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Arte Egípcia: 1. Introdução

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Fachada do templo principal de Abu Simbel, construído por Ramsés
II há 3.000 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em todos os tempos, a civilização egípcia foi, sem dúvida, uma das culturas
orientais mais admiradas e estudadas pelas nações ocidentais. As investigações
sobre essa antiga e misteriosa civilização atingiram o auge na Idade Média e
no renascimento, mas foi somente no período neoclássico que avançaram decisivamente.

Com base na pedra da Rosetta, encontrada por um soldado de Napoleão em 1799,
o egiptologista francês Jean-François Champollion decodificou em 1822 uma série
muito importante de hieróglifos, levando em conta as traduções em grego e em
escrita demótica feitas na pedra.


Busto de Nefertiti
Museu Egípcio do Cairo

A partir de então constituiu-se a ciência da egiptologia. Sua aplicação imediata serviu para a tradução e
interpretação dos textos pintados e gravados em muros e esculturas de templos funerários. Esses textos,
por sua vez, revelavam a sua função: repouso de reis e nobres e de seus incalculáveis tesouros, após sua
morte. Muito pouco, no entanto, resistiu até os nossos dias. Os magníficos tesouros dos faraós foram, em
sua época, alvo de assaltantes e ladrões, que ignoraram seu caráter intocável e sagrado.

O Egito foi o primeiro Estado-Nação do mundo, ou seja, a primeira região onde
a política, a religião e as manifestações artísticas trabalharam juntas no sentido
de construir uma identidade nacional, sendo esta aceita (muito mais do eu imposta)
por todas as partes do Reino. A arte Egípcia se desenvolveu de forma a criar
formas perfeitas, muito mais do que os Greco-Romanos, que construíam suas estátuas
e faziam suas pinturas para retratar a aparência estética dos homens, os Egípcios,
com suas figuras sóbrias, retilíneas e (no caso da pintura) chapadas, ou seja,
sempre na posição padrão (tórax de frente, cabeça de perfil e membros trabalhando
no sentido de mostrar a atividade do indivíduo), imprimiam uma noção de perfeição
aos homens.


A rainha Nefertari (à esquerda) junto a Hathor.
Pintura mural da tumba de Nefertari no Vale das Rainhas

Os
artistas Egípcios nunca retratavam velhos e doentes como eles realmente eram,
mas como deveriam ser, ou seja, perfeitos. A arte do Vale do Nilo também desenvolveu
a técnica, posteriormente muito utilizada na Europa Medieval, de representar
os indivíduos mais importantes, bem como os Deuses, com estaturas maiores do
que aqueles menos importantes, dessa forma, para a arte, não importava a real
estatura de um indivíduo, mas sim sua importância social (mulheres, a menos
que fossem muito importantes eram sempre retratadas como sendo menores do que
os homens), o Faraó era sempre o maior de todos os indivíduos a ser retratado,
afinal, era um Deus. Mesmo que o faraó estivesse sentado, os demais indivíduos
seriam menores do que ele, ou, na pior das hipóteses, estariam prostrados de
joelhos adorando-o com a face colada ao chão.

A
arte correspondia ao exato pensamento Egípcio de relação hierárquica, uma vez
que ninguém, nem mesmo o Tjati, podia falar com o Faraó ou sequer olhá-lo nos
olhos. Quando o Faraó conversava com alguém, referia-se a si mesmo na terceira
pessoa e também assim era referido por seus interlocutores, com efeito, ninguém
falava com o Faraó, mas, tão somente, em sua presença.


Anúbis – Dinastia 18

Para
Platão, a arte Egípcia era uma representação mais realista do mundo do que a
Grega, visto que a Grega, por retratar as imperfeições, segundo o Filósofo,
não conseguia discernir entre o real e o imaginário, enquanto que a arte Egípcia,
ao retratar os indivíduos sempre no esplendor de sua forma física, sem emoções
ou desequilíbrios, conseguia ver o âmago (e porque não a alma) de cada um, conseguia
ver sua verdadeira essência, como ele realmente era. Na realidade, os Egípcios
foram os primeiro a pensarem os homens como seres feitos à imagem e semelhança
dos Deuses (tradição que certamente se espalhou pelo Mediterrâneo Oriental)
e, dessa forma, perfeitos.

Na arte egípcia
é possível reconhecer a presença do pensamento religioso nas atividades diárias,
bem como os procedimentos e conceitos que possibilitavam a continuidade da vida
do espírito depois da morte do corpo físico no reino de Osíris. Permitem reconhecer
as alterações ocorridas durante extenso período de tempo na construção das formas
e na representação da figura humana. Indicam que, em certos momentos, optavam
por cânones de proporções, que conferiam ao corpo um aspecto longelíneo, em
outros, construíam figuras idealizadas que não identificavam um indivíduo em
particular e, ainda em outros, detinham-se na feitura de retratos em que traços
pessoais se somavam à indicações da personalidade e do estado de espírito.

Alguns utensílios
como paleta, pincéis e formões mostram de que meios o artesão dispunha para
realizar o seu trabalho. Peças inacabadas, permitem reconhecer a parceria de
escribas, pintores e escultores para a realização de um mesmo trabalho. Essas
mesmas obras possibilitam que os gestos e procedimentos daqueles profissionais
sejam recuperados em cada uma das etapas necessárias para sua concretização.
Um fragmento de pedra desenhado com tinta escura por um aprendiz e corrigido
em tinta vermelha por seu mestre para que o entalhador cumpra bem sua tarefa,
revela que a experiência tão conhecida por qualquer estudante dos tempos modernos
remonta há alguns milênios.

A arte Egípcia surgiu a mais de 3000 anos A.C., mas é entre 1560 e 1309 A.C. que
a pintura egípcia se destaca em procurar refletir os movimentos dos corpos e por
apresentar preocupação com a delicadeza das formas.

O local a ser trabalhado primeiramente
recebia um revestimento de gesso branco e em seguida se aplicava a tinta sobre
gesso. Essa tinta era uma espécie de cola produzida com cores minerais.

Os egípcios ao esculpir e pintar
tinham o propósito de relatar os acontecimentos de sua época, as histórias dos
Faraós, deuses e do seu povo em menor escala, já que as pessoas não podiam ser
representadas ao lado de deuses e nem dentro de templos. Provavelmente eles
não tiveram a intenção de nos deixar a “arte” de seus criadores.

O tamanho das pessoas e objetos não
caracterizavam necessariamente a distância um do outro e sim a importância do
objeto, o poder e o nível social.

Os valores dos egípcios eram eternos e estáveis. Suas leis perduraram cerca de
6.000 anos. O Faraó representava os homens junto aos deuses e os deuses junto
aos homens, assim como era responsável pelo bem-estar do povo, sendo considerado
também como um próprio Deus.

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