A nova ortografia está aí!
Artigo publicado em 28/09/2008
O parlamento português aprovou, em maio de 2008, o segundo protocolo modificativo do acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Assim, Portugal se une a Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que, em 2007, ratificaram o protocolo, o que já garantia sua entrada em vigor. O prazo estimado de adaptação para os brasileiros é de três anos, mas a reforma já está valendo. A reforma ortográfica só será obrigatória a partir de 2012, mas é bom começar já a adaptação.
Observe como ficam as regras de acentuação gráfica:
O que estabelece o novo acordo ortográfico a respeito do uso do hífen (-)
1ª) REGRA DOS HIATOS (abolida pela reforma ortográfica):
Como era? Palavras terminadas em “oo(s)” e as formas verbais terminadas em “-eem” recebiam acento circunflexo: vôo, vôos, enjôo, crêem, dêem, lêem.
Como fica? Sem acento.
O que não muda?
a) eles têm e eles vêm (terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir);
b) ele contém, detém, provém, intervém (terceira pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos derivados de ter e vir: conter, deter, manter, obter, provir, intervir, convir);
c) eles contêm, detêm, provêm, intervêm
(terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos derivados de ter e vir).2ª) REGRA DO “U” e DO “I” (parcialmente abolida):
O que não mudou? As vogais “i” e “u” recebem acento agudo sempre que formam hiato com a vogal anterior e ficam sozinhas na sílaba ou com “s”:
Gra-ja-ú, ba-ú, sa-ú-de, vi-ú-va, con-te-ú-do, ga-ú-cho, eu re-ú-no, ele re-ú-ne, i-ca-ra-í, eu ca-í,eu sa-í,eu tra-í,o pa-ís,tu ca-ís-te, nós ca-ímos, eles ca-í-ram, eu ca-í-a.
Observações:
a) a vogal “i” tônica, antes de “NH”, não recebe acento agudo: rainha, bainha;
b) Não há acento agudo quando formam ditongo e não hiato: gra-tui-to, for-tui-to, in-tui-to;
c) Não há acento agudo quando as vogais “i” e “u” não estão isoladas na sílaba: ca-iu, ca-irmos, sa-in-do, ra-iz, ju-iz, ru-im, pa-ul...
O que mudou? Perdem o acento agudo as palavras em que as vogais “i” e “u” formam hiato com um ditongo anterior: fei-u-ra, bai-u-ca
Como era / como fica? Feiúra – feiura; baiúca – baiuca.3ª) DITONGOS ABERTOS “ÉU”, “ÉI” e “ÓI” (regra parcialmente abolida):
Como era? Acentuavam-se todas as palavras que apresentam ditongos abertos Éu: céu, réu, chapéu, troféus / Éi: papéis, pastéis, anéis, idéia, assembléia / Ói: dói, herói, esferóide.
O bservações:
a) Não se acentuam os ditongos fechados eu: seu, ateu, judeu, europeu / ei: lei, alheio, feia / Oi: boi, coisa, o apoio
b) No brasil, colmeia e centopeia são pronunciados com o timbre aberto.
O que mudou? Perdem o acento agudo somente as palavras paroxítonas: ideia, epopeia, assembleia, jiboia, boia, eu apoio, ele apoia, esferoide, heroico...
O que não mudou? O acento agudo permanece nas palavras oxítonas: dói, mói, rói, herói, anéis, papéis, pastéis, céu, réu, troféu.4ª) REGRA DO ACENTO DIFERENCIAL (parcialmente abolida):
Como era? recebiam acento gráfico:ele pára (do verbo parar, só a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo); eu pélo, tu pélas e ele péla (do verbo pelar); o pêlo, os pêlos (substantivo = cabelo, penugem); epêra (substantivo, só no singular); o pólo, os pólos (substantivos).
Como fica? Sem acento gráfico: ele para (do verbo parar - 3ª pessoa do singular do presente do indicativo); eu pelo, tu pelas e ele pela(do verbo pelar); o pelo, os pelos (substantivo = cabelo, penugem); a pera (substantivo = fruta); o polo, os polos (substantivos = jogo ou extremidade).
O que não mudou?
a) pôr (só o infinitivo do verbo): “ele deve pôr em prática tudo que aprendeu”; por (preposição): “ele deve ir por este caminho”;
b) pôde é a 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo: “Ontem ele não pôde resolver o problema”; podeé a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo: “agora ele não pode sair”.
Observação:
Sugere-se que se acentue fôrma (“fôrma de pizza”), como orientam o dicionário aurélio e o novo acordo ortográfico, a fim de diferenciar de forma (“forma física ideal”).
I. Nas formações com prefixos (ANTE, ANTI, ARQUI, AUTO, CIRCUM, CO, CONTRA, ENTRE, EXTRA, HIPER, INFRA, INTER, INTRA, SEMI, SOBRE, SUB, SUPER, SUPRA, ULTRA...) e em formações com falsos prefixos (AERO, FOTO, MACRO, MAXI, MICRO, MINI, NEO, PAN, PROTO, PSEUDO, RETRO, TELE...), só se emprega o hífen nos seguintes casos:
a) Nas formações em que o segundo elemento começa por “H”: antehistórico, anti-higiênico, anti-herói, anti-horário, auto-hipnose, circumhospitalar, co-herdeiro, infra-hepático, inter-humano, hiper-hidratação, neohamburguês, pan-helênico, proto-história, semi-hospitalar, sobre-humano, sub-humano, super-homem, ultra-hiperbólico...
Observação: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos "DES-" e"IN-" e nas quais o segundo elemento perdeu o “h” inicial: desumano, desarmonia, desumidificar, inábil, inumano...
b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na MESMA VOGAL com que se inicia o segundo elemento: auto-observação, anti-imperialismo,
anti-inflacionário, anti-inflamatório, arqui-inimigo, arquiirmandade, contra-almirante, contra-ataque, infra-assinado, infra-axilar, intra-abdominal, proto-orgânico, re-eleger, semi-inconsciência, semi-interno, sobre-erguer, supra-anal, supra-auricular, ultra-aquecido, eletro-ótica, micro-onda, micro-ônibus...
Observações:
1ª) Nas formações com o prefixo “CO-“, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por “o”: coobrigação, coocupante, cooperar, cooperação, coordenar...
2ª) Nas formações com os prefixos “CIRCUM-“ e “PAN-“, quando o segundo elemento começa por “h”, vogal, “m” ou “n”, devemos usar o hífen: circum-hospitalar, circum-escolar, circum-murado, circum-navegação, pan-africano, pan-americano, pan-mágico, pan-negritude...
3ª) Com os prefixos AUTO, CONTRA, EXTRA, INFRA, INTRA, NEO, PROTO, PSEUDO, SEMI, SUPRA, ULTRA, ANTE, ANTI, ARQUI e SOBRE, se o segundo elemento começa por “s” ou “r”, devemos dobrar as consoantes, em vez de usar o hífen. Observe:
Como era: auto-retrato, auto-serviço, auto-suficiente, auto-sustentável, contra-reforma, contra-senso, infra-renal, infra-som, intra-racial, neo-romântico, neo-socialismo, pseudo-rainha, pseudo-representação, pseudo-sábio, semi-reta, semi-selvagem, supra-renal, supra-sumo, ultra-radical, ultra-romântico, ultra-som, ultra-sonografia, ante-republicano, ante-sala, anti-rábico, anti-racista, anti-radical, anti-semita, antisocial, arqui-rival, arqui-sacerdote, sobre-renal, sobre-roda, sobre-saia, sobresalto...
Como fica: autorretrato, autosserviço, autossuficiente, autossustentável, contrarreforma, contrassenso, infrarrenal, infrassom, intrarracial, neorromântico, neossocialismo, pseudorrainha, pseudorrepresentação, pseudossábio, semirreta, semisselvagem, suprarrenal, suprassumo, ultrarradical, ultrarromântico, ultrassom, ultrassonografia, anterrepublicano, antessala, antirrábico, antirracista, antirradical, antissemita, antissocial, arquirrival, arquissacerdote, sobrerrenal, sobrerroda, sobressaia, sobressalto...
Com os prefixos terminados em vogal, se o segundo elemento começa por uma vogal diferente, devemos escrever sem hífen:
Como era: auto-adesivo, auto-análise, auto-idolatria, contra-espião, contra-indicação, contraordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neoacadêmico, neo-irlandês, proto-evangelho, pseudo-artista, pseudo-edema, semiaberto, semi-alfabetizado, semi-árido, semi-escravidão, semi-úmido, ultra-elevado, ultra-oceânico...
Como fica: autoadesivo, autoanálise, autoidolatria, contraespião, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoacadêmico, neoirlandês, protoevangelho, pseudoartista, pseudoedema, semiaberto, semialfabetizado, semiárido, semiescravidão, semiúmido, ultraelevado, ultraoceânico...II. Com os prefixos HIPER, INTER e SUPER, só haverá hífen se a palavra seguinte começar por “h” ou “r” (essa regra não foi alterada):
1) hiperativo, hiperglicemia, hiper-hidratação, hiper-humano, hiperinflação, hipermercado, hipermiopia, hiperprodução, hiper-realismo, hiper-reativo, hipersensibilidade, hipertensão, hipertiroidismo, hipertrofia;
2) interação, interativo, intercâmbio, intercessão, interclubes, intercolegial, intercontinental, interdisciplinar, interescolar, interestadual, interface, interhelênico, inter-humano, interlinguístico, interlocutor, intermunicipal, internacional, interocular, interplanetário, inter-racial, inter-regional, interrelação, interseção, intertextualidade, intervocálico;
3) superaquecido, supercampeão, supercílio, superdosagem, superfaturado, super-habilidade, super-homem, superinvestidor, superleve, superlotado, supermercado, superpopulação, super-reativo, super-requintado, supersecreto, supersônico, supervalorizado, supervisionar.III. Com o prefixo SUB, só haverá hífen se a palavra seguinte começar por “b” ou “r”: subaquático, sub-base, subchefe, subclasse, subcomissão, subconjunto, subcutâneo, subdelegado, subdiretor, subdivisão, subeditor, subemprego, subentendido, subestimar, subfaturado, subgrupo, subitem, subjacente, subjugado, sublingual, sublocação, submundo, subnutrido, suboficial, subpovoado, subprefeito, sub-raça, sub-reino, sub-reitor, subseção, subsíndico, subsolo, subterrâneo, subtítulo, subtotal.
Segundo a regra antiga, se a palavra seguinte começasse pela letra “H”, deveríamos escrever sem hífen: subepático e subumano. As novas edições de nossos principais dicionários já registram as formas com hífen, como prefere o novo acordo ortográfico: sub-hepático e sub-humano.IV. Vejamos alguns casos em que não se usava o hífen. Deveríamos escrever sempre “tudo junto” (= sem hífen). Segundo o novo acordo ortográfico, devemos usar o hífen se o segundo elemento começar por “h” ou por vogal igual à vogal final do pseudoprefixo:
MACRO - macroeconomia;
MICRO - microcomputador, micro-onda, micro-ônibus, microrradiografia;
MINI - minidicionário, mini-hotel, minissaia, minirreforma;
RE - re-erguer, re-eleger, rever, rerratificação;
TELE - telecomunicações, tele-entrega, televendas, telessexo;
Observação:
Com o prefixo “CO-“, o uso do hífen era obrigatório: co-autor, co-fundador, coseno, co-tangente...
Com o novo acordo ortográfico, o hífen só será obrigatório se o segundo elemento começar por “H” ou vogal igual: co-herdeiro, co-organização, co-autor, cofundador, cosseno, cotangente.
Nas formações com o prefixo “CO-“, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por “o”: coobrigação, coocupante, cooperar, cooperação, coordenar...
Com o novo acordo ortográfico o uso do TREMA será totalmente abolido
Fonte: Revista Galileu
Como era?
Usávamos o trema na vogal “u” (pronunciada e átona), antecedida de Q ou G e seguida de E ou I.
O objetivo do trema era distinguir a vogal “u” muda (= não pronunciada) da vogal “u” pronunciada:
QUE = quente, questão, quesito; QÜE = freqüente, seqüestro, delinqüente;
QUI = quilo, adquirir, química; QÜI = tranqüilo, eqüino, iniqüidade;
GUE = guerra, sangue, larguemos; GÜE = agüentar, bilíngüe, enxagüemos;
GUI = guitarra, distinguir, seguinte; GÜI = lingüiça, pingüim, argüir.
Palavras que recebiam trema: agüentar, argüir, argüição, averigüemos, apazigüemos, bilíngüe, cinqüenta, conseqüência, conseqüente, delinqüência, delinqüente, deságüe, enxágüe, freqüência, freqüente, lingüiça, pingüim, qüinquagésimo, qüinqüênio, qüinqüenal, sagüi, seqüência, seqüestro, tranqüilo...
Palavras que não recebiam trema: adquirir, distinguir, distinguido, extinguido, extinguir, seguinte, por conseguinte, questão, questionar, questionário...
Como fica?
Todas sem trema: aguentar, arguir, arguição, averiguemos, apaziguemos, bilíngue, cinquenta, consequência, consequente, delinquência, delinquente, deságue, enxágue, frequência, frequente, linguiça, pinguim, quinquagésimo, quinquênio, quinquenal, sagui, sequência, sequestro, tranquilo; adquirir, distinguir, distinguido, extinguido, extinguir, seguinte, por conseguinte, questão, questionar, questionário.
Observações:
a) Não esqueça que jamais houve trema quando a vogal “u” estava seguida de “o” ou “a”: ambíguo, longínquo, averiguar, adequado...
b) Se a vogal “u” fosse pronunciada e tônica, deveríamos usar acento agudo em vez do trema: que ele averigúe, que eles apazigúem, ele argúi, eles argúem...
Este acento também foi abolido: que ele averigue, que eles apaziguem, ele argui, eles arguem...
c) Palavras com dupla pronúncia (o uso do trema era facultativo). Com a reforma ortográfica, seremos obrigados a escrever sem trema: antiguidade, antiquíssimo, equidistante, liquidação, liquidar, liquidez, liquidificador, líquido,sanguinário, sanguíneo.
d) Também com dupla pronúncia (sempre sem trema): Catorze ou quatorze / Cota ou quota / Cotizar ou quotizar / Cotidiano ou quotidiano.
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