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União Soviética (URSS): 1. A desagregação da União Soviética

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A União Soviética (URSS) foi composta por diversas Repúblicas Socialistas, também denominadas Repúblicas
Soviéticas ou Repúblicas da União. Eram elas:

RSS da Armênia (1 no mapa)

RSS do Azerbaijão (2 no mapa)
RSS da Bielorússia (3 no mapa)
RSS da Estônia (4 no mapa)
RSS do Cazaquistão (6 no mapa)

RSS da Geórgia (5 no mapa)
RSS do Quirguízia (7 no mapa)
RSS da Letónia (8 no mapa)
RSS da Lituânia (9 no mapa)
RSS da Moldávia (10 no mapa)
RSFS da Rússia (11 no mapa)
RSS do Tadjiquistão (12 no mapa)
RSS do Turcomenistão (13 no mapa)

RSS da Ucrânia (14 no mapa)
RSS do Usbequistão (15 no mapa)
RSFS Transcaucasiana (1922-36) – Não consta no Mapa
RSS Carelo-Finlandesa (1940-56)- Não consta no Mapa


Mikhail Gorbachev

Em abril de 1985, Mikhail Gorbachev assumiu o poder da União Soviética e lançou um programa de reformas
que provocaram transformações profundas no mundo soviético. Esses programas ficaram conhecidos como
Glasnot (transparência) e Perestroika (reestruturação).

Através da glasnot, Gorbachev pretendia provocar uma gradual abertura política do regime
soviético, como a diminuição da censura na imprensa e maior liberdade de expressão nas artes. Dentro desse
processo presos políticos ganharam a liberdade e velhos políticos foram substituídos por reformistas.

Através da Perestroika, Gorbachev almejava reorganizar a economia, tornando-a
menos controlada pelo Estado e mais dinâmica. Estas reformas se faziam imprescindíveis,
tendo em vista o arcaísmo das estruturas políticas e econômicas que engessavam
a vida soviética. A corrida
armamentista
da Guerra Fria, havia canalizado os investimentos e o trabalho das Nações Soviéticas e
prejudicara o desenvolvimento dos setores produtivos voltados para a paz. Era visível e motivo de
descontentamento da população, abaixa qualidade dos bens de consumo. Do ponto de vista tecnológico, a URSS
também não conseguia acompanhar os avanços que ocorria no mundo capitalista. Para resolver parte dessa
situação Gorbachev, se aproximou dos EUA, com o objetivo de diminuir o ritmo da corrida armamentista. A
abertura política por sua vez, possibilitou o renascimento de várias demandas e, entre elas, a mais
importante de todas, para a desagregação da URSS, a aspiração da autonomia política o sentimento
nacionalista tomou conta da população e de seus lideres. Assim, os diversos povos da URSS, como: os
Muçulmanos da Ásia Central, os Caucasianos Cristãos, as Populações do Báltico, os Eslavos Católicos e os
Ortodoxos da Ucrânia, todos queriam construir países autônomos.

A aspiração da Ordem Socialista, não capaz de conter o crescimento das reivindicações nacionalistas. O
sistema de produção socialista e a sua estrutura política não conseguira trazer a prosperidade material e o
exercício da liberdade sempre almejados.

As propostas reformistas de Gorbachev foram derrotadas por uma crise avassaladora.

Com o fim da URSS, as novas republicas se organizaram a partir de princípios da
economia capitalista. Naquele momento, muitos queriam afirmar que a própria idéia
do socialismo havia acabado. Enquanto outros sustentavam que o “capitalismo vitorioso”
ainda não era capaz de resolver as suas profundas desigualdades sociais. Essa
situação de crise da ordem socialista se avolumava desde a queda do muro de Berlim,
em novembro de 1989.

Atos simbólicos do fim de uma época a destruição do muro foi o resultado da liberalização
política proposta por Gorbachev, quando ela chegou nos países do leste europeu.
Eram países governados por velhos comunistas, refratários a reformas que se viram
as voltas com uma população descontente com as estruturas políticas e sociais
do socialismo. No Ano de 1989, por exemplo, milhares de alemães da Republica Oriental
(Comunista) migraram para Alemanha Ocidental (capitalista).

Era expressão mais contundente do descontentamento de expressivos setores sociais e da incapacidade do
socialismo atender suas demandas. As pressões contra o poder comunista cresceram e o muro foi derrubado.
No ano seguinte (1990) foram realizadas eleições com participação de vários partidos políticos e a Alemanha
foi unificada. O mesmo ocorria em outros paises do leste europeu: os movimentos sociais e políticos tomavam
as ruas, exigiam reformas e “destronavam” os velhos dirigentes comunistas. Eleições livres e
pluripartidárias eram convocadas na Hungria, Polônia, Tchecoslováquia, Bulgária e na Romênia. Neste último
país devido à resistência do ditador Nicolai Ceausescu, o caminho se deu pela via da Guerra Civil e
milhares foram mortos, antes que as forças reformadoras assegurassem as mudanças. Na Iugoslávia, com a
liberalização política, os grupos étnicos irromperam com fúria inimaginável e esfacelaram o país. Foi a
Guerra Civil mais cruel da crise socialista a até hoje não alcançou o pleno apaziguamento.

Os acontecimentos do leste europeu refletiram-se em todo o mundo socialista, e aportaram nas Republicas
Soviéticas, e Mikhail Gorbachev não pode conter o processo.

Considera-se, portanto, que foi uma combinação de elementos que
resultou no colapso e desaparecimento da União Soviética em 1991. Resumindo então,
as causas históricas, políticas, sociais e econômicas principais que mais contribuíram
para tal desfecho foram:

a) o atraso material e cultural da velha Rússia para iniciar a construção do socialismo;

b) o isolamento da Revolução Russa, fruto, entre outros fatores, do reformismo político que paralisou a
classe operária no Ocidente;

c) as agressões militares que a URSS sofreu, com suas imensas perdas humanas e os custos insuportáveis de
defesa, derivados da ameaça permanente que vinha do exterior, que contribuíram para exauri-la
economicamente;

d) a natureza ditatorial do sistema político, como elemento central, que acelerou a industrialização e a
modernização em uma primeira fase, trouxe, por outro lado, imensos prejuízos humanos e funcionou a partir
de certo ponto no tempo como uma trava à continuidade do desenvolvimento da economia e da sociedade;

e) o esgotamento do modelo extensivo de crescimento na virada para os anos 70, a desaceleração econômica
que chegou à estagnação no início dos anos 80 e o acentuado atraso tecnológico em relação ao mundo
capitalista, verificado já na década de 70;

f) As grandes transformações sociais, culturais e comportamentais ocorridas no mundo e na URSS, a Revolução
da Informação e as mobilizações democráticas em todo Leste Europeu, que erodiram as fundações do sistema
soviético;

g) A Perestroika, que como programa de reformas acelerou a democratização do regime político,
levando à desagregação do velho mecanismo burocrático de planejamento e gestão estatais da economia, o que
por sua vez gerou caos;

h) As mobilizações nacionalistas e a ofensiva restauracionista selaram a desagregação do sistema soviético.

O processo final que levou ao colapso da URSS parece mais uma combinação de progressivas revoluções ou
mobilizações democráticas – que em muito se assemelham às revoluções burguesas, já que suas bandeiras e
demandas não diferem muito daquelas levantadas nas revoluções de 1789 e 1848 – com a implosão de um sistema
político debilitado e ultrapassado, onde já não cabiam as forças produtivas e sociais que dentro dele se
desenvolviam.

Fontes parciais: Robério Paulino Rodrigues. Tese (Doutorado em História
Econômica) – USP | Prof. Ernesto Serra

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