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Várias Histórias, de Machado de Assis

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1.

(PUC-SP) No conto Um homem célebre, da obra Várias
Histórias
, de Machado de Assis, há uma profunda investigação
da alma humana que pode ser resumida na afirmação do narrador de
que “o primeiro lugar na aldeia não contentava a este César,
que continuava a preferir-lhe, não o segundo, mas o centésimo em
Roma”. Isso se justifica porque:

(A) Romão Pires, exímio regente de orquestra,
busca aquilo que não consegue alcançar.
(B) Pestana, exímio em sua atividade de compositor de polcas,
não se satisfaz com a perfeição que atinge.

(C) Fortunato, dono de uma Casa de Saúde, diante da dor alheia sente
um enorme prazer e a saboreia deliciosamente.
(D) Vilela, afamado advogado e marido de Rita, mata a mulher e o amante, acometido
de indignação e furor.
(E) Inácio, jovem aprendiz de escritório, refugia-se no sonho/realidade,
envolvido pelo objeto de sua obsessão amorosa.

2. (PUC-SP) Sobre a narrativa Trio em
Lá Menor
, do livro Várias Histórias, de Machado
de Assis, é possível afirmar que:

(A) é construída a partir de andamentos musicais que indiciam
os diferentes momentos da ação narrada.

(B) se utiliza do minueto para caracterizar fortemente o desfecho trágico
da história.
(C) emprega o allegro appassionato como definidor da escolha amorosa e conseqüente
casamento da personagem.
(D) se vale do adagio cantabile como recurso para caracterizar a personagem como
mulher convicta de suas pretensões amorosas.
(E) indicia, a partir do “lá menor” do título, uma narrativa
festiva e triunfante.

3. (PUC-SP) Os contos machadianos de Várias
Histórias
surpreendem pelo final inesperado que foge à estrutura
da narrativa tradicional. Assim identifique o trecho final que NÃO corresponde
ao conto indicado:

(A) “Não sei o que dirá a sua fisiologia.
A minha, que é de profano, crê que aquela moça tinha ao
casamento uma aversão puramente física. Casou meio defunta, às
portas do nada. Chame-lhe monstro, se quer, mas acrescente divino”
,
de A desejada das gentes, que aborda, também, a recusa amorosa
de Quintília, envolvida em disputa sentimental de dois amigos.
(B) “O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam
conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de
amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde
ficara, saboreou tranqüilo essa explosão de dor moral que foi longa,
muito longa, deliciosamente longa”
, de A Causa Secreta e
revela o ápice do prazer pela contemplação da desgraça
alheia.
(C) “Todos os médicos, a quem contei as moléstias dele,
foram acordes em que a morte era certa, e só se admiravam de ter resistido
tanto tempo. Pode ser que eu, involuntariamente, exagerasse a descrição
que então lhes fiz; mas a verdade é que ele devia morrer, ainda
que não fosse aquela fatalidade…”
, de O Enfermeiro,
e que ironicamente se vale da afirmação bíblica: “Bem-aventurados
os que possuem, porque eles
serão consolados”.
(D) “ — Olhe, disse o Pestana, como é provável
que eu morra por estes dias, faço-lhe logo duas polcas; a outra servirá
para quando subirem os liberais”
, de Um homem célebre,
e que enfoca a frustração de um compositor insatisfeito com as
próprias composições.
(E) “Contei esta história a um professor de melancolia,
que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido
de agulha a muita linha ordinária”
, de Conto de Escola,
que enfoca o tema da corrupção e da delação.

4. (PUC-SP) Na obra Várias Histórias,
o conto O Cônego ou a metafísica do estilo, revela-se
como metalinguagem do ato de escrever. Nele, o narrador caracteriza, entre outras
coisas, o estilo, que é, segundo ele,

(A) a linguagem das escrituras, que se manifesta em cérebros
eclesiásticos e caracteriza esteticamente o “Cântico dos
cânticos”.
(B) a expressão lírica de Romeu e Julieta, que caracteriza a fala
amorosa de qualquer pessoa do mundo.
(C) o idílio e o casamento das palavras que se amam mas que estão
separadas por motivo da diferença sexual.

(D) a linguagem dos namorados de Verona ou de Judá que falam idiomas
amorosos diferentes e distantes.
(E) o discurso metafísico que completa o substantivo com o adjetivo no
encontro jamais alcançado dos amantes, metáforas do sexo das palavras.

5. (UFV) Sobre a narrativa machadiana A Cartomante, apenas NÃO
se pode afirmar que:

(A) a personagem Rita, ao concluir que “havia muita coisa misteriosa e
verdadeira neste mundo”, traduz vulgarmente a sentença de Hamlet,
o famoso herói shakespeareano: “há mais coisa no céu
e na terra do que sonha a nossa vã filosofia”.
(B) o desfecho de A Cartomante é trágico e seus personagens,
Vilela, Camilo e Rita, formam o típico triângulo amoroso de grande
parte das obras do período realista.
(C) a personagem Rita mostra-se descrente em relação às
premonições da cartomante, opondo-se ao comportamento de Camilo,
extremamente supersticioso e obcecado por bruxarias.

(D) a ironia machadiana reflete-se, sobretudo, nos momentos finais do texto,
pelo contraste entre as profecias otimistas da cartomante e o destino cruel
dos amantes Rita e Camilo.
(E) a narrativa A Cartomante retrata uma situação de adultério
e confirma a tendência realista para destruir e ridicularizar o casamento
romântico.

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