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Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa

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6.

(PUC-SP) O livro Primeiras Estórias, de João
Guimarães Rosa, começa com o conto As margens da alegria
e termina com Os cimos.

Há uma semelhança entre eles que é a caracterização
do mundo interior de um menino, através de recursos do discurso indireto
livre. Sobre esses dois contos, é possível afirmar que:

a) os contos tratam do mesmo
tema, ou seja, relatam situações vividas por um menino em companhia
de seus tios, situações essas marcadas por envolvimentos emocionais
diferentes.

b) o segundo conto é uma continuação do primeiro e, em
ambos, a viagem se faz em estado de sonho.
c) as personagens e o contexto são os mesmos e em ambas as narrativas
o menino se encanta com a beleza e o esplendor de um tucano.
d) o primeiro conto é marcadamente psicológico e poético
e o segundo é mais satírico e prosaico.
e) o desfecho de ambos é trágico e inusitado e nega os títulos
de ambas as narrativas.

7. (PUC-SP) E o tucano, o vôo, reto, lento como se voou
embora, xô, xô! mirável, cores pairantes, no garridir; fez
sonho. Mas a gente nem podendo esfriar de ver. Já para o outro imenso
lado apontavam. De lá, o sol queria sair, na região da estrela-d’alva.
A beira do campo, escura, como um muro baixo, quebrava-se, num ponto, dourado
rombo, de bordas estilhaçadas. Por ali, se balançou para cima,
suave, aos ligeiros vagarinhos, o meio-sol, o disco, o liso, o sol, a luz por
tudo. Agora, era a bola de ouro a se equilibrar no azul de um fio. O Tio olhava
no relógio.Tanto tempo que isso, o Menino nem exclamava. Apanhava com
o olhar cada sílaba do horizonte.

Sobre o trecho acima, do conto Os cimos, de Guimarães
Rosa, é incorreto afirmar que:

a) é texto descritivo caracterizador da natureza, representada
pela presença da ave e do amanhecer.
b) utiliza recursos de linguagem poética como a onomatopéia, a
metáfora e a enumeração.
c) descreve o tucano, utilizando frase nominal e de encadeamento de palavras
com força adjetiva.
d) apresenta um estilo repetitivo que confunde o leitor
e impede a manifestação da força poética do texto.

e) pinta com luz e cor a linha do horizonte, onde em “dourado rombo, de
bordas estilhaçadas”, nasce o sol.

8. (UFLA) No conto Os Cimos (Primeiras Estórias, Guimarães
Rosa), o menino mostra-se essencialmente

a) corajoso
b) determinado
c) esperto
d) revoltado
e) inseguro

9. (POLI) O trecho a seguir foi extraído do conto Nada e Nossa Condição,
da obra Primeiras estórias, de Guimarães Rosa. Vejamos:

Enfim, tornou para junto delas, de sua Liduína – imovelmente
– a o século, como a quisessem: num amontôo de flores. Suspensas,
as filhas, de todo ao não entender, mas adivinhar, dele a crédito
vago esperassem, para o comum da dor, qualquer socorro. Ele, por detrás
de si mesmo, pondo-se de parte, em ambíguos âmbitos e momentos,
como se a vida fosse ocultável; não o conheceriam através
de figuras. Sendo que refez sua maciez; e era uma outra espécie, decorosa,
de pessoa, de olhos empalidecidamente azuis. Mas fino, inenganador, o rosto,
cinzento moreno.
Transluz-se que, fitando-o, agora, era como se súbito as filhas ganhassem
ainda, do secesso de seus olhos, o insabível curativo de uma graça,
por quais longínquos, indizíveis reflexos ou vestígios.
Felícia, apenas, a mais jovem, clamou, falando ao pai: – “Pai,
a vida é feita só de traiçoeiros altos-e-baixos? Não
haverá, para a gente. Algum tempo de felicidade, de verdadeira segurança?”
E ele, com muito caso, no devagar da resposta, suave a voz: – “Faz
de conta, minha filha… Faz de conta…” Entreentendidos, mais não
esperaram. Cabisbaixara-se, Tio Man`Antônio, no dizer essas palavras,
que daí seriam as suas dele, sempre. Sobre o que, leve, beijou a mulher.
Então, as filhas e ele choraram; mas com o poder de uma liberdade, que
fosse qual mais forte e destemida esperança.
Tia Liduína, que durante anos de amor tinham-na visto todavia sorrir
sobre sofrer – só de ser, vexar-se e viver, como, ora, dá-se
– formava dolorida falta ao uso de afeto de todos. Tia Liduína,
que já fina música e imagem.

Guimarães Rosa, Nada e Nossa Condição in Ficção
Completa, vol. II: Primeiras estórias
. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1995.

A partir de uma leitura atenta do trecho assinale a incorreta:

(A) O trecho relata o velório de Tia Liduína, marcado entre outras
passagens em de sua Liduína – imovelmente – ao século.

(B) Tio Man’Antônio esforça-se por assumir uma feição
de segurança diante das filhas, porém não consegue disfarçar
completamente sua dor, o que fica evidente no trecho em que aparece o neologismo
inenganador, no primeiro parágrafo).
(C) O trecho é o relato da festa de casamento das filhas de Tio Man’Antônio.

(D) Tio Man’Antônio assumirá, ao
longo da narrativa, uma dimensão mítica de justiça e de
proteção, típica da figura paterna dos contos de fadas.
O que já se insinua no trecho Faz de conta, minha filha… Faz de
conta…
, no segundo parágrafo.

(E) No trecho Tia Liduína, que durante anos de amor tinham-na visto todavia
sorrir sobre sofrer notamos uma construção típica de Rosa,
como a conciliação dos opostos “sorrir” e “sofrer”.

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