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A Fotografia no Brasil

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Foi no Brasil, mais precisamente na cidade de Campinas, em São Paulo, no ano de 1833, que um inventor
chamado Hercules Florence criou a palavra Fotografia para designar uma de suas descobertas. Assim nosso
País é considerado um dos pioneiros nessa forma de representação da realidade. A data da invenção de
Florence surpreende ao se comparar com os demais inventos: na Inglaterra, a Calotipia, por William Henry
Fox Talbot, em 1835; e na França, a Heliogravura, por Nicephore Niepce, em 1827; o processo positivo em
papel, de Hypolyte Bayard, em 1839; e a Daguerreotipia, por Louis Jacques Mandé Daguérre, também em 1839.

É importante ressaltar que destes inventos apenas os processos de Hercules Florence e de William Henry Fox
Talbot eram processos baseados no princípio da reprodutibilidade, como conhecemos hoje (negativo/positivo).
Dada a simultaneidade nas descobertas tecnológicas, torna-se difícil a identificação de um único inventor.
Descobertas tão importantes são provocadas por uma necessidade emergente da sociedade como um todo. Hoje
podemos afirmar que a descoberta da fotografia teve suas bases nestes cinco inventores.

OS PIONEIROS



Senzalas, foto de Victor Frond, Rio de Janeiro, 1859

Na segunda metade do século XIX, época coincidente com o desenvolvimento da fotografia,
o Brasil encontrava-se em acelerado desenvolvimento econômico. A imigração de
europeus para compartilhar nossas metas de progresso trouxeram junto à mão-de-obra
e à tecnologia, fotógrafos e aparatos fotográficos para documentar e difundir
esta transformação social e econômica. Das últimas três décadas deste período
temos imagens registradas por excelentes fotógrafos, como Militão Augusto de Azevedo,
Henrique Rosen, Alberto Henschel, Carneiro & Gaspar, Guilherme Gaensly, Juan Gutierrez,
Marc Ferrez (fotos), Victor Frond, Louis Niemeyer, Augusto Stahl, A. Frisch, Christiano
Júnior, Felipe Augusto Fidanza, George Leuzinger, Carlos César, Augusto Riedel.
Do início do século XX temos a inacreditável produção de Valério Vieira, sem dúvida
o pioneiro no Brasil da fotografia de expressão pessoal ou criativa.

OS MODERNISTAS

Na fotografia brasileira, a partir da década de 20 destacamos Conrado Wessel, não somente pela documentação
do Estado e da cidade de São Paulo mas, também, pela fabricação do papel fotográfico Wessel, com o qual
colaborou decisivamente para a difusão da fotografia brasileira, de 1928 até 1958. A partir do final da
década de 30 recebemos alguns fotógrafos de origem alemã, que trouxeram consigo a centelha da revolução
estética do movimento Bauhaus. Estes fotógrafos influenciaram diretamente a produção do meio no tocante ao
fotojornalismo e à expressão artística. São eles: Hildegard Rosenthal, Hans Gunther Flieg e Alice Brill.
Na década de 40, a “pedra de toque” da fotografia criativa brasileira, Geraldo de Barros, inicia suas
pesquisas nesta linguagem. De 1946 a 1952, este mestre formula novas formas de pensar fotografia. Sua
produção deste período permanece ainda hoje como fonte de referência e motivação para os artistas
brasileiros e estrangeiros.

REALISMO POÉTICO

Na fotografia brasileira, o ponto de mutação dos anos 60 foi, sem dúvida o fotojornalismo. Durante este
tempo, o público aprendeu a ver fotografia, principalmente com as revistas O Cruzeiro,
Manchete, Fatos e Fotos e os jornais A Última Hora, O Estado de S. Paulo,
Jornal do Brasil, Zero Hora e Folha de S. Paulo.

Simultaneamente, tivemos o surgimento de três veículos que promoveram uma fotografia contundente enquanto
informação, porém belíssima em sua estrutura estética: as revistas Realidade e Bondinho e o
Jornal da Tarde, de São Paulo, fundamentais na evolução e popularização da fotografia moderna
brasileira. Através destes veículos tomamos contato com a produção de mestres como Boris Kossoy, Chico
Albuquerque, Cláudia Andujar, David Drew Zingg, Domício Pinheiro, George Love, Jean Manzon, José Medeiros,
Lew Parella, Luigi Mamprin, Luís Humberto, Maureen Bisilliat, Orlando Britto, Otto Stupakoff, Pierre
Verger, Sérgio Jorge e Walter Firmo. Estes fotógrafos ousaram colocar sua interpretação dos fatos que
documentaram, trazendo, assim, a marca do autor às suas imagens.

FOTÓGRAFOS CONTEMPORÂNEOS

Nas últimas três décadas do século XX a fotografia brasileira manteve sua posição
de pioneirismo, ruptura e renovação. Nestes anos vorazes por imagens surgiram
muitos fotógrafos conscientes, decididos a expandir ainda mais as fronteiras deste
meio de documentação e expressão. De alguns destes destacados fotógrafos contemporâneos
apresentamos as imagens e breves biografias:



São Paulo, foto de Antonio Saggese, 1987

Antônio Saggese

– Nascido em São Paulo em 1950 e graduado em
arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
(FAU-USP), Antônio Saggese inicia carreira como fotógrafo em 1969. Dirige estúdio
próprio, onde desenvolve trabalhos de publicidade e de expressão pessoal. Atuação:
publicidade e expressão pessoal.



Sem título, foto de Eustáquio Neves,
Belo Horizonte, 1997

Eustáquio Neves

– Nascido em Juatuba, Minas Gerais, em 1955, o fotógrafo autodidata
Eustáquio Neves atua desde 1984 como free-lancer nas áreas de publicidade e documentação. Desenvolve
pesquisas com técnicas alternativas, ao mesmo tempo em que busca novas linguagens na fotografia enquanto
expressão artística. Atualmente dedica-se a uma pesquisa etnográfica junto às comunidades negras
remanescentes dos antigos quilombos. Atuação: etnofotografia e expressão pessoal.



Bananeira, foto de Marcelo Lerner,
platinotipia, São Paulo, 1994

Marcelo Lerner

– Nascido em São Paulo em 1967, iniciou em fotografia no jornal da colônia italiana Il Corriere. Em
1989 trabalhou para o mestre mexicano Manuel Alvarez Bravo, especializando-se em impressão em emulsão de
platina e paládio. No início de 1997, imprimiu em platinotipia as 82 imagens da Coleção Referencial da
História da Fotografia Brasileira expostas no mesmo ano no Instituto Cultural Itaú, em São Paulo. Desde
1995 é sócio do Imager Centro de Estudos da Imagem Fotográfica, onde desenvolve pesquisas, impressões de
portfolios e prints de exibição, além de fotografia aplicada de publicidade. Atuação: publicidade e
expressão pessoal.

Mário Cravo Neto – Nascido em Salvador, Bahia, em 1947, iniciou em fotografia como meio de
expressão plástica em 1964. Estudou de 1969 a 1970 na Art Student’s League de Nova York. Um dos fotógrafos
brasileiros mais conhecidos internacionalmente, tem trabalhos nas principais coleções privadas e de museus
do mundo. Atuação: expressão pessoal.



Luciana, foto de Mário Cravo Neto, 1994



Tinho com Osso, foto de Mário Cravo Neto, 1990

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

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