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Eu e Outras Poesias, de Augusto dos Anjos

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1.

(UFOP) A respeito de Eu, de Augusto dos Anjos, é correto dizer que:

(A) sendo uma obra eminentemente barroca, representa com perfeição as dualidades
céu/terra, pecado/graça, treva/luz.
(B) sendo uma obra eminentemente romântica, apresenta um subjetivismo exacerbado,
que extrapola todos os limites.
(C) sendo uma obra eminentemente parnasiana, prima pela perfeição formal, desprezando
quaisquer outras preocupações.
(D) sendo uma obra eminentemente simbolista, usa e abusa dos meios tons que tanto
caracterizam essa poesia nefelibata.
(E) sendo uma obra de difícil classificação, reserva, mesmo assim, um lugar
de destaque na poesia brasileira como um caso à parte.

2. (UFOP) Leia com atenção o seguinte texto:

Como uma cascavel que se enroscava,
A cidade dos lázaros dormia…
Somente, na metrópole vazia,
Minha cabeça autônoma pensava!

Mordia-me a obsessão má de que havia,
Sob os meus pés, na terra onde eu pisava,
Um fígado doente que sangrava
E uma garganta de órfã que gemia!

Tentava compreender com as conceptivas
Funções do encéfalo as substâncias vivas
Que nem Spencer, nem Haeckel compreenderam…

E via em mim, coberto de desgraças,
O resultado de bilhões de raças
Que há muitos anos desapareceram!

(ANJOS, Augusto dos. Eu: poesias. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998. p. 61)

Assinale a alternativa incorreta.

(A) É possível observar, na construção desse texto, uma tal concentração no
conteúdo que faz com que a forma fique bastante negligenciada.

(B) Observa-se uma tendência bastante forte para a exploração de temas mórbidos
e patológicos como nos demais poemas de Augusto dos Anjos.
(C) Apresenta o poema um pendor para a representação de um cientificismo, mesmo
que o impulso lírico seja uma constante presença.
(D) Faz-se notar um pessimismo que, na sua exacerbação, acaba caminhando
para um quase total aniquilamento.
(E) Justificando a obra a que pertence, há, no poema, um individualismo bem nítido.

3. (UFSM-RS) Leia o soneto a seguir:

Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos, Eu, Rio de Janeiro, Livr. São José, 1965.

A partir desse soneto, é correto afirmar:

I. Ao se definir como filho do carbono e do amoníaco, o eu lírico
desce ao limite inferior da materialidade biológica pois, pensando em
termos de átomos (carbono) e moléculas (amoníaco), que
são estudados pela Química, constata-se uma dimensão onde
não existe qualquer resquício de alma ou de espírito.
II. O amoníaco, no soneto, é uma metáfora de alma, pois,
segundo o eu lírico, o homem é composto de corpo (carbono) e alma
(amoníaco) e, no fim da vida, o corpo (orgânico) acaba, apodrece,
enquanto a alma (inorgânica) mantém-se intacta.
III. O soneto principia descrevendo as origens da vida e termina descrevendo
o destino final do ser humano; retrata o ciclo da vida e da morte, permeado
de dor, de sofrimento e da presença constante e ameaçadora da
morte inevitável.

Está(ão) correta(s)

(A) apenas II
(B) apenas III
(C) apenas I e II
(D) apenas I e III
(E) apenas II e III

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