir um link de banda larga para
todo o espaço do campus e abranger equipamentos móveis pertencentes
a estudantes, como notebooks, PDAs e celulares.

A Universidade de Fortaleza (Unifor) aderiu à nova tendência quando
percebeu que facilitar o acesso do aluno à internet a aproximaria do
objetivo maior na estratégia da instituição: o aprendizado.
Em 2005, a universidade montou um projeto piloto que abrangia a biblioteca e
o centro de convivência, locais de grande concentração de
alunos. “Com essa primeira experiência, percebemos que a adesão
ao serviço é muito grande. No final do ano passado, inauguramos
a cobertura total do campus”
, revela Gilberto Santiago, gerente de
tecnologia da informação da Unifor.

A rede wi-fi também pode facilitar o dia-a-dia do professor na sala
de aula. Com o recurso, os professores podem utilizar a internet com fins pedagógicos
em qualquer espaço da instituição. “Com um notebook
e um retroprojetor, toda sala pode contar com recursos multimídia avançados
e acessar material em nossa intranet”
, complementa Santiago.

A Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (Famecos) também aderiu à
tecnologia, buscando oferecer acesso aos alunos e professores e facilitar a
transmissão de vídeo entre as salas do departamento. “Fomos
a primeira faculdade do Brasil a ter uma rede sem fio, ainda em 2001, graças
à iniciativa de um fabricante de tecnologia que escolheu a Famecos para
demonstrar seus serviços”
, diz Eduardo Pellanda, coordenador
do centro de produção multimídia da faculdade.

Cada vez mais alunos da PUC-RS aderem à tecnologia e utilizam a rede
tanto durante as aulas quanto nos outros períodos, do saguão da
faculdade ou de dependências perto do prédio. “Além
dessa facilidade, podemos deslocar os computadores dos laboratórios sem
perder tudo o que eles oferecem dentro de sua sala original
“, afirma
Pellanda.

A rede wi-fi também já é realidade em todas as dependências
da PUC Rio de Janeiro. A instalação da rede na instituição
foi motivada pela flexibilidade de acesso que ela fornece aos alunos, professores
e funcionários. “Além disso, ganhamos muito em mobilidade
e fornecemos a rede em qualquer ponto a um custo muito mais baixo do que se
fôssemos cabear todo o campus para prover o acesso em nossas 150 salas”
,
afirma Luís da Silva Melo, professor do Centro de Estudos em Telecomunicações
da universidade.

Segundo ele, a instituição implantou apenas a primeira fase do
projeto. Na segunda fase, ainda em planejamento, a universidade vai interromper
a instalação de laboratórios tradicionais de PCs para a
utilização de notebooks em qualquer sala de aula. Os aparelhos
ficam armazenados em carrinhos, uma espécie de arquivos de laptops, onde
têm suas baterias recarregadas. Os carrinhos podem ser movidos para qualquer
sala de aula onde a utilização de computadores é necessária.
Com esse novo conceito, ganharemos em flexibilidade, pois salas de
aula comuns se transformarão em laboratórios de informática
e economizaremos espaço, já que os desktops exigem mesas grandes
para a instalação. O custo maior no notebook será compensado
por esses elementos. A adoção dessa estratégia só
é possível com a implantação de uma rede wi-fi que
abranja todo o campus com qualidade
“, atesta Luís da Silva
Melo.

Carolina Escada, aluna de arquitetura na PUC-RJ, é uma das usuárias
da rede e utiliza um notebook para usufruir a internet nas dependências
do campus. “Acesso a internet na PUC para fazer pesquisas em assuntos
relacionados aos estudos e para fins pessoais.”
Carolina também
usa seu equipamento no trabalho e tem a vantagem de realizar atividades relacionadas
ao seu dia-a-dia profissional na universidade. “Quando tenho tempo
livre, a rede é muito útil para meu trabalho”
, relata.

A instalação de redes sem fio nas instituições
de ensino superior passou a ganhar mais sentido com a popularização
de aparelhos móveis. No final de 2005, o Congresso Nacional aprovou a
Medida Provisória número 255, denominada MP do Bem, que reduziu
a taxação sobre PCs, laptops e monitores de cristal líquido
oferecidos com a CPU. O valor máximo do equipamento para que ganhasse
o benefício da isenção de PIS/Cofins era de R$ 2,5 mil,
estimulando a queda de preços de equipamentos móveis. Neste ano,
o valor para isenção subiu para R$ 4 mil e passou a beneficiar
diretamente estudantes que precisam de computadores com alguns recursos extras.

As medidas que reduziram o preço dos equipamentos geraram um grande
aumento do número de notebooks vendidos em 2006. O incremento foi de
96% nas vendas em relação ao ano anterior, representando um total
de 550 mil aparelhos. Segundo Marcos Ferraz, gerente de marketing da Vex, empresa
que realiza instalações de pontos de acesso sem fio à internet
a partir de links de banda larga já existentes, o momento atual é
de expansão da oferta do serviço. “O novo cenário
aumentou significativamente o acesso de usuários ao serviço, o
que estimulou o investimento por parte de instituições de ensino
nesse tipo de rede.”

Para Ferraz, o usuário de rede wi-fi nas instituições
geralmente faz parte do mercado de trabalho e utiliza a tecnologia para suas
atividades diárias, tanto como estudante quanto como profissional. “Na
maior parte do tempo, a rede é utilizada para pesquisas, troca de arquivos,
atividades diversas relacionadas ao estudo e também para trabalhar. É
uma forma de o aluno conseguir a mobilidade em suas tarefas, sem abrir mão
de se manter em um equipamento que abriga todas as suas atividades”
,
afirma.

O caso da PUC-RJ demonstra esse crescimento: ao detectar o aumento do número
de alunos que possuem notebooks e outros equipamentos móveis, a decisão
foi ampliar investimentos na área. “Os estudantes aproveitam
bastante a oportunidade. A única limitação é que
nem todos que possuem laptops sentem-se à vontade com o risco de transportá-los.
Então é muito importante manter os laboratórios tradicionais
e encontrar outras soluções para que os alunos possam usufruir
a rede”
, acredita o professor Silva Melo.

Fonte: Revista Ensino Superior

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