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USP quer compensar alunos de escola pública após perda do Enem

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A USP vai criar uma fórmula para que os alunos de escola pública
não sejam prejudicados com a ausência do Enem no vestibular da
Fuvest. O exame poderia acrescentar até 6% à nota final do candidato,
dependendo de seu desempenho.

Sem o Enem, ficaria mais complicado para o aluno da rede pública ser
aprovado. Isso porque a universidade havia decidido manter o bônus, mas
ele seria calculado com base em uma prova mais difícil que o Enem: a
nota da primeira fase do vestibular.

A ideia da fórmula é justamente corrigir essa distorção
– e dar ao candidato a mesma chance de obter o bônus de 6% que ele teria
se fizesse o Enem. “O vestibular da Fuvest é mais difícil
que o Enem. Quem acerta a metade do Enem, por exemplo, não consegue acertar
a metade da primeira fase da Fuvest. Então, haverá uma fórmula
para corrigir essa diferença e fazer com que o bônus seja o mesmo
que o Enem daria”, afirmou Mauro Bertotti, coordenador do grupo de trabalho
que discute o vestibular.

No vestibular do ano passado, o Enem ajudou em média 3% na nota. “Vamos
fazer com que o bônus permaneça em 3%”, afirmou. Por trás
da proposta, está a necessidade de manter o mesmo patamar de alunos de
escola pública que conseguem entrar na USP – em 2008, foram 30%.

O modo como essa compensação ocorrerá será discutida
quinta-feira, em reunião do grupo coordenado por Bertotti, ligado à
pró-reitoria de graduação. Foi essa mesma equipe que decidiu
excluir o Enem do vestibular da USP, na última quarta-feira –a avaliação
foi que não haveria tempo hábil para levar em conta a nota do
exame, adiado para dezembro.

O bônus de 6% do Enem faz parte do Inclusp, projeto de inclusão
social da universidade que dá, ainda, 3% para os que fizeram todo o ensino
médio em escolas públicas e mais 3% para quem aderiu ao Pasusp
(avaliação seriada). No total, o acréscimo na nota pode
chegar a 12%.

Pelo Inclusp, 896 estudantes entraram na USP em 2009 –3.089 alunos da rede
pública passaram no vestibular; não fosse o bônus, seriam
2.193.

Até o ano passado, todos os candidatos, inclusive os da rede particular,
também podiam usar o Enem –o exame era usado para compor até
20% da nota da primeira fase.

Alívio

Para o professor Edmilson Motta, coordenador do Etapa, a compensação
proposta pela USP traz algum alívio aos alunos de escola pública,
temerosos de que a ausência do Enem na Fuvest os prejudicasse. “Os
alunos estavam bem inseguros. Manter o bônus é muito bom, pelo
menos para manter condições similares às do ano passado”,
afirmou. “Haverá um impacto positivo, principalmente nos cursos
mais concorridos. Se você pegar um curso disputado, como há vários
na USP, 1% é a diferença entre passar e não passar.”

Mas a incerteza ainda deixa os alunos tensos. Leandro Waldoski, 20, quer cursar
economia na USP e diz se sentir prejudicado, porque a prova do Enem era mais
fácil. “Eu vi a prova que vazou e tinha certeza que me daria bem.”

Felipe Macedo, 22, quer fazer marketing e diz que gostaria de contar com o
exame no vestibular. “Tive amigos que passaram por causa do Enem. A gente
fica mais receoso.” Já Michelle Belaus Gomes, que quer direito,
ficou desanimada. “A prova da Fuvest é mais difícil.”

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