A nova ortografia está aí!

  • Data de publicação
  • author Fernando Rebouças *

O parlamento português aprovou, em maio de 2008, o segundo protocolo modificativo do acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Assim, Portugal se une a Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que, em 2007, ratificaram o protocolo, o que já garantia sua entrada em vigor. O prazo estimado de adaptação para os brasileiros é de três anos, mas a reforma já está valendo. A reforma ortográfica só será obrigatória a partir de 2012, mas é bom começar já a adaptação.

Observe como ficam as regras de acentuação gráfica:

1ª) REGRA DOS HIATOS (abolida pela reforma ortográfica):

Como era? Palavras terminadas em “oo(s)” e as formas verbais terminadas em “-eem” recebiam acento circunflexo: vôo, vôos, enjôo, crêem, dêem, lêem.
Como fica? Sem acento.
O que não muda?
a) eles têm e eles vêm (terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir);
b) ele contém, detém, provém, intervém (terceira pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos derivados de ter e vir: conter, deter, manter, obter, provir, intervir, convir);
c) eles contêm, detêm, provêm, intervêm
(terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos derivados de ter e vir).

2ª) REGRA DO “U” e DO “I” (parcialmente abolida):

O que não mudou? As vogais “i” e “u” recebem acento agudo sempre que formam hiato com a vogal anterior e ficam sozinhas na sílaba ou com “s”:
Gra-ja-ú, ba-ú, sa-ú-de, vi-ú-va, con-te-ú-do, ga-ú-cho, eu re-ú-no, ele re-ú-ne, i-ca-ra-í, eu ca-í,eu sa-í,eu tra-í,o pa-ís,tu ca-ís-te, nós ca-ímos, eles ca-í-ram, eu ca-í-a.
Observações:
a) a vogal “i” tônica, antes de “NH”, não recebe acento agudo: rainha, bainha;
b) Não há acento agudo quando formam ditongo e não hiato: gra-tui-to, for-tui-to, in-tui-to;
c) Não há acento agudo quando as vogais “i” e “u” não estão isoladas na sílaba: ca-iu, ca-irmos, sa-in-do, ra-iz, ju-iz, ru-im, pa-ul...
O que mudou? Perdem o acento agudo as palavras em que as vogais “i” e “u” formam hiato com um ditongo anterior: fei-u-ra, bai-u-ca
Como era / como fica? Feiúra – feiura; baiúca – baiuca.

3ª) DITONGOS ABERTOS “ÉU”, “ÉI” e “ÓI” (regra parcialmente abolida):

Como era? Acentuavam-se todas as palavras que apresentam ditongos abertos Éu: céu, réu, chapéu, troféus / Éi: papéis, pastéis, anéis, idéia, assembléia / Ói: dói, herói, esferóide.
O bservações:
a) Não se acentuam os ditongos fechados eu: seu, ateu, judeu, europeu / ei: lei, alheio, feia / Oi: boi, coisa, o apoio
b) No brasil, colmeia e centopeia são pronunciados com o timbre aberto.
O que mudou? Perdem o acento agudo somente as palavras paroxítonas: ideia, epopeia, assembleia, jiboia, boia, eu apoio, ele apoia, esferoide, heroico...
O que não mudou? O acento agudo permanece nas palavras oxítonas: dói, mói, rói, herói, anéis, papéis, pastéis, céu, réu, troféu.

4ª) REGRA DO ACENTO DIFERENCIAL (parcialmente abolida):

Como era? recebiam acento gráfico:ele pára (do verbo parar, só a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo); eu pélo, tu pélas e ele péla (do verbo pelar); o pêlo, os pêlos (substantivo = cabelo, penugem); epêra (substantivo, só no singular); o pólo, os pólos (substantivos).
Como fica? Sem acento gráfico: ele para (do verbo parar - 3ª pessoa do singular do presente do indicativo); eu pelo, tu pelas e ele pela(do verbo pelar); o pelo, os pelos (substantivo = cabelo, penugem); a pera (substantivo = fruta); o polo, os polos (substantivos = jogo ou extremidade).
O que não mudou?
a) pôr (só o infinitivo do verbo): “ele deve pôr em prática tudo que aprendeu”; por (preposição): “ele deve ir por este caminho”;
b) pôde é a 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo: “Ontem ele não pôde resolver o problema”; podeé a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo: “agora ele não pode sair”.
Observação:
Sugere-se que se acentue fôrma (“fôrma de pizza”), como orientam o dicionário aurélio e o novo acordo ortográfico, a fim de diferenciar de forma (“forma física ideal”).

O que estabelece o novo acordo ortográfico a respeito do uso do hífen (-)

I. Nas formações com prefixos (ANTE, ANTI, ARQUI, AUTO, CIRCUM, CO, CONTRA, ENTRE, EXTRA, HIPER, INFRA, INTER, INTRA, SEMI, SOBRE, SUB, SUPER, SUPRA, ULTRA...) e em formações com falsos prefixos (AERO, FOTO, MACRO, MAXI, MICRO, MINI, NEO, PAN, PROTO, PSEUDO, RETRO, TELE...), só se emprega o hífen nos seguintes casos:

a) Nas formações em que o segundo elemento começa por “H”: antehistórico, anti-higiênico, anti-herói, anti-horário, auto-hipnose, circumhospitalar, co-herdeiro, infra-hepático, inter-humano, hiper-hidratação, neohamburguês, pan-helênico, proto-história, semi-hospitalar, sobre-humano, sub-humano, super-homem, ultra-hiperbólico...
Observação: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos "DES-" e"IN-" e nas quais o segundo elemento perdeu o “h” inicial: desumano, desarmonia, desumidificar, inábil, inumano...
b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na MESMA VOGAL com que se inicia o segundo elemento: auto-observação, anti-imperialismo,
anti-inflacionário, anti-inflamatório, arqui-inimigo, arquiirmandade, contra-almirante, contra-ataque, infra-assinado, infra-axilar, intra-abdominal, proto-orgânico, re-eleger, semi-inconsciência, semi-interno, sobre-erguer, supra-anal, supra-auricular, ultra-aquecido, eletro-ótica, micro-onda, micro-ônibus...

Observações:
1ª) Nas formações com o prefixo “CO-“, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por “o”: coobrigação, coocupante, cooperar, cooperação, coordenar...
2ª)
Nas formações com os prefixos “CIRCUM-“ e “PAN-“, quando o segundo elemento começa por “h”, vogal, “m” ou “n”, devemos usar o hífen: circum-hospitalar, circum-escolar, circum-murado, circum-navegação, pan-africano, pan-americano, pan-mágico, pan-negritude...
3ª) Com os prefixos AUTO, CONTRA, EXTRA, INFRA, INTRA, NEO, PROTO, PSEUDO, SEMI, SUPRA, ULTRA, ANTE, ANTI, ARQUI e SOBRE, se o segundo elemento começa por “s” ou “r”, devemos dobrar as consoantes, em vez de usar o hífen. Observe:

Como era: auto-retrato, auto-serviço, auto-suficiente, auto-sustentável, contra-reforma, contra-senso, infra-renal, infra-som, intra-racial, neo-romântico, neo-socialismo, pseudo-rainha, pseudo-representação, pseudo-sábio, semi-reta, semi-selvagem, supra-renal, supra-sumo, ultra-radical, ultra-romântico, ultra-som, ultra-sonografia, ante-republicano, ante-sala, anti-rábico, anti-racista, anti-radical, anti-semita, antisocial, arqui-rival, arqui-sacerdote, sobre-renal, sobre-roda, sobre-saia, sobresalto...
Como fica: autorretrato, autosserviço, autossuficiente, autossustentável, contrarreforma, contrassenso, infrarrenal, infrassom, intrarracial, neorromântico, neossocialismo, pseudorrainha, pseudorrepresentação, pseudossábio, semirreta, semisselvagem, suprarrenal, suprassumo, ultrarradical, ultrarromântico, ultrassom, ultrassonografia, anterrepublicano, antessala, antirrábico, antirracista, antirradical, antissemita, antissocial, arquirrival, arquissacerdote, sobrerrenal, sobrerroda, sobressaia, sobressalto...

Com os prefixos terminados em vogal, se o segundo elemento começa por uma vogal diferente, devemos escrever sem hífen:

Como era: auto-adesivo, auto-análise, auto-idolatria, contra-espião, contra-indicação, contraordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neoacadêmico, neo-irlandês, proto-evangelho, pseudo-artista, pseudo-edema, semiaberto, semi-alfabetizado, semi-árido, semi-escravidão, semi-úmido, ultra-elevado, ultra-oceânico...
Como fica: autoadesivo, autoanálise, autoidolatria, contraespião, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoacadêmico, neoirlandês, protoevangelho, pseudoartista, pseudoedema, semiaberto, semialfabetizado, semiárido, semiescravidão, semiúmido, ultraelevado, ultraoceânico...

II. Com os prefixos HIPER, INTER e SUPER, só haverá hífen se a palavra seguinte começar por “h” ou “r” (essa regra não foi alterada):

1) hiperativo, hiperglicemia, hiper-hidratação, hiper-humano, hiperinflação, hipermercado, hipermiopia, hiperprodução, hiper-realismo, hiper-reativo, hipersensibilidade, hipertensão, hipertiroidismo, hipertrofia;
2) interação, interativo, intercâmbio, intercessão, interclubes, intercolegial, intercontinental, interdisciplinar, interescolar, interestadual, interface, interhelênico, inter-humano, interlinguístico, interlocutor, intermunicipal, internacional, interocular, interplanetário, inter-racial, inter-regional, interrelação, interseção, intertextualidade, intervocálico;
3) superaquecido, supercampeão, supercílio, superdosagem, superfaturado, super-habilidade, super-homem, superinvestidor, superleve, superlotado, supermercado, superpopulação, super-reativo, super-requintado, supersecreto, supersônico, supervalorizado, supervisionar.

III. Com o prefixo SUB, só haverá hífen se a palavra seguinte começar por “b” ou “r”: subaquático, sub-base, subchefe, subclasse, subcomissão, subconjunto, subcutâneo, subdelegado, subdiretor, subdivisão, subeditor, subemprego, subentendido, subestimar, subfaturado, subgrupo, subitem, subjacente, subjugado, sublingual, sublocação, submundo, subnutrido, suboficial, subpovoado, subprefeito, sub-raça, sub-reino, sub-reitor, subseção, subsíndico, subsolo, subterrâneo, subtítulo, subtotal.

Segundo a regra antiga, se a palavra seguinte começasse pela letra “H”, deveríamos escrever sem hífen: subepático e subumano. As novas edições de nossos principais dicionários já registram as formas com hífen, como prefere o novo acordo ortográfico: sub-hepático e sub-humano.

IV. Vejamos alguns casos em que não se usava o hífen. Deveríamos escrever sempre “tudo junto” (= sem hífen). Segundo o novo acordo ortográfico, devemos usar o hífen se o segundo elemento começar por “h” ou por vogal igual à vogal final do pseudoprefixo:

MACRO - macroeconomia;
MICRO - microcomputador, micro-onda, micro-ônibus, microrradiografia;
MINI - minidicionário, mini-hotel, minissaia, minirreforma;
RE - re-erguer, re-eleger, rever, rerratificação;
TELE - telecomunicações, tele-entrega, televendas, telessexo;

Observação:
Com o prefixo “CO-“, o uso do hífen era obrigatório: co-autor, co-fundador, coseno, co-tangente...
Com o novo acordo ortográfico, o hífen só será obrigatório se o segundo elemento começar por “H” ou vogal igual: co-herdeiro, co-organização, co-autor, cofundador, cosseno, cotangente.
Nas formações com o prefixo “CO-“, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por “o”: coobrigação, coocupante, cooperar, cooperação, coordenar...

 

Com o novo acordo ortográfico o uso do TREMA será totalmente abolido

Como era?
Usávamos o trema na vogal “u” (pronunciada e átona), antecedida de Q ou G e seguida de E ou I.
O objetivo do trema era distinguir a vogal “u” muda (= não pronunciada) da vogal “u” pronunciada:

QUE = quente, questão, quesito; QÜE = freqüente, seqüestro, delinqüente;
QUI = quilo, adquirir, química; QÜI = tranqüilo, eqüino, iniqüidade;
GUE = guerra, sangue, larguemos; GÜE = agüentar, bilíngüe, enxagüemos;
GUI = guitarra, distinguir, seguinte; GÜI = lingüiça, pingüim, argüir.

Palavras que recebiam trema: agüentar, argüir, argüição, averigüemos, apazigüemos, bilíngüe, cinqüenta, conseqüência, conseqüente, delinqüência, delinqüente, deságüe, enxágüe, freqüência, freqüente, lingüiça, pingüim, qüinquagésimo, qüinqüênio, qüinqüenal, sagüi, seqüência, seqüestro, tranqüilo...

Palavras que não recebiam trema: adquirir, distinguir, distinguido, extinguido, extinguir, seguinte, por conseguinte, questão, questionar, questionário...

Como fica?
Todas sem trema: aguentar, arguir, arguição, averiguemos, apaziguemos, bilíngue, cinquenta, consequência, consequente, delinquência, delinquente, deságue, enxágue, frequência, frequente, linguiça, pinguim, quinquagésimo, quinquênio, quinquenal, sagui, sequência, sequestro, tranquilo; adquirir, distinguir, distinguido, extinguido, extinguir, seguinte, por conseguinte, questão, questionar, questionário.

Observações:
a) Não esqueça que jamais houve trema quando a vogal “u” estava seguida de “o” ou “a”: ambíguo, longínquo, averiguar, adequado...
b) Se a vogal “u” fosse pronunciada e tônica, deveríamos usar acento agudo em vez do trema: que ele averigúe, que eles apazigúem, ele argúi, eles argúem...
Este acento também foi abolido: que ele averigue, que eles apaziguem, ele argui, eles arguem...
c) Palavras com dupla pronúncia (o uso do trema era facultativo). Com a reforma ortográfica, seremos obrigados a escrever sem trema: antiguidade, antiquíssimo, equidistante, liquidação, liquidar, liquidez, liquidificador, líquido,sanguinário, sanguíneo.
d) Também com dupla pronúncia (sempre sem trema): Catorze ou quatorze / Cota ou quota / Cotizar ou quotizar / Cotidiano ou quotidiano.

Fonte: Revista Galileu

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