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Viroses: 09. Hepatite A, B e C

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HEPATITE A

Hepatite
A é uma doença infecciosa aguda causada pelo vírus HVA
(imagem ao lado) que é transmitido por via oral-fecal, de uma pessoa
para outra ou através de alimentos ou água contaminada. Entre
os alimentos destacam-se os frutos do mar e alguns vegetais.

A incidência da hepatite A é maior nos locais em que o saneamento
básico é deficiente ou não existe. Uma vez infectada, a
pessoa desenvolve imunidade contra esse vírus por toda a vida.

Sintomas

A hepatite A pode ser sintomática ou assintomática. Durante
o período de incubação, que leva em média de duas
a seis semanas, os sintomas não se manifestam, mas a pessoa infectada
já é capaz de transmitir o vírus.

Uma minoria apresenta os sintomas clássicos da infecção:
febre, dores musculares, cansaço, mal-estar, inapetência, náuseas
e vômitos. Depois de alguns dias, pode aparecer icterícia, as fezes
ficam amarelo-esbranquiçadas e a urina escurece adquirindo tonalidade
semelhante à da coca-cola.

No entanto, muitas vezes, os sintomas são tão vagos que podem
ser confundidos com os de uma virose qualquer. O paciente continua levando vida
normal e nem percebe que teve hepatite.

Grupo de Risco

Geralmente é na infância que se entra em contato com o vírus.
Por isso, as crianças constituem grupo de risco importante, assim como
os adultos que interagem com elas e os profissionais de saúde.

Evolução

Em geral, o quadro de hepatite A se resolve espontaneamente em um ou dois
meses. Em alguns casos pode demorar seis meses para o vírus ser eliminado
totalmente do organismo. Embora não sejam freqüentes, complicações
podem surgir como a recorrência da infecção e a hepatite
fulminante, quadro muito raro, para a qual o único tratamento é
o transplante de fígado.

Recomendações

· Não coma frutos do mar crus ou mal cozidos. Moluscos especialmente
filtram grande volume de água e retêm os vírus se ela estiver
contaminada. Ostras que se comem cruas e mariscos são transmissores importantes
do vírus da hepatite A;
· Evite o consumo de alimentos e bebidas dos quais não conheça
a procedência nem saiba como foram preparados;
· Procure beber só água clorada ou fervida, especialmente
nas regiões em que o saneamento básico possa ser inadequado ou
inexistente;
· Lave as mãos cuidadosamente antes das refeições
e depois de usar o banheiro. A lavagem criteriosa das mãos é suficiente
para impedir o contágio de pessoa para pessoa;
· Não ingira bebidas alcoólicas durante a fase aguda da
doença e nos seis meses seguintes à volta das enzimas hepáticas
aos níveis normais;
· Verifique se os instrumentos usados para fazer as unhas foram devidamente
esterilizados ou leve consigo os que vai usar no salão de beleza.

Tratamento

Não existe tratamento especifico contra a hepatite A nem embasamento
terapêutico para recomendar repouso absoluto. Na vigência dos sintomas,
porém, o próprio paciente se impõe repouso relativo.

Pessoas que vivam no mesmo domicílio que o paciente infectado ou que
estejam em más condições de saúde podem receber
imunoglobulina policlonal para protegê-los contra a infecção.

O consumo de álcool deve ser abolido até pelo menos três
meses depois que as enzimas hepáticas voltaram ao normal.

Vacinação

Há duas vacinas contra a hepatite A. Uma deve ser aplicada em duas
doses com intervalo de seis meses; a outra, em três doses administradas
nesses seis meses.
A vacina contra a hepatite A não faz parte do programa oficial de vacinação
oferecido pelo Ministério da Saúde, mas deve ser administrada
a partir do primeiro ano de vida, porque sua eficácia é menor
abaixo dessa faixa etária.

Pessoas que pertençam ao grupo de risco ou que residam na mesma casa
que o paciente infectado também devem ser vacinadas.

HEPATITE B

A
hepatite B é definida como inflamação do fígado
causada por uma infecção pelo vírus HBV (imagem ao lado),
um vírus DNA, da família Hepdnaviridae.

No Brasil, estudos de prevalência do HBV detectaram índice de
infecção médio de 8,0% na região da Amazônia
legal, de 2,5% nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, de 2,0% na região
Sudeste e de 1,0% na região Sul.

Quadro clínico

O período de incubação da Hepatite B aguda situa-se entre
45 e 180 dias e a transmissão é usualmente por via parenteral
embora outras vias (oral, sexual e vertical) foram demonstradas.

Nos pacientes sintomáticos, a hepatite B, usualmente evolui nas seguintes
fases:

  • Fase prodrômica: sintomas inespecíficos de
    anorexia, náuseas e vômitos, alterações do olfato
    e paladar, cansaço, mal-estar, artralgia, mialgias, cefaléia
    e febre baixa.
  • Fase ictérica: inicia-se após 5 a 10 dias
    da fase prodrômica, caracterizando-se pela redução na
    intensidade destes sintomas e a ocorrência de icterícia. Colúria
    precede esta fase por 2 ou 3 dias.
  • Fase de convalescença: a sintomatologia desaparece
    gradativamente, geralmente em 2 a 12 semanas.

A Hepatite B pode evoluir cronicamente, o que se demonstra pelos marcadores
laboratoriais, testes de função hepática e histologia anormais,
e doença persistente por mais de seis meses. A Hepatite B crônica
pode evoluir de forma:

  • persistente: de bom prognóstico, em que a arquitetura
    do lóbulo hepático é preservada.
  • ativa: caracterizada por necrose hepática, que
    pode evoluir para cirrose hepática ou para câncer.

Tratamento

De modo genérico, o indivíduo com hepatite viral aguda, independentemente
do tipo viral que o acometeu, deve ser acompanhado ambulatorialmente, na rede
de assistência médica. Basicamente o tratamento consiste em manter
repouso domiciliar relativo, até que a sensação de bem-estar
retorne e os níveis das aminotransferases (transaminases) voltem aos
valores normais. Em média, este período dura quatro semanas. Não
há nenhuma restrição de alimentos no período de
doença. É desaconselhável a ingestão de bebidas
alcoólicas.

Os pacientes com hepatite causada pelo HBV poderão evoluir para estado
crônico e deverão ser acompanhados com pesquisa de marcadores sorológicos
(HBsAg e Anti-HBs) por um período mínimo de 6 a 12 meses. Aqueles
casos definidos como portadores crônicos, pela complexidade do tratamento,
deverão ser encaminhados para serviços de atendimento médico
especializados.

HEPATITE C

A
hepatite C vem sendo reconhecida mundialmente como um dos mais importantes problemas
de saúde pública nos últimos anos. A prevalência
global desta infecção é estimada em 3%, ou seja, aproximadamente
150 milhões de pessoas são infectadas pelo vírus da hepatite
C, o VHC (imagem ao lado).

Estudos realizados em centros europeus e norte-americanos revelam que o VHC
está associado a grande parte dos casos de hepatite crônica (cerca
de 70%), cirrose avançada (cerca de 40%) e de carcinoma hepatocelular
(cerca de 60%), fazendo com que tal infecção seja responsável
por, no mínimo, um terço dos transplantes hepáticos realizados
mundialmente.

O
fígado, a maior glândula do corpo, possui múltiplas funções,
entre elas, a produção da bile, substância importante para
a digestão das gorduras. Ele se situa abaixo do diafragma, à direita
do estômago. Da vesícula biliar, onde a bile é armazenada,
sai um canal chamado ducto cístico e do fígado um outro, o ducto
hepático. Juntos, eles formam o colédoco que vai desembocar no
duodeno.

O fígado é uma estrutura extremamente vascularizada, isto é,
com muitos vasos e artérias. Para ter uma idéia, observe a figura
ao lado. As artérias estão representadas em vermelho; as veias,
em azul e os canais biliares em verde, o que evidencia o íntimo contato
entre as células do fígado e os vasos sangüíneos.
Por minuto, passa um litro e meio de sangue pelo interior desse órgão
o que faz das células hepáticas verdadeiras usinas. Elas transformam
e produzem substâncias essenciais para o funcionamento do organismo, eliminam
as desnecessárias e inativam as que seriam tóxicas.

Em 1989, foi descrito pela primeira vez o vírus da hepatite C e os
pesquisadores que o descobriram jamais poderiam imaginar, naquele momento, a
magnitude do problema que a infecção por esse microorganismo representava.
Há no mundo, atualmente, cerca de 170 milhões de pessoas infectadas
por esse vírus. No Brasil, de 1% a 1,5% da população, o
que corresponde mais ou menos entre 2 milhões e 2,5 milhões de
brasileiros infectados. Isso torna a hepatite C, doença para a qual ainda
não existem vacinas, um dos maiores problemas de saúde pública
em nosso país.

Transmissão

O vírus da hepatite C é transmitido por sangue e seus derivados
(o plasma é um exemplo) ou por material contaminado por sangue, como
seringas, objetos cortantes, alicates de unha, instrumentos utilizados nas tatuagens
etc.

Embora não represente um índice muito elevado, a infecção
também é transmitida por via sexual. Calcula-se que de 5% a 7%
dos casos ocorram dessa forma, principalmente em pessoas com vários parceiros.
Existe ainda a possibilidade de o vírus ser transmitido verticalmente,
isto é, da mãe para o filho.

Uma vez adquirido, o vírus da hepatite C pode produzir doenças
em outros órgãos, mas tem predileção especial pelo
fígado, onde provoca desde lesões pequenas até cirrose,
passando por hepatite aguda, hepatite crônica e chegando ao câncer.

Sintomas

O indivíduo pode não apresentar sintoma nenhum quando é
infectado pelo vírus da hepatite C. Isso, inclusive, deixa os pacientes
espantados ao saber que têm uma doença crônica e antiga no
fígado. Alguns, raramente, podem apresentar uma patologia aguda inicial
chamada hepatite aguda, que provoca náuseas, vômitos, icterícia,
enfim, um quadro bastante característico da enfermidade.

Tratamento

Alguns casos de hepatite C requerem a biópsia hepática que consiste
na extração de um pequeno fragmento do fígado, por meio
de uma agulha especial, procedimento visualizado no aparelho de ultra-som.

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