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Universidades privadas oferecem cursos gratuitos

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Os vestibulandos que querem cursar o ensino superior gratuitamente podem levar
também as universidades particulares em consideração.

Em São Paulo e no Rio, ao menos quatro instituições separaram
carreiras em que não se paga mensalidade do começo ao fim do curso.

Três delas estão com as inscrições para o vestibular
abertas.

Na Grande São Paulo, a Universidade Cruzeiro do Sul
oferece vagas gratuitas em economia, geografia, história, música,
serviço social e ciências sociais; a São Judas Tadeu,
em filosofia; e o Unifieo (Centro Universitário Fundação
Instituto de Ensino para Osasco), em engenharia de computação.

No Rio, as vagas estão no curso de pedagogia da UniverCidade
(Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro).

Os demais cursos oferecidos por essas entidades são pagos. A Cruzeiro
do Sul, por exemplo, tem 40 graduações. As mensalidades vão
de R$ 320,00 a R$ 1.425,00. De seus 20 mil estudantes, 276 estão nos
cursos gratuitos.

Estratégia

Especialistas em educação elogiam a iniciativa, mas dizem que
não se pode esquecer de que essas entidades têm interesses que
vão além do educacional e do social. “Não são
bondades, mas estratégias”, diz João Roberto Alves, presidente
do Ipae (Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação).

Quando abre vestibular para uma graduação gratuita, a faculdade
atrai mais candidatos que o habitual e, assim, pode selecionar alunos mais bem
preparados que os dos cursos pagos. São os que obterão notas mais
altas nas avaliações do Ministério da Educação.
Bem colocada no ranking do governo, a faculdade fica mais atraente para novos
estudantes.

“Quando saíram as notas do Enade [avaliação dos universitários],
você viu o fuzuê que foi, o ministro falando todo dia na TV? Quando
tem uma boa avaliação, você acaba ficando em evidência
e mostrando o seu trabalho”, afirma Carlos Andrade, pró-reitor da
Cruzeiro do Sul.

Em 2005, seu curso de geografia, gratuito, foi o primeiro colocado no Enade.

Para que os alunos continuem empenhados, as instituições exigem
que não sofram nenhuma reprovação. Quando isso ocorre,
eles sumariamente perdem a gratuidade.

As vantagens continuam. Fábio Gallo, um dos coordenadores do MBA em
gestão universitária da PUC-SP (Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo), lembra que o aluno da graduação
gratuita hoje é o aluno da pós-graduação paga amanhã.
“Ele acaba comprando outros produtos da universidade.”

“Como instituições empresariais, estão preocupadas
em ampliar seus negócios”, explica Carlos Benedito Martins, diretor
do Núcleo de Pesquisas sobre o Ensino Superior da UnB (Universidade de
Brasília).

As universidades dão explicações diferentes para as graduações
gratuitas. O Unifieo quer que seu curso de engenharia de computação
se torne referência para empresas de tecnologia. “Elas já
vêm procurar estagiários aqui”, diz a coordenadora do curso,
Marlene Dias.

A Universidade Cruzeiro do Sul afirma que quer mostrar que tem “a mesma
competência da universidade pública”.

A UniverCidade explica que as vagas fazem parte de seu projeto social na Mangueira
e em Rio das Pedras, os alunos precisam ser moradores dessas favelas do Rio.
Para desfrutar das isenções tributárias da filantropia,
a instituição é obrigada a oferecer um certo número
de bolsas para alunos pobres.

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