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Índice: A
Capa Biografias
Antônio Conselheiro
(Antônio Vicente Mendes Maciel) (1855-1897), foi uma figura messiânica e carismática
que liderou a Guerra de Canudos, revelando-se um poderoso agente de dinamização
social: teve sob sua liderança milhares de pessoas num pequeno vilarejo no sertão
da Bahia, entre escravos e camponeses. Pela imprensa e por muitos historiadores,
foi retratado como louco, fanático religioso e contra-revolucionário perigoso.
Filho do comerciante Antônio Mendes Maciel e
de Maria Joaquina de Araújo, Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio
Conselheiro, nasceu em Quixeramobim no dia 13 de Março de 1830, tendo Maria
Francisca de Paula Lessa como madrinha na pia batismal.
No dia 7 de janeiro de 1857, casou-se com
Brasilina Laurentina de Lima, quase dez anos mais jovem, passando a residir e
lecionar na fazenda Tigre, ao vender a casa de comércio e moradia, até hoje
existente à Rua Cônego Aureliano Mota, no centro da cidade, para saldar dívidas
contraídas por seu pai, então recentemente falecido.
Constatada a insuficiência da transação,
passou a ser pressionado pelos credores, iniciando um ciclo de vivência por
cidades da zona norte do estado, onde atuou em várias delas como balconista,
advogado ex-ofício(rábula) e professor, sendo abandonado pela esposa em
tamboril.
Após residir no Crato, retornou a Quixeramobim,
onde débitos contraídos com o Comendador José Nogueira do Amorim Garcia o
obrigaram a deixar a cidade mais uma vez, sendo citado à revelia como réu de
inadimplência e tendo seus bens seqüestrados para o resgate judicial.
Viveu pelos sertões de Pernambuco, Sergipe e
Bahia, onde foi preso em 1876 sob a falsa acusação de matricídio e enviado a
Quixeramobim sob exequência judicial. Recolocado em liberdade, desapareceu para
sempre da cidade, iniciando a partir daí a vida de beato missionário.
Reapareceu dez anos depois, no interior da
Bahia, já a frente de um crescente número de seguidores, pregando o Evangelho
por onde passava, construindo ou restaurando igrejas e cemitérios, contestando e
arrancando os editais de cobrança dos recém-criados impostos republicanos,
atraindo a aversão do clero, a atenção do governo e a perseguição da polícia.
Após derrotar um contingente da polícia
baiana, refugiou-se com seus adeptos na fazenda Canudos, onde fundou, em 1893, a
povoação de Belo Monte (dirigida nos moldes do socialismo didático de Trotsky),
resistindo, nos quatro anos seguintes, a três grandes expedições do exército.
Na quarta e última investida, ocorrida em 5 de
outubro de 1897 (quando, inclusive, já havia morrido) foram destruídas as 5.200
casas do arraial em que chegara a abrigar 25.000 seguidores, sendo desenterrado
o seu corpo para decapitação, cena última desse dramático capítulo da história
brasileira, descrita por Euclides da Cunha em sua clássica obra literária Os
Sertões.