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Dicas: 5. Os 7 pecados da redação

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Saber fórmulas e entender cálculos não ajuda o vestibulando
na hora fatídica: a de escrever a redação. Parte obrigatória
dos vestibulares das três universidades estaduais paulistas, a redação
é um desafio totalmente diferente do restante da prova. Ela é
feita para avaliar uma competência que as outras questões não
avaliam.

Fuvest, Unicamp e Unesp adotam critérios parecidos para avaliar os textos.
As equipes de correção ficam atentas a itens como adequação
ao tema proposto e ao gênero do texto, desenvolvimento argumentativo,
coesão e expressão. O candidato precisa trazer alguma informação
para o texto, mostrar que tem conhecimento e defender aquilo que pensa.

Este ano, um batalhão de 400 pessoas fará a correção
da Fuvest. Dessas, 60 vão trabalhar só na redação.
Cada texto passa por dois avaliadores, que não conhecem a correção
um do outro. Caso as notas tenham discrepância grande, a redação
seguirá para um terceiro. Se a última nota não ficar próxima
de nenhuma das outras, quem assume a correção é a diretora-executiva
da Fuvest, Maria Thereza Fraga Rocco, responsável, há cinco anos,
pelos temas da redação no vestibular. E nesses casos, a nota da
coordenadora é que vale.

Na Unicamp – único dos três vestibulares em que há
a opção de escrever um texto que não seja uma dissertação
–, cerca de 20% das redações têm de passar pelo terceiro
corretor. Elas podem ter até cinco releituras. Dois por cento redações
são anuladas. Na maioria dos casos, por fugir da proposta.

Para não ter a redação desclassificada, o candidato deve
ficar atento aos aspectos formais. A análise é técnica.
É avaliada na correção a capacidade do candidato de se
comunicar por escrito, de forma clara, sem tentar enganar a banca.

Professor da UNESP, Rogério Chociay publicou um livro em que analisa
as dissertações de vestibulares antigos da universidade. Ele apresenta,
e comenta, bons e péssimos exemplos de textos. “Algumas redações
eu chamo de ‘camicase’. São praticamente um voo para a morte,
para a anulação. Tem gente que escreve poesia, faz até
desenho”, ele diz.

1. Letra
O candidato não precisa ter letra bonita, mas deve garantir que o corretor
consiga ler seu texto. Uma letra garranchuda e ilegível revela incapacidade
de comunicar uma mensagem.

2. Tamanho
A redação deve ter um tamanho adequado, em geral entre 22 e 30
linhas. Um texto muito curto revela a incapacidade do candidato de desenvolver
o tema. Mas ele também não deve ser muito grande. Tamanho excessivo
pode revelar dificuldade para concluir ideias. E nada de enganar os corretores
com letra grande ou margens falsas, para dar a impressão de um texto
mais longo.

3. ‘Lúdicas’
Nenhuma banca de vestibular leva em conta produções que não
sejam textos. Mostra de ingenuidade ou ousadia, redações “lúdicas”
são anuladas de imediato por fuga do gênero.

4. Fuga do tema
Nunca se deve fugir do tema proposto. O vestibulando deve mostrar que apreendeu
a questão em debate.

5. Fuga do gênero
Com exceção da Unicamp, em que a redação também
pode ser uma carta ou narração, os grandes vestibulares pedem
textos dissertativos. Não escreva textos que fujam ao que foi pedido,
nem desenvolva ideias “criativas”, como feito aqui.

6. Sem argumentação
O corretor tem um sério motivo para desconsiderar um texto em que não
há argumentação. Na redação você tem
que desenvolver um raciocínio, não pode ficar dizendo sempre a
mesma coisa.

7. Poesia
Não escreva nada além de prosa. Se você é um excelente
poeta, ótimo. Mas não em dia de redação.

A boa

Rogério Chociay destaca em seu livro que boas redações
apresentam coerência, uso da norma culta da língua, além
de argumentos a favor de uma posição. Não precisa ser original,
mas dar uma proposta sustentável.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, Suplemento Educação

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