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Os Incas: 6. A cultura

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Quinua (ou Quinoa), alimento muito apreciado pelos IncasComidas

Na vida do inca nem tudo era trabalho; também havia diversão.

Apesar da dieta dos incas ser muito variada, havia muitas diferenças entre os alimentos consumidos pelos
diversos setores da sociedade.

A gente do povo só comia duas refeições por dia. O prato comum dos Andes era o chuño, ou farinha de batata
desidratada. Adicionava-se água, pimentão ou pimenta, e sal para então servir. Eles também preparavam o
locro com carne seca ou cozida, com muito pimentão, pimenta, batatas e feijão. Eles comiam ainda grandes
quantidades de frutas, como a pêra picada ou o tarwi. O milho era bastante consumido e era preparado
fervido ou torrado.

A Quinua real (pseudo-ceral de alto valor nutritivo) era chamada de “Grano Madre”
ou “Grano de Oro” e venerado como símbolo religioso. Todos os anos, quando iniciava
a época do plantio, o próprio SAPA INKA (Supremo), com uma ferramenta de ouro
maciço, abria simbolicamente o período de plantio da Quinua chamada pelos Incas
de “cereal milagroso” ou “mãe dos seres humanos”.

Os nobres e a família real se alimentavam muito melhor do que o povo. Na mesa do Inca não podia faltar
carne, que era escassa para o povo. Ele comia carne de lhama, de vicunha, patos selvagens, perdizes da
puna, rãs, caracóis e peixe.

A refeição começava com frutas. Depois vinham as iguarias, apresentadas sobre uma esteira de juncos
trançados que eram estendidos no solo. O Inca se acomodava em seu assento de madeira, coberto com uma tela
fina de lã e indicava o que lhe agradava. Daí, uma das mulheres de seu séqüito o servia em um prato de
barro ou de metal precioso, que segurava entre suas mãos enquanto o Inca comia. As sobras e tudo que o Inca
havia tocado, devia ser guardado em um cofre e queimado logo depois, dispersando as cinzas.

Bebidas e coca

Os Incas bebiam álcool depois de comer ou nas festas e celebrações. Qualquer ritual de passagem
(nascimento, puberdade, matrimônio ou morte) e até qualquer trabalho extraordinário, era acompanhado do
consumo do álcool.

A chicha era a sua principal bebida alcoólica. Era obtida no milho. Sua elaboração era feita pelas mulheres
idosas, que tinham experiência e sabiam dar o ponto adequado. Elas mastigavam os grãos e os cuspia em uma
vasilha, onde eles fermentavam graças às enzimas da saliva. A pasta obtida era levada a um canteiro com
água, que era enterrado, para que o calor ativasse melhor a fermentação. O grau alcoólico da bebida
aumentava com o transcurso dos dias. Era possível tomar chicha de uma semana, de dois ou de um mês, de
acordo com o nível de embriaguez desejado pelo consumidor.

A ingestão de estimulantes era muito comum entre os incas. O mais comum era a coca, que permitia que eles
trabalhassem ininterruptamente, sem se cansar ou sentir fome.

As folhas de coca eram misturadas com pó de cal, de conchas marinhas trituradas ou de uma variedade de
arroz andino, formando uma bola, que era passada de um lado para o outro da boca.

Os Incas traziam grandes quantidades da zona oriental e a administração deste produto era regulada. O uso
da coca foi anterior à formação do seu império e além disso, era consumido em muitos povos situados fora de
seus domínios.

Festas e espetáculos

As festas oficiais tinham uma parte de cerimônia religiosa ou oficial, mas depois davam lugar para as
diversões. A cidade com mais festas programadas era Cuzco, com até 158 por ano. O mais comum no mundo inca
eram três festas por mês. As de agricultura e das batatas eram acompanhadas de bailes populares. Na
primeira, cada um dançava levando sua enxada e na segunda as mulheres dançavam enquanto seguravam os mantos
com as duas mãos, simulando a semeadura.

Mas a festa de verdade vinha depois quando era celebrada a grande comilança, regada com muita chicha. Cada
convidado levava sua comida e bebida e as colocava em uma fileira, O Inca, ou algum de seus representantes,
presidia a festa sentado em um dos extremos das fileiras. Havia cantos e narrações e os participantes se
convidavam mutuamente para beber. O álcool soltava a língua e eles contavam piadas e fofocas. Eles também
aproveitavam para dançar uma das danças mais populares, o way-yaya.

Além das festas, havia espetáculos públicos que combinavam a dança, o canto, e
o teatro. Este último desenvolveu dois gêneros principais, além do religioso:
as comédias e as tragédias sobre a vida dos incas, ou sobre a vida íntima das
pessoas. A wanca era uma representação de evocação histórica. A aranway uma dramatização
jocosa acompanhada de música e canto. O espetáculo acontecia no walk, que era
o centro sagrado do teatro.

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